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Ocultismo, amor livre e sexo: 5 fatos singulares sobre Aleister Crowley

O fundador da Thelema foi uma figura singular e muito polêmica, deixando sua marca no ocultismo e na religiosidade do Novo Aeon

André Nogueira e M.R. Terci Publicado em 17/06/2020, às 11h55

Aleister Crowley
Aleister Crowley - Wikimedia Commons

Aleister Crowley, nome pelo qual é conhecido Edward Alexander Crowley, foi um famoso ocultista, mago e cerimonialista britânico, cuja obra foi disseminada no Brasil  principalmente pela musicografia de Raul Seixas. Membro da Ordem da Aurora Dourada e fundador da religião contemporânea Thelema e da ordem Astrum Argentum, ele influenciou muito a visão espiritual e esotérica do ocultismo moderno.

Uma figura extremamente polêmica, e inclusive perseguida pela mídia da época, ele também atuou como artista, escritor, enxadrista e dramaturgo. Suas principais obras (O Livro da Lei e Liber T) influenciaram nomes de peso nas artes, como Raul Seixas, Alan Moore, Marlyn Manson, Ozzy Osbourne e David Bowie.

Conheça 5 fatos sobre essa singular figura do mundo esotérico.

1. Amor livre e sexo

Aleister Crowley / Crédito: Wikimedia Commons

 

A denominada magia sexual crowleyana abordava temas como amor livre, masturbação, homossexualidade e relações de poder entre homens e mulheres no sexo.

Seduzidos por esse estilo de vida, famosos e anônimos, ricos e pobres, começaram a viver em sua comunidade que crescia cada vez mais. Mas logo a Abadia e seu mestre viriam a se tornar alvos de muitos rumores.

2. Faz o que tu queres

Aleister Crowley / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1904, a principal obra de Crowley veio à luz. No ano, ele estava no Cairo (Egito), em lua de mel com Rose Kelly quando, num ritual que teriam feito para invocação de elementais do ar, a esposa teria começado a balbuciar falas do deus Hórus, que apresentaram a Rose a uma estela egípcia sobre um sacerdote, encontrada num museu. Essas informações concederam a Crowley um novo ritual fornecido pelo deus-falcão em que ele, em três dias, pôde invocar e escrever o Livro da Lei de Thelema.

Segundo essa obra sagrada, a Thelema é a religião do Novo Aeon (a era que substituirá o cristianismo), baseado na máxima de que “faz o que tu queres, há de ser tudo da lei”, em que a “lei é o amor, amor sob vontade”.

Isso significaria que cada individuo (“uma estrela”) deve ir em busca de sua verdadeira vontade (aquilo que realmente quer e nasceu para fazer) e, com isso, seguir na verdadeira felicidade e potência dessa autocompreensão em forma de ação. Isso exige a renúncia a falsas vontades baseadas numa compreensão mal elaborada e circunstancial para o entendimento de seu ser.

3. Tarot

Exemplos do Tarô de Toth / Crédito: Divulgação

 

Crowley era muito ligado à mitologia egípcia e tinha nela a base de muitos de seus escritos. Isso incluiu uma de suas obras mais disseminadas entre os esoteristas, o Liber T, ou Tarô de Toth (em referência ao deus-íbis do conhecimento e da escrita). Baseado nos arcanos do tarô tradicional, ele modificou vários nomes para seu próprio universo ideológico e pintou as 78 cartas com figuras extremamente simbólicas e repletas de alegorias.

As ilustrações do Tarô de Toth são consideradas um expoente pioneiro na psicodelia, criadas por ele e produzidas pela artista Fieda Harris no início dos anos 1940. Em toda a obra, o componente sexual (central na sua lógica sobre a energia) é constante. Hoje, as cartas são disponíveis a acesso.

4. Austin Osman Spare

Austin Osman Spare / Crédito: Getty Images

 

Uma figura central na biografia de Crowley era o artista e ocultista Austin Spare, o inventor do que os magistas chamam de sigilo (desenho espontâneo que representa forças inconscientes usado em magias). As influências da Thelema e de Spare deram origem ao Caoísmo, uma doutrina esotérica pragmática e desapegada que preza a máxima de que “nada é verdadeiro, tudo é permitido". Porém, o relacionamento entre os dois se desalinhou por conta de Crowley.

O britânico, mais velho, tinha afeições eróticas por Spare, explicitando desejar se relacionar com ele várias vezes. Crowley, inclusive, chegou a escrever poemas para o artista, com conteúdo sexual explícito. Isso criou um distanciamento, até que ambos seguissem caminhos independentes.

5. Suicídio com Fernando Pessoa

Aleister Crowley joga xadrez com Fernando Pessoa / Crédito: Domínio Público

 

Em 1930, Crowley visitou Lisboa, em Portugal, quando se encontrou com o poeta Fernando Pessoa, também ligado ao ocultismo. Pessoa era um entusiasta da obra do thelemita, inclusive se comunicando com ele para avaliar erros que dissera cometer na produção de uma espécie de tabela de conversão de figuras divinas entre as religiões (“Magia na teoria e na prática”). Esse foi o ponto de partida para o encontro.

Nessa visita a Pessoa, ambos jogaram xadrez, o que foi fotografado e se tornou icônico. Ele também trocou livros com o poeta, incluindo uma edição portuguesa de seu livro de magia Hino a Pã. Porém, o mais bizarro desse encontro ocorreu quando Fernando encenou um momento em que Crowley supostamente cometia suicídio na Boca do Inferno, um precipício português. Quando pensaram que estava morto, ele manteve-se desaparecido até “ressuscitar” em Berlim no ano seguinte.


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