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Matérias / Elizabeth I

Maquiagem mortal: As substâncias nocivas presentes nos cosméticos de Elizabeth I

Vida da ‘rainha virgem’, antes de se tornar uma das maiores monarcas da história inglesa, é retratada em 'Becoming Elizabeth'

Fabio Previdelli | @fabioprevidelli_ Publicado em 12/06/2022, às 00h00 - Atualizado às 10h18

Cena de Becoming Elizabeth e pintura da rainha - Divulgação/Starz Play e Domínio Público
Cena de Becoming Elizabeth e pintura da rainha - Divulgação/Starz Play e Domínio Público

Estreou hoje,12, no StarzPlay, a série ‘Becoming Elizabeth’, que mostra a vida da rainha Elizabeth I (estrelada por Alicia von Rittberg) durante sua juventude — antes de se tornar uma das monarcas mais importantes da história do Reino Unido.

Apelidado de “rainha virgem”, pelo fato de nunca ter se casado, a filha de Henrique VIII e Ana Bolena — que acabou sendo executada a mando do monarca —, só chegou ao poder, em 1558, após seus dois meio-irmãos, Maria e Eduardo, morrerem sem deixar herdeiros. 

Última da dinastia Tudor a ocupar o trono britânico, ela faleceu em 24 de março de 1603, aos 69 anos. Seu reinado foi marcado por uma relativa tolerância em questões religiosas, ao evitar perseguições sistemáticas, adotando o lema de ‘video et taceo’ ("Vejo e digo nada").

Além de superar conspirações que ameaçaram sua vida, a monarca conseguiu proteger a Inglaterra de conquistadores espanhóis. O Período Isabelino também contribuiu para o florescimento do drama inglês, liderado por William Shakespeare e Christopher Marlowe; e das expedições marítimas de Sir Francis Drake.

Apesar disso tudo, um dos fatos que sempre chamou a atenção na monarca foi outro, este relacionado a sua aparência: sua maquiagem totalmente branca. Engana-se, porém, quem pensa que a pele branca como a neve de Elizabeth I — algo que a elite inglesa idolatrava na época — era apenas arbitrário ou sinônimo de vaidade. 

Por trás da maquiagem

Conforme aponta matéria do The Mirror, essa história começa em 10 de outubro de 1562. Na ocasião, a rainha da Inglaterra foi acometida por uma febre alta, que mais tarde descobriu-se ser um caso grave de varíola. 

Por sorte, Sua Majestade real acabou sobrevivendo a enfermidade, algo não muito comum para a época. Porém, a resistência de Elizabeth I teve um preço: cicatrizes permanentes se espalharam por seu rosto. 

Retrato de 1588 de Elizabeth I para comemorar a derrota da Invencível Armada / Crédito: Domínio Público via Wikimedia Commons

Essas marcas não apenas alteravam sua aparência física como também a deixava vulnerável à críticas e julgamentos constantes. Um exemplo disso foi um discurso proferido por ela no Parlamento britânico em 1586: 

Nós, príncipes, digo-vos, estamos colocados em palcos à vista e visão de todo o mundo devidamente observado; os olhos de muitos contemplam nossas ações, logo se vê uma mancha em nossas vestes; uma mancha também é notada rapidamente em nossos atos.”

"Elizabeth estava ciente da importância de manter uma aparência jovem. A propaganda antiprotestante a retratava como uma rainha envelhecida, seu corpo corrompido e impróprio para manter o trono. Elizabeth cultivou sua imagem usando uma combinação de 'fumaça e espelhos', e 'tinta', termo usado para o que hoje chamamos de cosméticos”, explicou Sue Prichard, curadora de arte sênior do Royal Museums Greenwich, conforme repercutido pelo veículo

A toxicidade da beleza

Para cobrir suas imperfeições e disfarçar suas cicatrizes, Elizabeth I recorreu ao uso do ceruse veneziano, um cosmético composto à base de chumbo branco e vinagre. Algo que ela costumeiramente aplicava no rosto e no pescoço.

Porém, mal sabia que o chumbo é uma substância que pode levar à perda de cabelo, deterioração da pele e até morte por envenenamento, devido a seu uso prolongado. A maquiagem, que serviria para esconder as imperfeições da monarca, foi responsável por elas ficarem ainda piores. 

"Todas as damas da corte cultivavam um semblante pálido, era um suspiro de nobreza e não trabalhavam ao sol para ganhar a vida. Vários compostos foram usados ​​para embelezar o rosto, incluindo uma pasta branca feita de chumbo branco e vinagre. As bochechas e os lábios foram coloridos com outra pasta feita de ceruse, uma mistura sólida de carbonato de chumbo e hidróxido de chumbo e coloridos com cochonilha”, aponta a curadora.

Com isso, iniciou-se um ciclo vicioso, descreve o The Mirror. À medida que sua pele se deteriorava mais e mais, Sua Majestade real usava cada vez mais cosméticos para tentar disfarçar suas imperfeições. O periódico britânico aponta que, ao fim de sua vida, a monarca cobria o rosto com cerca de uma polegada (2,5 cm) de maquiagem. 

O que piorava ainda mais o cenário é que a rainha inglesa costumava a aplicar a maquiagem em seu rosto uma vez por semana, mas nunca removia os resíduos — o que permitia que o chumbo penetrasse completamente sua pele.

Elizabeth I em 1620, durante o primeiro reavivamento de interesse em seu reinado / Crédito: Domínio Público via Wikimedia Commons

Posteriormente, Elizabeth I passou a adotar outro método, tão nocivo quanto, para disfarçar suas imperfeições: uma mistura de cascas de ovos, alume e mercúrio. Gradualmente, os efeitos colaterais da mistura cosmética implicam na perda de memória, irritabilidade e depressão, sintomas que a rainha de fato experimentou no final de sua vida. 

O mercúrio também se fazia presente em seu marcante batom vermelho. Por tudo isso, o historiador de arte Sir Roy Strong cunhou o termo "A Máscara da Juventude", na década de 1970, descrevendo-o a aparência da rainha Elizabeth I em retratos nos últimos anos de seu reinado.

A morte da rainha virgem

O fim do sofrimento de Elizabeth I aconteceu em 1603, quando ela padeceu, provavelmente, de infecção respiratória. Porém, de acordo com o veículo britânico, especula-se também que ela poderia ter sido vítima do câncer ou até mesmo da pneumonia. 

Outro fato a ser revelado é que a monarca passou por um estado de "profunda melancolia" no final de sua vida, quando ela experimentou a morte de muitos amigos próximos.

Por fim, não seria nenhum exagero apontar que as doses cada vez mais liberais de chumbo e mercúrio também podem ter contribuído para suas doenças complexas, desempenhando um papel em sua saúde em declínio e morte subsequente.

O Retrato da Armada é uma evidência do desejo de Elizabeth de manter sua 'máscara da juventude' e, como sinal de sua lealdade contínua, suas damas da corte imitaram sua rainha. A decisão de fazê-lo teve consequências devastadoras para sua saúde, mas ao final eles consideraram que 'valeu a pena'”, encerra Sue Prichard.

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