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Símbolo do combate à direção embriagada: Conheça a dura história de Jacqui Saburido

A jovem tinha apenas 20 anos quando foi vítima de um acidente de carro que desfigurou seu rosto

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 25/05/2021, às 17h14

Montagem mostrando Jacqui antes e depois do acidente
Montagem mostrando Jacqui antes e depois do acidente - Divulgação / Texas Alcoholic Beverage Commission

No ano de 1999, Jacqueline Saburido teve sua vida mudada para sempre. Aconteceu de forma súbita. Antes do episódio, a venezuelana estava apenas curtindo suas férias nos Estados Unidos, aproveitando para assim aprender inglês antes do seu próximo semestre na universidade de engenharia industrial. 

Então, em uma madrugada, quando a jovem de 20 anos voltava para casa de carro com outras três amigas após uma festa, um veículo surgiu na contramão. O motorista, Reggie Stephey, também voltava de uma festa, porém diferente delas, o adolescente de 18 anos estava bêbado

O veículo pegou fogo após o impacto, e duas das meninas não conseguiram sair com vida do acidente. A estudante venezuelana, que estava no banco do passageiro, e uma das amigas que sentava no banco de trás, foram capazes de escapar. A história da jovem foi relembrada por uma matéria de 2019 da BBC. 

Jacqueline havia sobrevivido, porém não sem que a experiência terrível pelo qual passara marcasse sua pele de forma irreversível: a jovem sofreu queimaduras de terceiro grau por mais de 60% do corpo, perdeu os dedos das mãos e parte considerável de sua visão. Ela precisou ainda passar por mais de 120 cirurgias para tentar remediar os danos. 

Fotografia de Jacqui antes do acidente de carro / Crédito: Divulgação/ Texas Alcoholic Beverage Commission

 

Campanhas de conscientização 

Três anos depois do trágico acidente, a venezuelana gravou um vídeo de conscientização em relação às possíveis consequências devastadoras que podem vir em decorrência da direção embriagada.

A gravação, que acabou ficando famosa, possuía apenas 30 segundos, mas era o suficiente para passar uma mensagem impactante através da história de Saburido e do seu rosto permanentemente desfigurado por conta do erro de outra pessoa. 

Na propaganda, a jovem segurava na frente de si uma fotografia de antes do acidente, deixando apenas suas mãos visíveis enquanto era possível ouvir sua voz dizendo: “Esta é uma foto minha antes de eu ser atingida por um motorista bêbado, antes do carro pegar fogo, antes de duas das minhas amigas morrerem, antes de eu precisar de mais de 40 cirurgias. Esta sou eu enquanto minha vida era como a de qualquer outra pessoa na universidade”. 

Então, Jacqui abaixava a fotografia, revelando sua aparência naquele momento, e completando: “Esta sou eu depois de ser atingida por um motorista bêbado”. 

 

Novo propósito 

Ainda de acordo com a matéria de 2019 da BBC, a venezuelana tornou um de seus maiores propósitos de vida a propagação da conscientização a respeito dos riscos de beber e dirigir. 

"Ainda que eu tenha que aparecer em frente às câmeras sem orelhas, sem nariz, sem sobrancelhas e sem cabelos, eu faria isso mil vezes para ajudar nem que seja uma só pessoa a tomar a decisão certa", relatou Jacqueline em uma entrevista, conforme repercutido pelo veículo. 

E a corajosa sobrevivente de fato apareceu na frente de câmeras diversas vezes, não só prestando dezenas de entrevistas em vários países diferentes, mas também comparecendo ao programa de Oprah Winfrey duas vezes. 

Fotografia de Jacqui com seu pai, que abandonou o trabalho para se dedicar aos cuidados da jovem / Crédito: Divulgação/ Texas Alcoholic Beverage Commission

 

"Depois de sofrer esse acidente terrível, como parte das coisas que iniciou para o seu processo de recuperação, ela disse que queria alertar outras pessoas sobre os riscos do consumo de álcool por motoristas. Ela não queria que o que aconteceu a ela acontecesse com mais ninguém”, contou Terry Pence, que era diretor da Divisão de Segurança do Trânsito no Texas, à BBC. 

Saburido morreu em 2019, após perder a batalha contra um câncer, mesma doença que levou sua mãe anos antes, em 2006. Ela tinha então 40 anos de idade e vivia na Guatemala.