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A extraordinária história dos irmãos Rebouças, os primeiros engenheiros negros do brasil

André e Antônio realizaram importantes obras de infraestrutura no país e também lutaram pela abolição da escravidão

Giovanna Gomes Publicado em 11/02/2021, às 15h24

Os irmãos Rebouças: Antônio (à esq.) e André (à dir.)
Os irmãos Rebouças: Antônio (à esq.) e André (à dir.) - Domínio Público

Uma dupla de engenheiros que viveu durante o século 19 foi extremamente fundamental para o desenvolvimento do estado do Paraná, recém-criado na época. 

Contudo, eles foram além, realizando importantes obras também no Rio de Janeiro. Mais do que excelentes profissionais, como negros, eles eram um símbolo de resistência.

Ainda que os irmãos Antônio e André Rebouças não tenham sido escravizados, a trajetória é marcada pela escravidão, uma vez que eram netos de uma escrava alforriada.

Além disso, também lutaram pela abolição, em especial André, que marcou presença em campanhas. Hoje, eles têm marcas registradas em nomes de locais como uma Avenida em São Paulo, um túnel no Rio de Janeiro, além de um bairro em Curitiba.

Origens

Filhos de um advogado autodidata, que atuou como deputado e conselheiro do Imperador Dom Pedro II, os engenheiros nasceram no município de Cachoeira, na Bahia. André era o mais velho, tendo nascido em 1838.

Mas a diferença de idade era bem pequena, já que seu irmão Antônio nasceria já no ano seguinte. 

Antônio (pai) e os irmãos Rebouças / Crédito: Divulgação

 

Mais tarde, no ano de 1854, iniciaram os estudos em engenharia pela Escola Militar do Rio de Janeiro. Depois, foram para a Europa, onde se tornaram grandes especialistas na construção de portos e ferrovias, área no qual atuariam após seu retorno ao Brasil, ocorrido em 1862.

No mesmo ano, o Império confiou à tarefa de supervisionar obras em fortificações de Santos, no litoral de São Paulo, Paranaguá, no Paraná e também em Santa Catarina.

André Rebouças em Paris / Crédito: Divulgação

 

Principais obras

Os irmãos Rebouças construíram algumas das estruturas mais importantes das regiões Sudeste e Sul do país.

A estrada de ferro que liga a capital do Paraná ao município de Paranaguá, construída entre 1872 e 1885, é uma delas. Com seus 110 quilômetros de extensão, é o meio utilizado para se escoar a produção tanto do próprio estado quanto da do Centro-Oeste brasileiro.

Ferrovia Curitiba-Paranaguá / Crédito: Divulgação

 

 

Outro ponto importante na história da dupla é a Estrada da Graciosa, que foi, até meados do século 20, a única totalmente pavimentada em solo brasileiro.

Servia como uma importante rota de tropeiros durante a segunda metade do século 19 e se estabelecia entre a capital e o litoral do Paraná. Antônio foi o escolhido para chefiar a obra, que fora finalizada 9 anos depois. Hoje, a estrada é uma das maiores atrações turísticas do estado. 

Também não podemos esquecer que foi André que solucionou o problema da falta de água frequente pelo qual passava a população carioca.

No ano de 1870, o profissional lançou um revelante relatório na revista de engenharia propondo uma medida que acabaria por dar origem ao atual Sistema Acari: transportar água do manancial do Rio D’Ouro por meio de uma tubulação de 55 quilômetros de extensão até a capital.

O fim

Antônio, porém, não viu seu principal projeto ser concluído: a ferrovia Curitiba-Paranaguá. Infelizmente, morreu jovem, aos 35 anos, após contrair febre tifoide.

Foi após sua morte que André, que ainda viveria até os 60 anos de idade, passou a atuar ativamente contra a escravidão. Anos depois, serviu na Guerra do Paraguai, um dos eventos mais marcantes do Império.

Quando ocorreu a Proclamação da República, o engenheiro, que era extremamente fiel a Dom Pedro, mudou-se para a Europa com a Corte. Foi em Funchal, na Ilha da Madeira, que ele passou seus últimos anos até o dia em que foi encontrado sem vida à beira do mar, no ano de 1898.


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