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Matérias / Boris Johnson

As festinhas que ameaçaram o cargo de Boris Johnson

Votação realizada nesta segunda-feira, 6, definiu o futuro do primeiro-ministro britânico

Isabelly de Lima, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 06/06/2022, às 18h07

Boris Johnson em aparição pública, em junho de 2022 - Getty Images
Boris Johnson em aparição pública, em junho de 2022 - Getty Images

Nesta segunda-feira, 6, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, conversou por cerca de meia hora com seus correligionários do Partido Conservador, a portas fechadas, para defender sua permanência no cargo. O primeiro-ministro pediu aos membros do Parlamento que a sigla não entrasse em uma “discussão fraticida sem sentido”, de acordo com informações do correspondente de política da BBC, David Wallace Lockhart, via G1.

Assim, o premiê enfrentou a votação de uma moção de desconfiança, que ameaçou a sua saga no cargo. Essa moção é o instrumento à disposição do Legislativo para questionar a permanência do chefe de governo no cargo, em regimes como o britânico, parlamentar. No entanto, foi decidido que Boris tem a capacidade para permanecer no cargo de líder do governo. 

As acusações

Há alguns meses, Johnson se encontrava no meio de um escândalo, chamado de “partygate”, que envolve festas e comemorações durante o mais estrito período de lockdown na Inglaterra. A presença dele e de sua equipe em festas durante o período de distanciamento social contra a covid-19 chegou a ser investigada formalmente.

Sue Gray, funcionária pública responsável por investigar acusações de violações de regras sanitárias por funcionários do governo, examinou 16 eventos que aconteceram entre maio de 2020 e abril de 2021, em Downing Street (residência oficial do primeiro-ministro) e nos gabinetes ministeriais, assim como uma comemoração realizada nas dependências do Departamento de Educação.

O relatório Sue Gray, como foi apelidado, divulgado no último mês de maio, fala em "fracasso de liderança e de julgamento" e diz que, "sob o contexto da pandemia, quando o governo pedia que cidadãos aceitassem restrições amplas em suas vidas, alguns dos comportamentos ao redor desses encontros são difíceis de serem justificados".

O texto também aponta sobre o consumo excessivo de álcool em algumas das confraternizações, que "não é apropriado em um ambiente profissional em momento algum".

O que diz Johnson

Diante do Parlamento, o primeiro-ministro britânico pediu desculpas pelo que errou e pelo modo como tudo está sendo tratado. "Não adianta dizer que as coisas foram feitas dentro das regras e não adianta dizer que as pessoas (de Downing Street) estavam trabalhando duro. Esta pandemia tem sido difícil para todos. Pedimos às pessoas que fizessem sacrifícios extraordinários e entendo a raiva das pessoas. Mas não basta pedir desculpas. Temos de nos olhar no espelho e aprender. (...) Acato as descobertas feitas por Sue Gray por completo e sua recomendação de que aprendamos e ajamos agora.", disse.

"Estamos fazendo mudanças na forma como Downing Street e os gabinetes ministeriais funcionam, para que possamos seguir com o trabalho a que fui eleito a fazer", concluiu.

Após isso, alguns membros do Parlamento protocolaram pedidos para que fosse realizado uma moção de desconfiança contra Johnson. O número de cartas enviadas por congressistas do Partido Conservador chegou a 54, ou 15% do total de legisladores da mesma sigla do premiê, nesta segunda-feira, que é o limite estabelecido pelas regras do partido para que o processo fosse iniciado.