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O excêntrico roubo do cadáver de Mussolini — e o esconderijo improvável

Em 1946, o cadáver do tirano, que estava enterrado no cemitério de Musocco, foi roubado durante um episódio insólito

Nicoli Raveli Publicado em 28/04/2020, às 10h18

Benito Mussolini, líder fascista e Domenico Leccisi, homem que roubou o corpo do político
Benito Mussolini, líder fascista e Domenico Leccisi, homem que roubou o corpo do político - Divulgação

Em 1919, Mussolini se tornou líder do Partido Fascista logo após o término da Primeira Guerra Mundial. Três anos depois, realizou a Marcha sobre Roma, fazendo com que o rei Victor Emanuel II cedesse. Dessa maneira, o fascista tornou-se primeiro-ministro da Itália.

Nos primeiros anos, Mussolini fez transparecer uma monarquia parlamentarista, mas obtinha grandes poderes. Em 1924, por meio de uma eleição fraudulenta, os fascistas tiveram o maior número de votos no parlamento, o que resultou no título de duce, ou seja, líder da Itália.

Benito Mussolini, líder fascista / Crédito: Getty Images

 

O declínio de Mussolini

14 anos após instalar a ditadura fascista italiana, o mundo encontrava-se no contexto da Segunda Guerra Mundial. Diante da aliança com Adolf Hitler, líder da Alemanha nazista, Mussolini incorporou parte da Iugoslávia.

Todavia, o homem não teve sucesso em todas suas batalhas e foi derrotado na Grécia, em 1940 e na Áfria, em 1941. Logo, sua liderança foi contestada pelo Grande Conselho Fascista nos anos seguintes.

Uma vez destituído, o tirano foi preso e, posteriormente, libertado pelos alemães. Com poucas esperanças, o homem tentou manter seu governo no norte da Itália, mas quase ninguém o respeitava.

Mussolini visto em seu trem blindado pelo colega alemão Adolf Hitler, 1937 / Crédito: Getty Images

 

Dessa maneira, ele tentou fugir para a Suíça, mas caiu na armadilha de guerrilheiros italianos e foi preso novamente. Benito e sua amante, Claretta Petacci, foram julgados e fuzilados na Itália em 1945. Posteriormente, seus corpos foram transferidos para Milão, onde foram expostos na Praça Loreto num posto de gasolina.

O roubo do corpo do líder fascista

Apenas um ano após a morte do duce, o jornalista de direita, Domenico Leccisi, e mais dois colegas decidiram desenterrar seu corpo no cemitério de Musocco. Não obstante, o roubo causou espanto e ficou mundialmente conhecido.

Corpos de Mussolini e Clara pendurados em uma viga de metal / Crédito: Wikimedia Commons

 

A fim de causar mais rumores, o homem deixou um bilhete: “Finalmente, Duce, você está conosco. Vamos cobri-lo de rosas, mas o cheiro da sua virtude vai dominar essas rosas”, escreveu em um papel. Era o começo de um mistério que não duraria muito tempo.

Quatro meses após o desaparecimento, as autoridades italianas descobriram que o cadáver de Mussolini estava em um mosteiro datado do século 15, localizado em Pavia, no sul de Milão. Segundo os responsáveis pelo caso, dois monges foram acusados de  esconder o corpo. Leccisi imaginou que seria um local improvável de despertar desconfianças. No entanto, foi em vão. 

Devido ao desaparecimento, e com medo de um possível culto à personalidade, foi decidido que o corpo do líder fascista ficaria escondido pelos anos seguintes. Foi somente em 1957 que o ditador pôde ser enterrado em Predappio, seu local de nascimento.

A vida de Domenico Leccisi

No mesmo ano do crime, Leccisi foi condenado a seis anos de prisão, mas não permaneceu muito tempo na cadeia devido à anistia por crimes cometidos durante a era fascista. Mais tarde, o homem fez parte do parlamento italiano neofascista e foi vereador de Milão. Posteriormente, o criminoso deu vida ao livro Com Mussolini Antes e Depois de Piazzale Loreto.

Jornalista de direita Domenico Leccisi / Crédito: Divulgação 

 

Em 2008, seus familiares informaram que o jornalista de direita havia morrido anos 88 anos. Ele morava em um asilo em Milão e enfrentava graves problemas cardíacos e respiratórios.

“Leccisi era fascista da época e morreu fascista. Ele nunca mudou suas ideias. Toda a sua carreira foi vivida em nome de Il Duce (o líder)”, afirmou sua nora Maria del Canto Mérida.


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