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Gigantes de 12 metros há 110 milhões de anos: conheça o crocodiliano Sarcosuchus imperator

Um estudo da década de 70 indica que restos do enorme predador que viveu durante o Cretáceo foram encontrados também na Bahia

Isabela Barreiros Publicado em 12/11/2020, às 07h00

S. imperator no Museu Nacional de História Natural, França
S. imperator no Museu Nacional de História Natural, França - Wikimedia Commons

No passado, muitos animais que conhecemos hoje eram ainda maiores. Se você pensa que crocodilos são muito grandes nos dias atuais, se chocará ao descobrir que, na verdade, eles eram extremamente maiores há milhões de anos. 

E como podemos saber disso? Por meio da paleontologia, que continua investigando fósseis de seres de outras eras geológicas ao longo dos séculos. De fato, pesquisadores conseguem determinar fatos impressionante por meio de análises realizadas em ossos preservados de um tempo remoto.

Uma das descobertas mais notáveis feitas por cientistas foi a de restos do animal que é considerado, atualmente, como o maior crocodiliano conhecido da história. O Sarcosuchus imperator viveu no começo do Cretáceo, na Era Mesozóica, há por volta de 110 milhões de anos, e era um antigo parente dos crocodilos e jacarés, mas não pertencia exatamente à ordem Crocodylia, como eles.

Crédito: Wikimedia Commons

 

Ele, portanto, não pode ser considerado um parente direto dos animais que observamos nos dias de hoje, não sendo exatamente um ‘crocodilo’, mas ainda tinha uma aparência possivelmente muito similar com os animais da atualidade, o que ajuda nos comparativos feitos por pesquisadores.

Não foram encontradas evidências suficientes desse réptil para que sua aparência pudesse ser totalmente retratada, no entanto, o seu crânio já revelou muitos detalhes, indicando que ele era, sim, muito parecido com os jacarés e crocodilos atuais.

O deserto do Saara é o principal local de descoberta dos ossos do réptil, também conhecido como SuperCroc. Naquele período geológico, a região possuía muitos pântanos, o que possibilitava a vida, mas o mais interessante é que, na década de 1970, uma pesquisa realizada no Brasil indicou que o animal também viveu por aqui.

Fósseis descobertos no Recôncavo Baiano foram atribuídos ao gênero Sarcosuchus. Essa análise é outra evidência da teoria de que a África e a América do Sul tiveram a mesma fauna antes de se separarem e darem origem aos continentes de fato. 

Crédito: Wikimedia Commons

 

Sarcosuchus também passava muito tempo embaixo d’água, preferindo rios do que ambientes marítimos. Essa diferença possibilitava a ele a chance de realizar emboscadas com outros animais que iam até o local para se hidratar. 

Uma das características mais marcantes e peculiares do animal era o seu focinho, bem diferente do que estamos acostumados hoje. Essa parte do SuperCroc é constantemente comparada com a do gavial, uma espécie de crocodilo que apresenta um focinho bastante estreito e comprido.

A partir dessa similaridade, especialistas imaginaram que os antigos animais alimentavam-se principalmente peixes, visto que o gavial é, na maioria do tempo, piscívoro. Uma pesquisa indicou, porém, que o bico do réptil não parava de crescer durante toda sua vida, o que pode ter facilitado sua predação.

Um estudo realizado pela Florida State University, nos Estados Unidos, em 2002, também revelou que o animal era dono de uma mordida muito poderosa: ela tinha uma força de oito toneladas. Abrir a boca do réptil seria como tentar levantar uma baleia. Por isso, supõe-se que ele também foi capaz de se alimentar de bichos maiores que ele, possivelmente até mesmo dinossauros.

Outra particularidade notória do SuperCroc, claro, é o seu tamanho. Não é possível dizer exatamente quanto ele media, mas investigações realizadas em fósseis encontrados indicam que ele tinha oito vezes o comprimento de seu crânio, que podia alcançar até 1,8 metros. Assim, é provável que o tamanho tenha variado entre 12 e 15 metros, mas, segundo National Geographic, a média era 12 metros.


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