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O homem que descobriu um riacho com cheiro de cerveja

A origem do odor incomum era mais alarmante do que pode parecer a princípio

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 27/11/2021, às 10h00 - Atualizado em 29/11/2021, às 17h00

Fotografia do córrego citado
Fotografia do córrego citado - Divulgação/ EnviroWatch/ Carrol Cox

Para os moradores da região de Waipio, localizada no estado norte-americano do Havaí, o cheiro forte de bebida alcoólica que emana do riacho que cruza o local já é notícia antiga. O corpo d'água alterna entre o odor de cerveja e o de ponche de frutas, um tão desagradável quanto o outro. 

Neste ano de 2021, porém, alguém fez algo a respeito da situação. Tratava-se de um homem que vivia ali nas proximidades e estava fazendo uma caminhada pela área verde do local, assim deparando-se com o regato fedorento. Cinco anos antes, ele tentara chamar a atenção de grupos ambientais para o problema do fedor do rio, mas não tivera sucesso. 

Dessa vez, ele teve a ideia de entrar em contato com Carrol Cox, que é um ativista defensor do meio ambiente e também o chefe da EnviroWatch, organização sem fins lucrativos dedicada ao combate da destruição de habitats naturais. Felizmente, desta vez houve retorno. 

Outro dia em que viemos aqui, você pensaria que era um bar de cerveja que não abria suas portas há três ou quatro dias", relatou o estadunidense, segundo informações do site All That Is Interesting. 

Àquele ponto, não se sabia ainda o motivo pelo qual o riacho soltava um cheiro tão inusual, porém certamente não era indicador de um corpo d'água saudável.

Dito isto, não demorou para que Cox entendesse o que estava acontecendo: isso pois, a alguns quilômetros de distância dali, ficava um depósito de uma da maiores distribuidoras de cerveja do Havaí. A partir de então, foi fácil ligar os pontos. 

Origem da poluição 

De acordo com as informações de uma matéria publicada nesta semana no All That Is Interesting, o ativista descobriu que a origem do problema era um tubo de drenagem de água da chuva que passava por baixo de uma rodovia próxima ao riacho.

Do canal, que foi descrito como "completamente disfuncional" por Carrol, vazava um líquido que acabava alcançando a corrente de água. 

Tubo de drenagem citado / Crédito: Divulgação/ EnviroWatch/ Carrol Cox

 

Uma investigação realizada por especialistas da EnviroWatch revelou que o córrego possuía uma porcentagem alcoólica de 1,2% por volume, que é o equivalente a uma cerveja com pouco álcool. E isso não é tudo — a água ainda contava 0,04% de açúcar. 

Os dados são preocupantes, em particular quando se coloca em perspectiva o impacto que essa contaminação pode ter no ecossistema da região. E isso leva em conta não apenas a fauna e a flora do regato em si, mas também do porto de Pearl Harbor, que é onde ele deságua. 

Ainda de acordo com Cox, o estado norte-americano do Havaí possui vegetações e sistemas em risco de extinção, é o caso dos ambientes pantanosos. A poluição de corpos d'água de água doce, tragicamente, é um dos grandes fatores que influenciam essa situação de degradação. 

Foto mais próxima do tubo de drenagem / Crédito: Divulgação/ EnviroWatch/ Carrol Cox

 

Com suas alarmantes descobertas em mãos, a EnviroWatch procurou o governo havaiano, o que fez com que as autoridades entrassem em contato com a distribuidora de bebidas alcoólicas para procurar finalmente resolver o problema do riacho de Waipio.