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Mortes, comas e separações: A suposta maldição do Bebê de Rosemary

O filme foi um enorme sucesso na crítica e de bilheterias, sendo cultuado até hoje — o que não impediu acontecimentos macabros de acontecer nos bastidores da produção

Caio Tortamano Publicado em 24/05/2020, às 07h00

Pôster do filme O Bebê de Rosemary
Pôster do filme O Bebê de Rosemary - Wikimedia Commons

O Bebê de Rosemary é um filme de tremendo sucesso, que foi muito bem nas bilheterias quando foi lançado em 1969 pelo diretor Roman Polanski. O filme de terror conta a história de um casal à espera de um bebê que se depara com situações verdadeiramente diabólicas. Como se não bastasse o enredo macabro, a produção do longa foi marcada por polêmicas e uma suposta maldição.

O filme foi baseado em um livro escrito por Ira Levin, que encontrou na sua própria mulher grávida uma inspiração para essa obra. A história era controversa, a criança seria o próprio diabo, então Levin tinha um certo receio da represália que iria receber com a trama. 

Porém, para sua surpresa, o livro foi imediatamente bem recebido, considerado perfeito como obra de horror, e ótimas resenhas nos mais diferentes jornais. 

O filme

Polanski ainda estava atrás do grande sucesso de sua carreira, e o Bebê de Rosemary parecia ser a obra perfeita para isso. O filme também foi muito bem recebido pela crítica, com o novato diretor sendo comparado ao lendário Alfred Hitchcock. Mas o mar de rosas estava por acabar.

O diretor Roman Polanski / Crédito: Divulgação

 

A maldição

A primeira vítima que a obra fez foi o compositor da trilha do filme, Krzysztof Komeda. O homem, de então 37 anos, estava em uma festa quando se viu no meio de uma briga. No meio da confusão, acabou caindo de uma sacada em cima de uma rocha, batendo a cabeça e ficando quatro meses em coma. O homem nunca chegou a se recuperar, e morreu depois disso.

Além do músico, o produtor William Castle foi outra pessoa que não saiu ilesa da suposta maldição. Castle recebia constantemente cartas de repúdio em sua correspondência, como sendo o culpado por divulgar a “palavra de Satã”. Provavelmente era apenas um religioso fervendo de raiva do sucesso do filme, mas isso afetou o homem de qualquer maneira.

De repente, William se viu acometido por uma grave crise de pedras no rim. No hospital, a dor lancinante fazia com que o homem delirasse, e enfermeiras dizem que ele gritava “Rosemary, pelo amor de Deus, largue essa faca!”, além de alucinar com cenas do filme que era produtor. Ele se recuperou, mas nunca mais participou de nenhum sucesso.

Tate

A parte mais famosa de toda essa sequência de desgraças atingiu diretamente o diretor Polanski. O europeu namorava a belíssima e talentosa atriz Sharon Tate, e os dois moravam juntos em Los Angeles, na Califórnia. Em uma viagem, no ano de 1969, Roman foi para a Europa e deixou Sharon grávida nos Estados Unidos.

A atriz Sharon Tate / Crédito: Divulgação

 

Certa noite, porém, um grupo de jovens que seguiam ao psicopata Charles Manson assassinaram brutalmente a mulher e seu bebê com inúmeras facadas. Isso tudo enquanto o filme estava nas telonas pelo país e o mundo.

Em um primeiro momento, sem nenhuma investigação aprofundada que — corretamente — culparia a Família Manson, as pessoas logo relacionaram a temática diabólica do filme de Polanski com a morte de sua esposa e filho não nascido.

Levin

Mas, ora, seria o filme somente a parte amaldiçoada dessa história, ou o enredo em si traria essas desgraças para a vida de quem cruzasse seu caminho? Ira Levin viveu para mostrar que não só o filme estava trazendo azar para as pessoas.

Nenhum acontecimento em sua vida foi tão desastroso e catastrófico quanto a dos citados acima, mas depois do lançamento do filme seu casamento começou a ruir, culminando em um divórcio. As obras do escritor foram colocadas na “lista negra” da Igreja Católica Americana, que desaconselhava seus fiéis a verem o filme.

Nos anos seguintes ao filme e a todas essas desgraças, Levin se mostrou um pouco desconfortável em relação a sua obra embora acreditasse que era realmente muito boa. Ele confessou um pouco de culpa em dar espaço e voz para o crescimento de seitas ocultistas e diabólicas — das quais ele não acreditava e considerava irracionais, mas ainda assim, perturbadoras.


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