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A saga do Antraz: as cartas assassinas dos EUA

Conheça o assustador caso em que essa arma biológica foi enviada dentro de envelopes

Ingredi Brunato Publicado em 01/10/2020, às 08h00

Fotografia de vidro com antraz.
Fotografia de vidro com antraz. - Domínio Público

Uma semana após o atentado ao World Trade Center no dia 9 de setembro, os Estados Unidos começaram subitamente a sofrer ataques de um outro tipo de terrorismo: o biológico, ou bioterrorismo. Fazendo uso do antraz, uma bactéria altamente tóxica, cartas começaram a ser enviadas a alvos norte-americanos de relevância, dentre eles políticos, emissoras de TV e redações de jornal. 

O método das cartas letais era sempre o mesmo. A correspondência era anônima, e vinha vazia exceto por um pó branco misterioso. Era esse pó que continha o antraz, cuja inalação tinha o potencial de levar o contaminado à morte em questão de dias. 

Cinco pessoas faleceram em decorrência dos episódios de bioterrorismo, que vieram em duas ondas: o primeiro uma semana após o 11 de setembro, e o segundo três semanas depois do primeiro. Todos os envelopes mortais tinham o selo postal de Trenton, uma cidade da Nova Jersey. 

Um agravante da intoxicação por antraz é que são necessárias 48 horas para realizar um diagnóstico que confirme o ocorrido. Já existe também uma vacina contra essa arma biológica, que é dada grupos de risco, como militares. A Organização Mundial de Saúde (OMS) não estabeleceu como necessária a vacinação em massa. 

Fotografia de uma das cartas enviadas a um senador. Crédito: Wikimedia Commons

 

As ondas 

As primeiras cinco cartas identificadas tiveram como alvo as redações da ABC News, CBS News, NBC News e o New York Post, todos veículos jornalísticos da cidade de Nova York, e por último o National Enquirer, na cidade de Boca Ratón, na Flórida. Dentre esses, a primeira vítima foi o fotojornalista Robert Stevens, de 63 anos, por conta de falência dos pulmões e parada cardíaca. 

Já a segunda onda, em 9 de outubro, teve duas cartas direcionadas a senadores do Partido Democrata, Tom Daschle de Dakota do Sul e Patrick Leahy de Vermont, sendo o último também ocupante do cargo de Presidente do Comitê Judicial do Senado. Uma particularidade dessas últimas duas cartas é que elas traziam um pó mais puro que o encontrado nas primeiras, possuindo mais esporos de antraz e sendo, portanto, mais letais. 

Como reação aos casos de terrorismo biológico, o serviço postal dos Estados Unidos divulgou no dia 15 de outubro de 2001 uma lista de condutas e regras para ajudar seus funcionários a interceptarem cartas e pacotes suspeitos mais facilidade. Apesar disso, como o próprio governo americano apontou, detectar envelopes com antraz em meio a 600 milhões de correspondências diárias é uma tarefa quase impossível. 

O culpado 

Embora a conexão com Osama Bin Laden, responsável pelo ataque ao World Trade Center, tenha sido sugerida durante a cobertura que a mídia deu ao caso, e também especulada pelo público em geral, o presidente norte-americano da época, George Bush, informou que não haviam evidências suficientes para chegar nessa conclusão. “Mas não me surpreenderia”, teria acrescentado ele, segundo apurado pela Folha no período. 

Afinal, em 2008, sete anos depois dos ataques, o FBI considerou Bruce Edwards Ivins o culpado por enviar antraz para cidadãos norte-americanos. Ivins era um cientista que trabalhava nos laboratórios de biodefesa do governo estadunidense, e tinha se suicidado naquele ano. Segundo o FBI, havia um “conjunto de fatores” pelos quais eles consideraram o cientista culpado, nem todos tendo sido divulgados ao público geral.


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