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Amor que floresceu na guerra: o casal de idosas que esperou 72 anos para se casar

A história surpreendente das mulheres que se conheceram na faculdade, se apaixonaram e só conseguiram oficializar a união décadas depois

Penélope Coelho Publicado em 12/03/2020, às 17h17

Vivian Boyack e Alice Dubes se casaram após mais de sete décadas de relação não assumida
Vivian Boyack e Alice Dubes se casaram após mais de sete décadas de relação não assumida - Divulgação

Quantos casais do mesmo sexo tiveram que manter suas relações em segredo com medo de preconceito, rejeição, julgamento e afastamento? Infelizmente, algumas famílias e instituições ainda têm um pensamento retrógrado sobre essas questões, fazendo com que essas tramas ainda se repitam. No entanto, é reconfortante saber que existem finais felizes em casos como esses.

A história de amor de Vivian Boyack e Alice ‘Nonie’ Dubes, é exemplo de união e luta contra a homofobia. As norte americanas se conheceram em 1942, em plena 2ª Guerra Mundial, período sombrio em que judeus, negros, deficiente e outras minorias como os homossexuais, eram mortos.

Mesmo em um momento tão obscuro da história da humanidade, uma paixão surgiu. As duas ainda jovens, se conheceram na faculdade, no Iowa State Teachers College, onde estudavam para serem professoras. O casal contou ao jornal britânico The Guardian que o amor aconteceu imediatamente, assim como acontece entre homem e mulher, de maneira natural.

Desde que tudo começou, ambas sabiam que o relacionamento não seria inicialmente aceito pela sociedade, amigos e parentes, por isso, resolveram mantê-lo em segredo. Para elas, a parte mais difícil era o período das férias da faculdade, já que tinham que se separar. Elas passavam o verão na casa de suas respectivas famílias.

Cinco anos depois, já um pouco mais velhas e independentes, elas decidiram se mudar para o estado americano de Iowa, e começaram a trabalhar para manterem uma casa. Vivian, seguiu os passos que cursou na universidade, e dava aulas. Já Alice, fazia trabalhos administrativos em empresas, tinha um cargo em um jornal local, além de também prestar serviços para uma companhia de sucata.

Alice Dubes e Vivian Boyack, jovens e apaixonadas  / Divulgação 

 

Elas namoraram durante 72 anos, sempre com discrição vivendo um amor velado, porém, sempre muito forte e verdadeiro. Como moradoras de Iowa, nos Estados Unidos, que está longe das grandes cidades que lutam pelos direitos LGBTQ, como Nova Iorque e São Franscisco, elas tiveram que esperar e mantiveram o silêncio até que o casamento homoafetivo fosse permitido onde moravam.

Apesar do estado de Iowa ter reconhecido o casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2009, sua população era conservadora, então, as duas decidiram aguardar até se sentirem confortáveis para dizer o tão sonhado “sim” na frente de todas as pessoas que amam.

Isso aconteceu em 6 de setembro de 2014, quando elas resolveram selar essa união. Na época, Alice tinha 90 anos e Vivian 91, e o casal teve seu matrimônio oficializado na First Christian Church, na cidade de Davenport. A cerimônia provocou lágrimas até mesmo na reverenda que celebrou o casamento. "Esta é uma celebração de algo que deveria ter acontecido há muito tempo", disse a Reverenda Linda Hunsaker, ao pequeno grupo de amigos e familiares próximos que compareceram.

Segundo as últimas informações divulgadas sobre as duas, elas estavam morando juntas em uma casa de repouso. E demonstravam estar muito felizes por assumirem o amor que compartilham por tantos anos. Atualmente, elas não se preocupam mais se alguém não concorda com esse relacionamento. “A melhor parte foi todo o carinho que nós recebemos como resposta de todas as pessoas. Foi muito bom“, afirmou Vivian.

Vivian e Alice já se consideravam casadas em seus corações, e nesses longos anos de relação estável, as duas viajaram muito. Alice revelou, que juntas elas visitaram 50 estados nos EUA, diversas províncias do Canadá e também já foram duas vezes para a Inglaterra.

Para Vivian, o segredo de um casamento longo e feliz é amor e muito trabalho. E as duas confirmaram através dessa história linda e inspiradora que nunca é tarde para escrever um novo capítulo na vida. Emocionante!


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