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Há exatos 35 anos, acontecia a catástrofe de Chernobyl

Marcado na História como o maior acidente nuclear, o episódio é carregado por desdobramentos trágicos

Joseane Pereira Publicado em 26/04/2020, às 09h00 - Atualizado às 09h51

Cena da série Chernobyl da HBO (2019)
Cena da série Chernobyl da HBO (2019) - Divulgação/HBO

A saga de Chernobyl voltou á tona em 2019, após o lançamento da minissérie da HBO . Na trama, marcada pelo sombio, a obra reproduz os desdobramentos daquele que seria uma das maiores catástrofes nucleares do mundo.

Na trama, Jared Harris é Valery Legasov, escolhido para identificar a causa do brutal episódio. Stellan Skarsgård interpretará Boris Shcherbina, vice-presidente do Conselho de Ministros e chefe do Departamento de Combustível e Energia da URSS na época. Já a atriz Emily Watson dará vida a Ulana Khomyuk, uma especialista em física nuclear responsável por investigar a tragédia, a fim de evitar que ela se repita.

Mas afinal, qual a verdadeira história do que aconteceu no tétrico abril de 1986?

No dia 26 de abril daquele ano, um dos quatro reatores da Usina Nuclear Chernobyl, que serviam para gerar energia para a Ucrânia, explodiu repentinamente.

O incêndio liberou uma nuvem radioativa que atingiu países tão distantes quanto a Itália e Finlândia, e a cidade de Pripyat, localizada no norte do país e ao lado de um grande rio, foi evacuada.

O Acidente

As causas para esse tremendo acidente são controversas: enquanto uns atribuem falha humana na construção das hastes de controle dos reatores, outros afirmam que uma interrupção acidental no sistema hidráulico de refrigeração levou à explosão.

O fato é que um dos quatro aparelhos entrou num processo de superaquecimento incapaz de ser revertido. Após a explosão, mais de 600 mil trabalhadores soviéticos foram chamados para realizar uma super operação de limpeza.

Ao mesmo tempo, helicópteros repletos de areia e chumbo foram levados ao local, para conter o fogo e principalmente a radiação espalhada pelos ventos.

Resquícios da explosão / Créditos: Wikimedia Commons

 

Consequências

O total de mortes é muito controverso, e difícil de ser quantificado. Alguns dados sobre os trabalhadores que tiveram contato direto com o acidente são oficiais: 31 bombeiros e funcionários da usina, que trabalhavam na contenção do fogo, morreram de exposição aguda à radiação.

Além disso, 246 trabalhadores faleceram entre 1991 e 1998 de doenças circulatórias e leucemia. Quanto ao resto da população afetada, aí começa a controvérsia: relatórios das Nações Unidas estimam que 4 mil pessoas morreram devido à exposição, enquanto ONGs como o Greenpeace falam em 200 mil pessoas.

Roda gigante em Pripyat abandonada após acidente / Créditos: Reprodução
Roda gigante em Pripyat abandonada após acidente / Créditos: Wikimedia Commons

A usina continuou em operação com seus outros 3 reatores até o ano 2000, quando o local foi abandonado e seu entorno virou uma cidade fantasma que está sob efeito radioativo até hoje.

O reator de número 4 encontra-se em um "sarcófago" de concreto e aço para evitar a difusão de radiação, e ainda hoje há gente morando na zona de exclusão.

São funcionários responsáveis por monitorar a situação e garantir estabilidade na usina, e sua estadia por lá é sempre provisória devido aos perigos no contato com o material.

As Crianças de Chernobyl

A área mais gravemente atingida passa por três países: Ucrânia, Rússia e Bielo-Rússia. Mesmo com os reatores fechados e isolados, quem sobreviveu ainda enfrenta vários problemas de saúde, pois a terra e água da região foram contaminadas por elementos radioativos e frutas, legumes, carne e pão nunca são totalmente sadios.

Esse drama não atinge somente os sobreviventes: crianças nascidas depois de 1986 têm de lidar com doenças graves e suas consequências. No norte da Ucrânia, a incidência de câncer na tireoide é quase 100 vezes maior que o normal. E dois em cada três adolescentes têm problemas no coração.

Para quem foi atingido, uma medida simples faz toda a diferença: estudos ucranianos e franceses demonstraram que a permanência de três meses em regiões não-radioativas é capaz de diminuir em 30% o césio presente no corpo.


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