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Especialista comenta 'tratamento' para covid-19 indicado pela atriz Gwyneth Paltrow: 'Precisamos levar a Covid a sério'

A série de conselhos 'nada científicos' da famosa foi publicada em blog e teve respostas da comunidade científica

Larissa Lopes, com supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 04/03/2021, às 18h00 - Atualizado às 23h30

Gwyneth Paltrow participa do evento WSJ Tech D. Live, em 2018
Gwyneth Paltrow participa do evento WSJ Tech D. Live, em 2018 - Getty Images

A pandemia do novo coronavírus trouxe inúmeros problemas em todo o mundo e, junto a eles, soluções falsas para tratar a doença vieram para desviar as pessoas do caminho confiável da ciência.

Como já repercutido pelo site Aventuras na História, um dos vários boatos que surgiram foi o uso do alho para prevenir a invenção da Covid-19. A hipótese — que pode ter confundido muitas pessoas — foi prontamente desmentida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em abril de 2020.

Num mundo hiperconectado, figuras públicas também são responsáveis por disseminar informações válidas para ajudar o público. A atriz e empresária Gwyneth Paltrow, contudo, faz parte do time que sugere coisas absurdas.

Vencedora do Oscar de Melhor Atriz por ‘Shakespeare Apaixonado’ (1998), a loira é sócia majoritária de uma startup chamada Goop, focada em produtos de bem-estar feminino e na visão de um estilo de vida moderno.

Em uma publicação no blog da Goop, o site revelou que Gwyneth contraiu a Covid-19 no início da pandemia, e teve algumas sequelas como “névoa no cérebro” e “fadiga de cauda longa”.

Gwyneth em Simpósio Virtual da Breast Cancer Research Foundation (BCRF) / Crédito: Getty Images

 

Para tratar os sintomas que persistem até hoje, a atriz tem soluções nada comuns. Uma delas é ficar até às onze da manhã sem comer, ou seja, pular o café da manhã — a refeição considerada mais importante pelo senso comum.

Outra estratégia utilizada por ela é a ingestão de vários tipos de verduras e também uma dieta cetogênica, que resulta em um cardápio baseado principalmente em proteínas e gorduras 'boas', e nada de carboidratos.

Além disso, o ‘tratamento’ incluiu momentos para beber mocktails, drinks sem álcool, e visitar uma “sauna infravermelha”. O método criado por Gwyneth, que foge à ciência, foi repercutido pelo site Live Science.

Em resposta ao texto do blog, especialistas afirmaram não haver nenhuma evidência científica de que esse tratamento minimize os sintomas prolongados da Covid-19

"Não conheço nenhum fundamento científico para esta abordagem e não conheço dados de estudos clínicos que demonstrem a eficácia dessas intervenções", avaliou o Dr. Michael Saag, especialista em doenças infecciosas da Universidade do Alabama em Birmingham, em entrevista ao Live Science. 

Os conselhos da atriz de Hollywood receberam duras críticas também de Stephen Powis, diretor do National Health Service (NHS) da Inglaterra. 

"Nos últimos dias, vi Gwyneth Paltrow infelizmente sofrer os efeitos da Covid. Desejamos-lhe tudo de bom, mas algumas das soluções que ela está recomendando realmente não são as soluções que recomendaríamos no NHS", afirmou Powis.

A loira em cerimônia do Baby2Baby Gala, em 2019 / Crédito: Getty Images

 

"Precisamos levar a Covid a sério e aplicar ciência séria. Todos os influenciadores que usam as mídias sociais têm a responsabilidade e o dever de cuidar disso", acrescentou o especialista. 

Conselhos certos?

De acordo com matéria do Live Science, não existe tratamento para os sintomas prolongados da Covid-19, possível sequelas deixadas depois da infecção. 

Em relação aos conselhos de Gwyneth, Saag comentou: “Eu não vejo uma grande quantidade de dano em dietas baseadas em vegetais [ou] não comer até as 11h. As pessoas podem experimentá-los, mas eu não contaria necessariamente com os resultados".

Contudo, há uma preocupação quanto a última recomendação da atriz: a ida a saunas de infravermelho. Para o especialista, frequentar esse tipo de local pode gerar desidratação e superaquecimento em uma pessoa.

Os conselhos 'nada científicos' de Gwyneth foram duramente criticados / Crédito: Getty Images

 

Isso porque, ao contrário de saunas tradicionais, as infravermelhas aplicam ondas de luz para aquecer o corpo diretamente. Segundo a comunidade científica, existem poucos benefícios em frequentar essas saunas.


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