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Ashli Babbitt, a apoiadora de Trump que perdeu a vida na invasão ao Capitólio

A mulher era uma veterana das forças armadas e foi uma das quatro pessoas a morrerem no protesto violento da última semana

Alana Sousa Publicado em 09/01/2021, às 12h00

Fotografia de Ashli Babbitt
Fotografia de Ashli Babbitt - Divulgação/Twitter/Ashli Babbitt

“Grande patriota”. Assim descreveu Timothy McEntee, marido de Ashli Babbit, 35 anos, que morreu após levar um tiro na cabeça durante a invasão ao Capitólio americano, que aconteceu na última quarta-feira, 6. Era o dia em que os parlamentares deveriam anunciar a vitória oficial de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos.

Os apoiadores de Donald Trump, por outro lado, se sentiram injustiçados, revoltados, indignados. Em um ato de radicalismo violento, eles decidiram invadir o Capitólio, em Washington, DC. Entre a multidão de bonés vermelhos com a frase “Make America great again” (“Tornar a América grande novamente”, em tradução livre), estava a veterana das forças armadas Ashli Babbit.

A mulher era uma das eleitoras — e fanáticas — do então governante dos EUA. Em suas redes sociais haviam postagens de apoio a Trump, para ela a eleição também tinha sido uma fraude. Biden não merecia a vitória, e ela iria fazer de tudo para mostrar sua aversão aos resultados.

Ashli Babbitt usando o boné de campanha de Trump / Crédito: Divulgação

 

Um dia antes da fatídica invasão, que repercutiu ao redor do mundo, Babbit postou no Twitter: “Nada vai nos parar, a tempestade está aqui e chegará a Washington em menos de 24 horas. Da escuridão à luz”. Suas redes sociais eram repletas de fotos com o infame boné do MAGA.

Das forças armadas a invasão ao Capitólio

Antes de se juntar ao violento atentado contra a democracia americana, Ashli serviu por 14 anos no exército de seu país. O marido Timothy contou em entrevista ao The Washington Post que a esposa passou por lugares como Iraque, Afeganistão e Kuwait em quase duas décadas.

Foi lá que eles se conheceram e mantiveram uma relação duradoura. Após a aposentadoria militar, Babbit passou a viver em San Diego, Califórnia, além de trabalhar na empresa de McEntee.

Timothy estava ciente da ideologia da mulher, a quem considerava apenas uma patriota. No entanto, após o fatídico óbito, declarou para a Fox: “Sinceramente, não sei por que ela decidiu ir”, falando sobre a viagem da parceira à capital.

Cena de tumulto em um dos ambientes do Congresso / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Com uma vida marcada pelo nacionalismo intenso, o homem não deixou de lembrar que ela era também “cheia de amor e carinhosa”. Inevitavelmente, além de sua rotina exposta na internet, sua morte seguiu pelo mesmo caminho, sua memória está sendo ofuscada pelos seus momentos finais; da mesma forma, divulgados para o público.

Babbit foi uma das quatro pessoas que perderam a vida no protesto descontrolado. Já dentro do Capitólio, a apoiadora de Trump continuava a explanar seus ideiais para o público, assim como muitos outros que mostravam o que estava acontecendo em tempo real.

Foi assim que, ao levar um tiro de um agente oficial (que não teve sua identidade revelada), as câmeras apontaram para ela. Em meio a gritos e confrontos, Ashli jorrava sangue entre seus colegas furiosos. O líquido vermelho intenso cobriu rapidamente seu rosto, enquanto diversos ângulos mostravam a americana perder a respiração.

Para dispersar os protestantes, o ataque foi feito. Assim, Babbit pagou com a vida por uma tentativa de invalidar uma eleição eleitoral. O que sobrou depois: os comentários e fotos de seu corpo sem vida circulando da mesma forma que suas últimas palavras.


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