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Dedicação e santidade: O corpo incorrupto da Irmã Maria do Divino Coração

Entrando na vida religiosa por uma divinação pessoal, essa freira foi de importante influência de um papa e renovou o regimento de um relevante convento em Portugal

André Nogueira Publicado em 21/05/2020, às 07h00 - Atualizado às 07h57

Maria Droste
Maria Droste - Wikimedia Commons

Maria do Divino Coração foi uma aristocrata alemã que dedicou sua vida à religiosidade católica em Portugal, tornando-se organizadora central do Convento do Bom Pastor do Porto. Mulher influente que colaborou até com o pontificado de Leão XIII no sinal do século 19, ela ficou mundialmente famosa por, tempo após falecer, manter o corpo incorrupto.

Corpo incorrupto é um conceito que abrange os corpos humanos que, mesmo sem mumificações ou embalsamamentos, não se decompõem após o óbito. Muitas vezes retratado de maneira falaciosa ou exagerada, o fato é comumente associado à atividade milagrosa.

A vida clerical de Madre Maria teve início em 1883, quando, numa capela em Rosendahl, Alemanha, onde ela teria ouvido internamente uma clemência de Jesus em que dizia “Tu serás a esposa de Meu Coração”. Pouco tempo depois, ela embarcou na carreira religiosa.

Divinação do Sagrado Coração de Jesus / Crédito: Wikimedia Commons

 

Seu início foi singelo, pois era muito tímida e tinha pouca liberdade por conta de sua mãe. Porém, superou essa barreira em um evento em que ofereceu ajuda a uma oprimida que estava sendo humilhada num hospital, onde teve seu primeiro contato com a face mais humanista das Irmãs do Bom Pastor, associação que entraria por apoio de uma divinação particular.

Mria iniciou sua participação na Ordem em Munster, onde recebeu a bata branca e decidiu pelo nome Maria do Divino Coração. Após cinco anos de dedicação, foi enviada a Lisboa, Portugal, em missão administrativa. Lá, foi declarada Madre Superiora do Convento das Irmãs do Bom Pastor na cidade do Porto, pra onde se dirigiu.

Convento no momento da morte de Maria / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mesmo que atenciosa, Maria do Divino Coração era exigente e tradicional, restaurando a disciplina religiosa mais alinhada no convento, além de instar a mais sofisticada formação das irmãs, num local cujo passado fora marcado pelo abandono e pela autonomia. Por esse motivo, ela foi fortemente criticada. Ao mesmo tempo, era bem quista na comunidade, por sua preferência à adesão religiosa entre as freiras mais pobres e sua ajuda às internas.

Irmã Maria se dedicou à religião até o fim da vida, que ocorreu após uma debilidade física precoce. Ela morreu no convento em 8 de junho de 1899, ao lado de freiras em prece. Sua primeira exumação, em 1944, comandada pelo médico Carlos Lima e acompanhada pelo bispo Dom Agostinho de Jesus e Sousa, revelou que seu corpo manteve-se incorrupto por 45 anos, de maneira surpreendente.

Segundo cientistas, esse tipo de fenômeno ocorre quando o ambiente de sepultamento do corpo humano possui condições particulares de preservação, como baixa humidade e oxigenação. Os casos não são considerados anormais, mas foram abordados como milagre da freira que se tornou santa em 1975.

Corpo de Maria no mausoléu público / Crédito: Wikimedia Commons

 

Nesse ano, uma nova exumação foi realizada, revelando que seu corpo permanecia parcialmente preservado, mas que sofrera processos de decomposição. Ela foi finalmente transladada para o Porto, no Cemitério de Paranhos, onde passou a ficar num mausoléu público no interior do convento, visivelmente exposta e venerada.

Maria do Divino Coração é até hoje alvo de venerações e convocações religiosas, além de ter sido declarada pelo Papa Pio XII como uma mulher das mais diversas virtudes, no caso de sua primeira exumação. Participante direta do círculo de influência de Leão XIII, foi ela que levou o papa a consagrar o mundo ao Sagrado Coração de Jesus, solenidade litúrgica considerada o ato mais importante de seu governo pelo próprio pontífice.


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