Matérias » Guerras

Massacre de Khojaly: o genocídio que matou mais de 80 crianças no Azerbaijão

Há 28 anos, a fase mais sangrenta da Guerra de Nagorno-Karabakh acontecia, deixando centenas de civis azeris mortos

Victória Gearini Publicado em 26/02/2020, às 21h50

Enterro após o massacre de Khojaly
Enterro após o massacre de Khojaly - Getty Images

Ocorrido entre os dias 25 e 26 de fevereiro de 1992, durante a Guerra de Nagorno-Karabakh, o Massacre de Khojaly foi responsável pela morte de centenas de civis do povoado de Khojaly, no Azerbaijão. Entre as vítimas fatais estavam mulheres, idosos e crianças

Considerada uma das fases mais sangrentas da Guerra de Nagorno-Karabakh, o genocídio contra civis azeris ocorreu logo após as forças armênias invadirem a cidade de Khojaly. Por motivos estratégicos, os armênios queriam destruir o pacífico povoado, como uma forma de impactar o patrimônio histórico e cultural da região.

Na noite do dia 6 de fevereiro de 1992, os inimigos bombardearam casas do povoado, e cortaram a água e energia elétrica do local. Nas primeiras horas do conflito, dezenas de pessoas perderam suas vidas. Estima-se que cerca de 150 militares foram mortos tentando proteger o povoado.

Crianças após o ataque de Khojaly / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em pouco tempo, Khojaly estava tomada pelo fogo. Com medo e desprotegidos, centenas de civis fugiram para a floresta. No entanto, o grupo rival os encontraram, promovendo um dos maiores massacres da História. Crianças, mulheres e idosos foram brutalmente assassinados por machados e outros objetos letais. 

Submetidos a torturas e humilhações, os mais velhos e bebês tiveram as peles de seus rostos retiradas, já outras dezenas de pessoas foram queimadas vivas. Ao todo, 613 dos 2300 civis azeris foram aniquilados, mais de 500 pessoas ficaram feridas e 1275 foram capturadas.

Civis azeris mortos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Aqueles que conseguiram escapar dos militares, infelizmente, acabaram morrendo de hipotermia. Após o massacre, soldados armênios tomaram o controle da região. Militares Azerbaijão tentaram retirar os corpos dos civis, mas foram impedidos. Mais tarde, mortos e sobreviventes foram transportados em caminhões. 

Crianças azeris vítimas dos massacre de Khojaly / Crédito: Wikimedia Commons

 

Embora o Centro de Imprensa das Forças Armadas da CEI tenha negado sua participação no acontecimento, no dia 11 de março de 1992, o jornal Red Star revelou que o 366º regimento do Exército russo atuou efetivamente no genocídio. Segundo o jornal, Yuri Girenko, agente do 7º departamento de engenharia, confirmou que os soldados do 366º regimento — em sua maioria armênios — participaram do massacre. 

Ainda nos dias de hoje, diversos corpos não foram encontrados e sobreviventes buscaram refúgio em países europeus. Ainda hoje, os sucessores Sargsyan e Ohanyan fazem questão de exaltar as atrocidades cometidas pelos seus antecessores. Já os torturados armênios, vivem livremente na República da Armênia.


+Saiba mais sobre o tema por meio de grandes obras:

Khojaly Witness of a war crime: Armenia in the Dock0 (Edição Inglês), de Tale Heydarov (2014) - https://amzn.to/2wITTdo 

Murder in the Mountains: War Crime in Khojaly and the Nagorno-Karabakh Conflict (Edição Inglês), de Raoul Contreras (2016) - https://amzn.to/2T2BvVG

Khojaly: A Crime Against Humanity (Edição Inglês), de Rabbi Israel Barouk (2016) - https://amzn.to/37Z1yRP

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, assinantes Amazon Prime recebem os produtos com mais rapidez e frete grátis, e a revista Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.