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Vinagre como substituto do álcool gel: 5 mitos sobre a Covid-19 já difundidos em redes sociais

Para esclarecer as dúvidas sobre o assunto, conversamos com exclusividade com o médico infectologista Herbert Fernandes, integrante do Comitê Socioeconômico de Enfrentamento da Pandemia, de Barbacena

Penélope Coelho Publicado em 07/02/2021, às 09h00

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Imagem ilustrativa - Imagem de Klaus Hausmann por Pixabay

Desde março de 2020, o mundo passa por um momento conturbado em meio à pandemia do novo coronavírus. O Covid-19, inicialmente identificado em Wuhan causou a contaminação de 104.477.541 pessoas ao redor do globo. Além da triste constatação de 2.270.860 vítimas fatais em decorrência da doença.

O cenário frágil pode se tornar propício para pessoas mal-intencionadas divulgarem informações falsas sobre o vírus. Tais relatos errôneos podem prejudicar o andamento do combate à pandemia, além de aumentar o risco de danos para aqueles que optam por um tratamento inadequado, ou seja, que não é indicado pelos especialistas da área da saúde.

Pensando nisso, separamos 5 situações que foram amplamente divulgadas nas redes sociais, mas, que não possuem nenhum embasamento científico.

A fim de desmentir tais notícias falsas, o site Aventuras na História conversou com exclusividade com médico infectologista do Hospital Ibiapaba CEBAMS, de Barbacena (MG), Herbert Fernandes.

O doutor é mestre pela UFMG, professor da Faculdade de Medicina de Barbacena e atualmente faz parte do Comitê Socioeconômico de Enfrentamento da Pandemia Covid-19 de Barbacena.

Confira 5 mitos sobre o novo coronavírus.

1. Vacina altera o DNA humano?

Não”, afirma o doutor Fernandes. O médico é enfático ao reiterar que “nenhuma vacina altera o DNA humano”. Obviamente, isso também não aconteceria quando falamos sobre o imunizante contra o novo coronavírus. “Na verdade, temos várias vacinas contra a Covid-19 no mercado que induzem imunidade no organismo humano de formas diferentes” continua o infectologista.

Imagem meramente ilustrativa de enfermeira com vacina / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

“Algumas são produzidas através de tecnologias pregressas como vírus inativado e outras são novidades como as vacinas de RNA que induzem a produção da proteína viral para que esta por sua vez induza a resposta imune do organismo”, revela Herbert em entrevista ao site Aventuras na História.

Ou seja, a notícia difundida pelos apoiadores do movimento antivacina vai contra todas as evidências científicas.

2. Máscaras fazem mal à saúde

No atual momento em que as autoridades da saúde pedem para que a população se proteja do vírus e que para evitar a contaminação e proliferação da enfermidade, cada indivíduo faça o uso de máscaras, as Fake News sobre o assunto se tornaram cada vez mais recorrentes.

De acordo com o doutor Fernandes as máscaras não fazem mal “de forma alguma”. O médico pontua que o uso da peça em situação de pandemia é o “pilar fundamental na estratégia de prevenção da infecção”.

O infectologista afirma que até mesmo as máscaras de tecido podem cumprir seu papel: “Estudos já comprovaram que mesmo a máscara de tecido é capaz de diminuir o inoculo viral, uma vez que haja uma situação de risco”, nos conta.

3. Alho previne a infecção contra Covid

O boato de que o consumo de alho poderia ajudar na prevenção de infecção contra o novo coronavírus foi muito mencionado no início da pandemia e ainda é amplamente comentado nas redes sociais.

Em abril de 2020, a Organização Mundial da Saúde afirmou que embora o “alho seja um alimento saudável que possa ter algumas propriedades antimicrobianas não há evidências de que comer alho tenha protegido as pessoas do novo coronavírus”.

De acordo com o doutor Herbert “do ponto de vista científico, não há nenhum estudo que comprove essa afirmação. Nesse caso, a utilização de alho para esse propósito não é recomendada”.

4. Vinagre é mais eficiente que álcool gel

O alho não foi o único alimento que gerou desinformação em meio à pandemia. Sabe-se que o uso de álcool em gel, ou líquido, ambos 70% é recomendado pelos especialistas da área da saúde, isso porque o álcool ajuda no combate ao vírus e é considerado um dos métodos mais efetivos para tal.

Contudo, algumas teorias sobre o vinagre ser mais eficiente que o álcool 70% na eliminação do vírus, gerou algumas dúvidas. O nosso entrevistado revela que a informação é falsa.

Não. O SARS-CoV-2 apresenta em sua estrutura uma cápsula de gordura. A utilização de detergentes, sabões e álcool gel é suficiente para exterminar essa estrutura e consequentemente erradicar o vírus de superfícies”, diz o doutor.

Infográfico mostra a importância da higienização das mãos / Crédito: Divulgação: Hospital Ibiapaba CEBAMS

 

5. Prata coloidal combate o coronavírus

Desde o início da pandemia, desinformações sobre o uso da prata coloidal como elemento que poderia combater o novo coronavírus, vem preocupando as autoridades sanitárias.

De acordo com mensagens enganosas nas redes sociais, a ingestão de prata coloidal substância — formada por nano partículas de prata — teria o efeito de eliminar o vírus do organismo.

O infectologista integrante do Comitê Socioeconômico de Enfrentamento da Pandemia Covid-19 de Barbacena reitera que não há evidências científicas que comprovem a eficiência da prata coloidal no combate à Covid-19.

“Não temos nenhum estudo científico que balize essa utilização. Portanto seu uso para esse fim não deve ser recomendado”, afirma o médico infectologista.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, o uso dessa substância na verdade pode ser perigoso. A organização revela que os efeitos colaterais abrangem: indigestão, possível descoloração da pele e baixa absorção de alguns medicamentos, entre eles até mesmo antibióticos.


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