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Bette Cooper: o desaparecimento da Miss America 1937

Apesar de coroada, a jovem teve de escolher entre uma paixão relutante e um título de nível nacional

Wallacy Ferrari Publicado em 04/04/2020, às 09h00

A miss Bette Cooper recebendo sua coroa e troféu de Miss America
A miss Bette Cooper recebendo sua coroa e troféu de Miss America - Divulgação

Durante o verão de 1937, Bette Cooper, na época com 17 anos, aproveitava suas férias do meio de ano para visitar a cidade de Bertant Island, em Nova Jersey, e conhecer um parque de diversões junto a algumas amigas. Vinda da zona rural de Hackettstown, a jovem simples não esperava que uma brincadeira entre as colegas se tornaria o início do maior marco de sua vida.

Após o fim de um dia cansativo no parque, os organizadores promoveram um concurso de beleza surpresa na cidade. A Miss Bertrand Island seria eleita naquela noite entre as moças presentes — algumas misses que treinavam a semanas pela oportunidade e outras que chegaram ali pelo acaso — e o prêmio dava a chance para a vencedora ser a representante estadual no Miss America, em setembro.

Recatada e tímida, Bette tinha uma voz fina e um sorriso fácil e rapidamente foi convencida pelas amigas a subir no palco e se inscrever, porém, não esperava que seria a vencedora da noite, para a surpresa de muitos que nunca haviam visto a moça antes. Em poucas horas, a bela interiorana estava com a passagem garantida para Atlantic City na competição nacional.

Mesmo com os pais amedrontados pela possibilidade de exposição da jovem, compreenderam que a oportunidade era única e a liberaram para a disputa. Quando chegou a cidade do evento, foi apresentada a Louis Off, um universitário, educado, rico e bonito, de 21 anos, que a acompanharia durante a estadia. Bette não sabia, mas Louis fazia parte de um plano da organização.

Para baratear os custos de hospedagem e transporte das jovens, o concurso teve a ideia de chamar rapazes universitários da alta sociedade para sair com as concorrentes antes da competição. Assim, as garotas se manteriam entretidas, os garotos arcariam com os custos da empreitada e a instituição conseguiria trabalho gratuito. Em tese, todo mundo sairia ganhando.

Bette foi a última que havia sobrado na escolha de acompanhantes, porém, sempre conquistador e apresentando diversos pontos da cidade, Louis rapidamente conseguiu cortejar a jovem, transformando a rápida relação em uma paixão. Além de piqueniques e passeios na praia, a miss recebia orquídeas todas as manhãs, visto que a empresa que cuidava das flores de quase todos os hotéis da cidade era da família de Louis Off.

A miss em fotos durante a cerimônia de Miss America / Créditos: Divulgação

 

Ou a coroa, ou eu

A paixão parecia ser unilateral; Bette, perdida de amores por Louis, não era correspondida da mesma maneira, visto que, assim que terminasse o período de estadia, o universitário teria que encerrar seus serviços de acompanhante. Tudo piorou quando o rapaz perguntou para jovem sobre o que ela faria se ganhasse o concurso nacional. 

Louis, por sua vez, fez questão de deixar claro que, se a jovem ganhasse, ela poderia esquecê-lo, visto que não gostaria da fama e exposição: “A última coisa que quero no mundo é publicidade. Eu não quero ser conhecido como o Senhor Miss América”. Descrente, dia depois a surpresa foi ainda maior: Bette Cooper venceu a eleição. Sua pose da vitória era marcada por um sorriso desconfortável e com a insegurança de não ter mais a pessoa que amava.

O companheiro fez jus as palavras e na mesma noite foi embora do baile pós-festa, sem ao menos a abraçá-la na coroação. Angustiada, Bette foi até o hotel da família do amado por volta das 2 da manhã, onde o mesmo tinha um apartamento.

Aos prantos, foi atendida e ficou por lá até amanhecer. Quando o dia clareou, a imprensa nacional estava pronta para entrevistar Bette Cooper, a mais nova Miss America, mas a jovem estava desaparecida, sem ninguém saber seu paradeiro.

Ao longo da noite, o casal ficou em um barco, longe da cidade, até que a poeira abaixasse. Nas semanas seguintes, Bette recusou entrevistas e era de poucas palavras, sem muitas aparições públicas. Ameaçada pelos organizadores, começou a comparecer aos eventos oficiais, mas nunca teve postura de miss. Louis foi bastante criticado pela imprensa por estragar o concurso de beleza mais importante do país.

Quando entregou a coroa no ano seguinte para a Miss Ohio, fez questão de sumir da mídia e encerrar seu relacionamento com o universitário. Vivendo em um subúrbio de Connecticut, foi localizada algumas vezes por repórteres, mas sempre se fechou e recusou entrevistas, até falecer aos 97 anos, em 2017.  O programa de acompanhantes universitários foi encerrado na edição seguinte do Miss America.


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