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Criminoso mais procurado do Rio: A operação que matou Ecko, o chefe dos milicianos

Morto no último sábado, 12, Wellington da Silva Braga comandava grupo desde 2017

Fabio Previdelli Publicado em 14/06/2021, às 17h00 - Atualizado às 18h00

O miliciano Ecko
O miliciano Ecko - Polícia Civil

No último sábado, 12, a Operação Dia dos Namorados, da Polícia Civil, culminou com a morte de Wellington da Silva Braga, conhecido como Ecko. Considerado o chefe da maior milícia em atividade do Rio de Janeiro, Ecko também era o criminoso mais procurado do Estado. 

A Operação foi comemorada pelo governador Cláudio Castro em suas redes sociais. “Hoje é um dia importante. Demos um golpe duro nas facções criminosas do Estado. Parabéns, Polícia Civil, pela operação cirúrgica e sigilosa que capturou o Ecko, miliciano mais procurado do Brasil”. 

Homem mais procurado do Rio 

Apesar de ser chefe da milícia, Ecko não é ex-policial, como aponta matéria do G1. Ao contrário disso, ele se tornou um dos criminosos mais procurados do Rio de Janeiro depois que assumiu os negócios de seu irmão, Carlos Alexandre da Silva Braga, conhecido como Carlinhos Três Pontes — ele foi morto em abril de 2017, quando também foi alvo de um confronto com a Polícia Civil do Rio.  

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Cartaz da Polícia Civil buscando informações de Ecko/ Crédito: Polícia Civil

Ecko começou sua ‘carreira’ criminosa atuando na Zona Oeste do Rio, em bairros como Campo Grande, Paciência, Inhoaíba, Santa Cruz e Cosmos, quando a então Liga da Justiça atingia seu auge de assassinatos e controle econômico da região, em meados de 2007.  

Nesse período, as ações da milícia carioca eram chefiadas por três ex-policiais: Ricardo Teixeira Cruz, apelidado de Batman; Marcos José de Lima, o Gão; e Toni Ângelo Souza Aguiar, o Toni Angelo. O trio acabou sendo preso em operações entre 2007 e 2008. 

A partir disso é que Carlinhos Três Pontes chega ao poder. Ao contrário de seus antecessores, Carlinhos não tinha uma história como policial, mas já era bem conhecido por ser traficante do Morro Três Pontes, de onde vem seu apelido. Ele tornou-se chefe da milícia até 2017, quando foi morto pela polícia.  

Foi então que Ecko começa a liderar a Liga da Justiça, segundo o G1, que passou a se chamar bonde do Ecko. Wellington, então, inicia uma consolidação da relação entre milicianos e traficantes, juntando-os com membros da facção Amigos dos Amigos (ADA), num primeiro momento, e depois com integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP). 

Por sua influência e por suas ações, Ecko passou a ser investigado pelos polícias que, inclusive, chegaram a oferecer uma recompensa de 10 mil reais por pistas que levassem ao seu paradeiro. As buscam chegaram ao fim no último final de semana.  

Operação Dia dos Namorados 

Ecko foi alvejado com dois tiros na altura do coração, por volta das 8 horas da manhã do último dia 12, sábado. Na ocasião, ele visitava sua esposa e os três filhos na Comunidade das Três Pontes. O líder dos milicianos foi encaminhado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas já chegou no centro médico sem vida.  

Apesar da ação no sábado, a operação para capturá-lo, no entanto, começou dias antes, já no final da última quinta-feira, 10. Na ocasião, a Subsecretaria de Inteligência recebeu a informação que o criminoso visitaria sua família na próxima data comemorativa. 

Foi então que o delegado Rodrigo Oliveira se reuniu com quatro agentes para traçar um plano. Na data da Operação, 21 policiais estavam presente na ação no bairro da Paciência.  

Imagem do interior da casa de Ecko/ Crédito: Divulgação/G1

 

Segundo consta, Ecko chegou ao local por volta das 4 horas da manhã. Poucas horas depois, a residência já estava cercada por policiais. Quando notou a presença das autoridades, Wellington tentou fugir pela porta dos fundos, mas agentes já o esperavam por lá também. Iniciou-se uma troca de tiros.  

Após ser baleado enquanto estava em um dos quartos do local, o líder da milícia carioca foi socorrido pelos policiais, chegando, inclusive, ser transportado de helicóptero para um hospital da região. Porém, ele acabou não resistindo aos ferimentos e morreu antes mesmo de chegar lá. De acordo com o G1, Ecko estava com um fuzil.  

Chefe do Departamento Geral da Polícia, Felipe Curi disse que já identificou policiais que tinha ligações com a milícia. “O que eu posso te afirmar é que há policiais envolvidos. Já há alguns policiais identificados, outros estão sendo identificados”, afirmou ao G1. Em sua casa, os agentes encontraram uma farda com o nome de Capitão Braga. O uniforme será periciado. 

Dominante de boa parte da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de algumas localizações da Baixada Fluminense, o Bonde do Ecko extorque dinheiro de moradores e comerciantes locais em troca de ‘proteção’. Além disso, o grupo também oferece serviços clandestinos, como internet e TV a cabo. Os milicianos também detêm o monopólio das vendas de água e luz, e do transporte de vans.  

Antes da Operação Dia dos Namorados, a Secretaria de Polícia Civil, por meio das delegacias especializadas na região, começou a atacar os negócios clandestinos ligados à milícia.  

Além dos ‘serviços’ relatados acima, os policias também interromperam os serviços de farmácias, que eram usadas para lavagem de dinheiro, e apreenderam cigarros contrabandeados. A operação causou um prejuízo de mais de 50 milhões de reais ao grupo criminoso.


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