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O homem que nunca se arrependeu: Paul Tibbets, o piloto que bombardeou Hiroshima

O americano atuou durante a Segunda Guerra, comandando em 6 de agosto de 1945 uma aeronave em direção a Hiroshima, no Japão

Vanessa Centamori Publicado em 13/07/2020, às 13h30

Wikimedia Commons/Montagem
Wikimedia Commons/Montagem - Paul Tibbets dentro da aeronave B-29 Enola Gay/ Explosão da bomba atômica de Hiroshima

Paul Warfield Tibbets tinha 12 anos quando entrou em um avião pela primeira vez. Era um biplano, aeronave que realizou um espetáculo generoso, um sonho para qualquer criança. O menino viu o veículo aéreo derrubar balas açucaradas sob uma alegre multidão em Hialeah, perto de Miami, na Flórida. 

Anos depois, ele se tornaria um piloto de sucesso. No entanto, seus voos como adulto não foram marcados pela generosidade. A história de Tibbets acabaria sombria e com a morte de 140 mil pessoas, em apenas uma operação, uma das mais terríveis da história. 

Segunda Guerra

Paul Tibbets atuou em missões de bombardeio na Europa ocupada pelos nazistas. Em 1943, o norte-americano voltou para os EUA, encarregado de testar os novos aviões Boeing B-29, conhecidos como Superfortress. 

Paul Tibbets /Crédito: Wikimedia Commons 

 

Em setembro do ano seguinte, ele foi um dos poucos selecionados para o Projeto Manhattan, encaminhado de criar secretamente armas nucleares para os Estados Unidos. Mais precisamente, Tibbets ajudou a supervisionar as operações para que um Boeing B-29 pudesse transportar e soltar bombas. 

Até que em 5 de agosto de 1945 algo muito importante ocorreu. Harry Truman, que era então presidente dos EUA, aprovou o uso da bomba Little Boy, que teria como fim a cidade de Hiroshima, no Japão. A tripulação de Tibbets ficou a cargo de executar essa missão, que teria objetivo, segundo os americanos, de fazer o país asiático se render durante a Segunda Guerra

A explosão mortal 

O acontecimento catastrófico ocorreria em 6 de agosto de 1945. Um dia antes, o piloto fez uma homenagem à sua mãe, Enola Gay Tibbets, batizando a aeronave que seria usada por ele sob o nome de B-29 Enola Gay.

Paul Tibbets na frente da aeronave Enola Gay /Crédito: Divulgação/Motts Military Museum

 

O norte-americano, junto de mais nove tripulantes, entraram na aeronave Enola Gay e partiram com a bomba em direção à Hiroshima. Às 08h15 do dia 7 de agosto, eles lançaram a arma de destruição atômica. Little Boy fez uma verdadeira carnificina, matando muitos civis japoneses inocentes. 

"Houve uma explosão terrível, muito forte, inimaginável, perto do centro da cidade. A tripulação do Enola Gay viu uma coluna de fogo que subia rapidamente e chamas intensas que brotavam", descreve o site oficial de Paul Tibbets. 

Como resultado, 65% dos prédios da cidade de Hiroshima foram destruídos, matando só naquela hora 70 mil pessoas. Quatro meses seguintes ao desastre, os ferimentos cruéis causados nos japoneses e a radiação elevaram o número de óbitos rapidamente: estima-se que a missão comandada por Tibbets tenha matado 119 mil com aquela bomba. 

Muitas pessoas foram vaporizadas de modo instantâneo com o calor da destruição. Outras, mais distantes do núcleo da explosão, tiveram um destino mais sofrido, sendo mutiladas pelas chamas ou derretendo lentamente até a morte. Tudo — prédios, casas, hospitais, escolas foi carbonizado, restando nada além de calamidade. 

Relato e óbito

Ao contrário de muitos japoneses, Paul Tibbets pôde viver longos anos até a velhice, morrendo com 92 anos de idade, em 1 de novembro de 2007. O óbito ocorreu dentro de sua casa, em Columbus, Ohio. 

Em uma de suas últimas entrevistas, o piloto contou ao jornal britânico The Guardian que não se arrependia de ter lançado a bomba atômica sob Hiroshima. "Não tenho dúvidas de que o faria novamente", contou Tibbets. "Teria feito desaparecer todos esses japoneses de novo. A gente sabe que vai matar inocentes, mas, ao mesmo tempo, isso é feito para evitar uma guerra mundial", disse. 

A aeronave Enola Gay / Crédito:Divulgação/Motts Military Museum

 

Ainda segundo o soldado, se a operação fracassasse ele seria preso. No caso de sucesso, o piloto seria considerado um herói pelos americanos daquela época. E deu tudo certo na empreitada, ainda que o homem desconhecesse a destruição que a bomba causaria.

Outra explosão, segundo Tibblets, também estava programada para destruir uma região da Europa, mas isso nunca ocorreu. A bomba de Hiroshima, ainda assim, aniquilou muitos seres humanos naquele capítulo, que ficou marcado como sendo um dos mais horrendos da história.

Apesar do desdobramento cruel, tudo se deu de modo bem casual entre os pilotos da fatal missão. "Um dos companheiros que estavam comigo no avião me perguntou se eu sabia o que estava fazendo. Falei para todos que íamos atirar uma bomba atômica. Eles escutaram, mas não houve expressão em seus rostos", relatou Tibbets.


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