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Reprodução assexuada: conheça as aves fêmeas que tiveram filhotes sem nenhum macho

Duas condores-da-califórnia se reproduziram através da partenogênese - entenda!

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 28/11/2021, às 11h00

Jovens condores-da-califórnia
Jovens condores-da-califórnia - Wikimedia Commons

Os condores-da-califórnia, ou Gymnogyps californianus, são uma espécie de pássaro nativo da América do Norte, no entanto, atualmente só existem no sul do estado da Califórnia, no Grand Canyon e no norte do México.

Estas aves já sofreram com caças ilegais, envenenamento devido à poluição e tentativas de domesticação, resultando em apenas cerca de 500 espécimes de condores-da-califórnia existirem hoje em dia. Com grande esforço de diversas organizações, a espécie está sendo protegida e lentamente reproduzida.

Devido a estes baixos números, uma descoberta da San Diego Zoo Wildlife Alliance, publicada no fim de outubro na revista Journal of Heredity da American Genetic Association, pode representar um caminho possível para a reprodução dos condores-da-califórnia.

Segundo os pesquisadores, duas fêmeas de Gymnogyps californianus tiveram filhotes sem cruzamento com machos, através de um processo natural chamado partenogênese.

A descoberta foi feita durante uma checagem rotineira da genética das aves, comparando com 467 machos da espécie, como explicou Oliver Ryder, co-autor do estudo, em uma declaração oficial.

“Não estávamos procurando evidências de partenogênese, isso foi para nós um tapa na cara. A confirmação veio apenas por meio de estudos genéticos normais que fazemos para testar a paternidade. Nossos resultados mostraram que ambos os ovos possuíam os cromossomos sexuais masculinos ZZ esperados, mas todos os marcadores foram herdados de suas mães”, relatou.

Esta é a primeira vez que este tipo de reprodução assexuada é identificado dentro da espécie condor-da califórnia, além de ser a primeira vez que isto é observado em pássaros quando um macho da espécie estava disponível para a reprodução.

Os dois filhotes, que nasceram em 2001 e em 2009, apresentavam somente genética das mães condores e, após a comparação com diversos machos, os pesquisadores perceberam que era um caso de partenogênese. Infelizmente, ambos espécimes já faleceram, um em 2003, com dois anos, e um em 2017, com sete anos

Partenogênese, um tipo de reprodução assexuada

Filhote de condor-da-califórnia sendo alimentado - Foto: Wikimedia Commons

 

“Ao contrário de outros exemplos de partenogênese aviária, essas duas ocorrências não são explicadas pela ausência de um macho adequado”, explicou Cynthia Steiner, diretora da divisão de pesquisa de conservação da San Diego Zoo Wildlife Alliance.

Também chamada de ‘parto virgem’, a partenogênese já foi apontada em várias espécies de pássaros, no entanto, geralmente era um processo ativado pela necessidade de reprodução e o fato de não ter espécimes do sexo oposto em volta. 

O caso das duas condores é único devido a estarem em uma região em que vários machos estavam à sua volta. Ambas vivem em cativeiro no zoológico de San Diego e já tiveram mais de trinta filhotes através da reprodução tradicional. 

A partenogênese, esta reprodução assexuada, acontece em diversos animais ao redor do mundo, no entanto, ainda é um fenômeno raro em comparação com os números absolutos.

Neste tipo de reprodução, o corpo do animal encontra uma maneira de fornecer ao óvulo os genes que são, usualmente, preenchidos pelo espermatozóide. 

O processo assexuado pode acontecer de duas formas, uma gerando clones idênticos e uma prole, semelhante, mas, não igual à mãe. A primeira, chamada apomixia, acontece em plantas, na maior parte dos casos, e a segunda, a meiose, é a forma do reino animal de fazer partenogênese.