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"Anjo Surfista": Guido Schäffer, médico que pode ser o primeiro carioca a virar santo

Considerado um Servo de Deus pela Igreja, Guido está cada vez mais próximo de se tornar santo

Giovanna Gomes Publicado em 10/10/2020, às 08h00

Guido é considerado Servo de Deus pela Igreja Católica
Guido é considerado Servo de Deus pela Igreja Católica - Divulgação

Recentemente a Igreja Católica anunciou a beatificação do jovem Carlo Acutis, que evangelizava pessoas por meio de um site que mantinha antes de sua morte, ocorrida em 2006 e a quem foi creditado um milagre. A história muito recorda o caso de um surfista que pode ser o primeiro carioca a ser considerado santo.

Desde 2015, quando foi aberto um processo de canonização, o médico e surfista Guido Schäffer tem seu nome cotado para a lista de santos brasileiros. Mas quem foi Guido e o que o torna tão especial a ponto de ser um candidato à santidade?

Um jovem devoto

A juventude de Guido não foi muito diferente das demais pessoas. Relatos de amigos do rapaz em entrevista à BBC descrevem alguém comum, mas que tinha grande interesse pela vida religiosa. O comerciante Samir Jure Aros, amigo de Guido, lembra de quando o conheceu, na época da escola. "A gente saiu na porrada na frente de todo mundo, na esquina das ruas Siqueira Campos e Tonelero", afirmou.

No dia seguinte, os demais colegas esperavam pela continuação da briga, mas se frustraram. "Estava aquela tensão, todo mundo esperando a gente se encontrar, quando o Guido olhou para mim, disse que não fazia o menor sentido aquela briga e, daquele dia em diante, viramos os melhores amigos".

Samir ainda lembrou da paixão de ambos pelo surf: "A gente fez várias viagens de surfe juntos, e conversava muito dentro da água, coisa de melhores amigos mesmo".

 

Ainda segundo a BBC, em 1998 o jovem se formou em medicina e, no mesmo ano, fundou um grupo de oração chamado Fogo do Espírito Santo, na Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. No entanto, Guido ainda não havia decidido seguir uma vida como padre, o que viria a ocorrer dois anos depois. Na época ele namorava e tinha planos de se casar.

Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema - Flickr

 

Infelizmente, o jovem faleceu aos 34 anos no dia 1º de maio de 2009 no Recreio dos Bandeirantes, pouco antes de concluir a faculdade de Teologia. Ele estava surfando quando uma prancha solta atingiu sua nuca de modo que desmaiou e se afogou no mar. E foi assim que começou a sua saga milagrosa.

alguns relatos de milagres creditados a Schäffer. Um deles é o caso do cardiologista Bernardo Amorim, o qual sofreu de uma doença nervosa que provocou uma paralisia e se recuperou muito antes do que previram os médicos, o que segundo sua mãe, teria sido um milagre do surfista.

Há ainda outros casos, como o de uma freira que foi curada de diabetes e também o do pai de um amigo de Guido, que se recuperou de uma diverticulite após sua esposa realizar orações ao rapaz.

O processo de canonização

Para que o processo de canonização se inicie, é preciso que o religioso tenha devotado sua vida a Deus. O título de Beato é concedido após a comprovação de um milagre do religioso, depois de sua morte.

Com a beatificação, é permitido o culto público em louvor do beato, mas limitado a uma instituição eclesiástica. Após investigação, a Igreja reconhece as virtudes cristãs
do candidato (conhecimento e práticas do bem), heroicamente vividas. Ou, então, pelo martírio. 

Se comprovado um segundo milagre, ocorrido após a beatificação, o religioso se torna santo. A canonização valida a santidade e instaura o culto público do santo em toda a Igreja Católica. Assim, o surfista tem o título de Servo de Deus. 

Desde 2016, a Associação Guido Schäffer realiza uma missa em todo 1º de maio em sua homenagem na igreja Nossa Senhora da Paz, para onde seus restos mortais foram levados em 2015. Além disso, em 2018, o trecho em que o jovem costumava surfar e local onde ocorreu seu acidente passou a se chamar oficialmente de Praia do Guido. 

Recreio dos Bandeirantes - Flickr

 

Em março de 2019, a família de Guido criou ainda um memorial com seu nome na Santa Casa da Misericórdia, local onde trabalhou como estagiário, residente e médico-assistente.


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