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Escondido em um mosteiro: o insano roubo do cadáver de Mussolini

Um ano após a morte do ditador, seu corpo foi removido do cemitério onde fora sepultado, em um caso inusitado e misterioso

Nicoli Raveli/Atualizado por Pamela Malva Publicado em 28/04/2021, às 08h00

Retrato do líder fascista Benito Mussolini
Retrato do líder fascista Benito Mussolini - Wikimedia Commons

Em julho de 1883, Rosa Maltoni deu à luz seu primeiro filho, o rebelde Benito Mussolini. Filho da professora católica e de um ativista anarquista, o menino cresceu com um nome em homenagem a Benito Juárez, um ex-presidente do México e líder revolucionário.

Benito era o mais velho dos três filhos de Rosa e Alessandro Mussolini e cresceu em uma simples casa italiana, na pequena cidade de Dovia di Predappio. Quando mais velho, conheceu as ideologias defendidas pelo pai socialista e republicano, enquanto trabalhava com ele na ferraria da família. Tal criação, no futuro, faria toda a diferença.

Isso porque aos 36 anos, logo após o término da Primeira Guerra Mundial, Mussolini tornou-se o líder do Partido Fascista, em 1919. Três anos mais tarde, o italiano realizou a Marcha sobre Roma, fazendo com que o rei Victor Emanuel II cedesse à pressão. Dessa maneira, o fascista tornou-se primeiro-ministro da Itália.

Em seus primeiros anos no poder, então, Mussolini fez transparecer um regime parlamentarista, mas detinha grandes poderes. Em 1924, por meio de uma eleição fraudulenta, os fascistas tiveram o maior número de votos no parlamento, o que resultou no título de duce, ou seja, líder da Itália.

Benito Mussolini, líder fascista / Crédito: Getty Images

 

O declínio de Mussolini

Cerca de 14 anos após o líder instalar a ditadura fascista italiana, o mundo encontrava-se no contexto da Segunda Guerra Mundial. Diante de uma nova aliança com Adolf Hitler, o impiedoso regente da Alemanha nazista, Mussolini incorporou parte da Iugoslávia.

O homem, entretanto, não teve sucesso em todas suas batalhas e acabou sendo derrotado na Grécia, em 1940 e na Áfria, em 1941. Dessa forma, nanos seguintes, Mussolini viu sua liderança sendo contestada pelo Grande Conselho Fascista.

Uma vez destituído, o tirano foi preso e, posteriormente, libertado pelos alemães. Com poucas esperanças, o homem tentou manter seu governo no norte da Itália, mas quase ninguém o respeitava da mesma forma que antigamente.

Com isso, Mussolini tentou fugir para a Suíça, mas caiu na armadilha de guerrilheiros italianos e foi preso mais uma vez. Benito e sua então amante, Claretta Petacci, foram julgados e fuzilados na Itália em 1945. Em seguida, seus corpos foram transferidos para Milão, onde foram expostos em um posto de gasolina na chamada Praça Loreto.

Corpos de Mussolini e Clara pendurados em uma viga de metal / Crédito: Wikimedia Commons

 

O roubo do corpo do líder fascista

Apenas um ano após a morte do duce, o jornalista de direita Domenico Leccisi e mais dois colegas de profissão decidiram desenterrar seu corpo do ditador no cemitério de Musocco. Polêmico, o roubo causou espanto e ficou mundialmente conhecido.

A fim de causar mais rumores, o homem deixou um bilhete: “Finalmente, Duce, você está conosco. Vamos cobri-lo de rosas, mas o cheiro da sua virtude vai dominar essas rosas”, escreveu em um papel. Era o começo de um mistério que não duraria muito tempo.

Quatro meses após o desaparecimento, as autoridades italianas descobriram que o cadáver de Mussolini estava em um mosteiro do século 15, em Pavia, no sul de Milão. Segundo os investigadores, dois monges foram acusados de esconder o corpo, depois que Leccisi imaginou que aquele seria um local improvável para o paradeiro do ditador.

Devido ao desaparecimento, e com medo de um possível culto à personalidade, foi decidido que o corpo do líder fascista ficaria escondido pelos anos seguintes. Foi somente em 1957 que o cadáver de Mussolini pôde ser enterrado em Predappio, na província de Forlì, onde o italiano nasceu há tantos anos.

Jornalista de direita Domenico Leccisi / Crédito: Divulgação 

 

A vida de Domenico Leccisi

No mesmo ano em que ocorreu o roubo do cadáver de Benito, Leccisi foi condenado a seis anos de prisão. O jornalista, todavida, não permaneceu muito tempo na cadeia, graças a anistia por crimes cometidos durante a era fascista.

Mais tarde, o homem fez parte do parlamento italiano neofascista e ainda tornou-se vereador de Milão. Na indústria do entretenimento, o comunicador criminoso ainda deu vida ao livro 'Com Mussolini Antes e Depois de Piazzale Loreto'.

Em 2008, após décadas como um personagem bastante emblemático, o jornalista de direita faleceu, aos 88 anos, segundo seus familiares. Na época, ele morava em um asilo em Milão e enfrentava graves problemas cardíacos e respiratórios.

Leccisi era fascista da época e morreu fascista", comentou sua nora Maria del Canto Mérida, na época. "Ele nunca mudou suas ideias. Toda a sua carreira foi vivida em nome de Il Duce (o líder)." Assim como seu ídolo, Domenico também encontrou seu fim.


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