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Rudolf Höss, o sádico comandante de Auschwitz

Recebendo ordens de Heinrich Himmler, o nazista não hesitou em colocar em prática o plano de Hitler e exterminou milhões de pessoas durante o Holocausto

Rodrigo Trespach, historiador e escritor; autor de Personagens do Terceiro Reich Publicado em 14/02/2021, às 14h30

Foto de Rudolf Höss no campo de concentração
Foto de Rudolf Höss no campo de concentração - Wikimedia Commons

Rudolf Höss (1901-1947) entrou para as Forças Armadas falsificando o ano de seu nascimento. Condecorado por bravura na Frente Turca, aos 17 anos se tornou o mais jovem suboficial do Exército alemão durante a Primeira Guerra.

Com o fim do conflito, integrou o Freikorps Rossbach, o mesmo onde serviu Martin Bormann (1900- 1945), o fiel secretário de Hitler. Em 1922, ingressou no Partido Nazista, mas, no ano seguinte, se envolveu, junto com Bormann, em um assassinato político.

Höss foi condenado a dez anos de prisão, mas cumpriu apenas parte da pena, sendo anistiado em 1928. Nos anos seguintes, envolveu-se com o grupo nacionalista que, entre outras coisas, pregava o amor ao solo alemão. Trabalhando como agricultor em fazendas na Pomerânia e em Brandenburgo, Höss conheceu a futura esposa, com quem se casaria em 1929, tendo com ela cinco filhos, nascidos no período de 1930-1943.

Fotografia de judeus no campo de concentração de Auschwitz / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1934, Heinrich Himmler (1900-1945) o convidou a ingressar na SS e Höss foi enviado para o campo de concentração de Dachau, próximo a Munique, integrando as unidades responsáveis pelos campos de concentração, como superintendente de bloco (Dachau foi o primeiro campo de concentração construído na Alemanha, em 1933, e onde seriam cremados os corpos dos principais líderes nazistas enforcados em Nuremberg.)

Depois de quatro anos de serviço, Höss foi transferido para Sachsenhausen e promovido a capitão da SS. Em maio de 1940, assumiu o campo de Auschwitz, na Polônia ocupada. Com a patente equivalente a tenente-coronel, comandaria o maior campo de extermínio nazista por três anos e meio, até o fim de 1943.

Höss era o típico burocrata nazista: frio e desapaixonado. Nunca compareceu às seleções para as câmaras de gás ou execuções em massa. Introvertido e amante de animais, era um perfeccionista orgulhoso de seu “trabalho”. Sua maior preocupação era a eficiência, os números e o cumprimento de ordens, mais importantes do que qualquer sofrimento humano.

“Pela educação que recebemos”, afirmou depois da guerra, “o pensamento de recusar uma ordem simplesmente não passava pela cabeça de ninguém, independentemente de qual fosse essa ordem.” Höss afirmou que muitas coisas o comoviam, mas não o impediam de cumprir seu compromisso com a Solução Final – o extermínio de judeus.

Richard Baer, Josef Mengele e Rudolf Höss, respectivamente, em 1944 / Crédito: Wikimedia Commons

 

No estágio inicial, Höss explicou, a ordem era usar o trabalho escravo como mão de obra para a indústria de armamentos ou para a economia de guerra. “Trabalhar até o limite extremo de suas forças” era a ordem de Himmler. Auschwitz matinha escravos trabalhando para a IG Farben, e outras empresas alemãs se utilizavam de prisioneiros de outros campos.

Em 1944, a SS mantinha 400 mil trabalhadores escravizados encarcerados em campos de concentração. Somente após a invasão da URSS é que teve início a organização sistemática dos assassinatos em massa. Em 1941, o Zyklon B (ácido cianídrico usado como pesticida) foi testado nas câmaras de gás e aprovado, tendo Höss determinado a construção de um espaço específico para o extermínio.

Ele ficou orgulhoso por ter encontrado um meio de matar de forma “mais racional”. Mais tarde, durante seu julgamento, interrogado sobre os métodos utilizados em Auschwitz, ele não se eximiu de contar detalhes. Afirmou que as vítimas morriam entre três e 15 minutos.

“Sabíamos quando estavam mortos porque paravam de gritar”, disse ele, “e esperávamos cerca de meia hora para abrir as portas e retirar os cadáveres, quando então nossos comandos especiais lhes tiravam os anéis e lhes extraíam os dentes de ouro.” Questionado se ele se compadecia das vítimas, pensando na própria família, Höss afirmou que sim, e que, “a despeito de todas as dúvidas”, tinham um único “argumento decisivo”: a ordem e as razões dadas por Himmler.

Rudolf Höss no dia da sua execução, em meados de 1947 / Crédito: Wikimedia Commons

 

“Só o álcool era capaz de me pôr um pouco mais feliz e satisfeito”, observou. Ao psicólogo estadunidense que o acompanhou, revelou que era “totalmente normal” e “autossuficiente”, tinha uma vida “familiar normal”. Ao deixar o campo de Auschwitz, foi enviado para o escritório central da SS em Berlim como responsável pela fiscalização geral dos campos.

A família permaneceu em Auschwitz, para onde Höss voltaria em meados de 1944. Quase no fim da guerra, foi designado para o campo de Bergen-Belsen, tendo ainda sido o responsável pela evacuação de Sachsenhausen e Ravensbrück. Preso pelos britânicos em 1946, Höss serviu como testemunha em Nuremberg, onde reconheceu ter sido o responsável pelo assassinato de milhões de pessoas.

Chegou a escrever uma autobiografia, não vendo problemas em ser conhecido como “uma besta feroz e um sádico cruel”. Depois foi enviado para julgamento na Polônia, onde foi condenado à morte por enforcamento e executado próximo ao crematório do campo de Auschwitz.

Personagens do Terceiro Reich

Rodrigo Trespach é autor de Personagens do Terceiro Reich ― A história dos principais nomes do nazismo e da Alemanha na Segunda Guerra Mundial.

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Personagens do Terceiro Reich, de Rodrigo Trespach (2020) / Crédito: Divulgação / Editora 106

Em uma nova abordagem, o autor revela detalhes de um dos tempos mais sombrios da História, a partir da biografia de diversas pessoas cujas trajetórias se cruzaram neste período.

Da ascensão do regime nazista até a vitória dos Aliados, Trespach revela os principais nomes que possuíam relação ― direta ou indiretamente ― com o Terceiro Reich. 

Dentre os personagens citados é possível encontrar: Goebbels, a cabeça da propaganda nazista; Himmler, o líder da SS; Mengele, o sádico médico; Keitel, o conselheiro; Bonhoeffer, o teólogo da resistência; e Stauffenberg, o oficial antinazista. 

Trespach explica, ainda, fatos poucos mencionados nos livros de História, como o uso de trabalho escravo por parte de empresas alemãs, durante o regime nazista na Alemanha.


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1824: Como os alemães vieram parar no Brasil, criaram as primeiras colônias, participaram do surgimento da igreja protestante e de um plano para assassinar d. Pedro I, de Rodrigo Trespach (2019) - https://amzn.to/32wHwhC

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