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Tiros, pânico e mortes: O caótico sequestro do voo 73 da Pan Am

No dia 5 de setembro de 1986, quatro homens sequestraram um avião, fizeram centenas de reféns e deixaram mortos e feridos

Giovanna Gomes Publicado em 14/02/2021, às 11h00

Tripulação presente no avião
Tripulação presente no avião - Divulgação/Facebook

No dia 5 de setembro de 1986, um violento episódio ocorrido no aeroporto de Karachi, no Paquistão, provocou a morte de 22 pessoas e deixou em torno de 150 feridos. Um verdadeiro caos.

Eram quase 6 horas da manhã, no horário local, quando um grupo de militantes palestinos invadiu a aeronave onde se encontravam os passageiros, além de 14 comissários de bordo.

O avião, que havia chegado de Mumbai, se preparava para decolar com destino a Nova York, mas os quatro homens entraram disparando para o alto. 

Eles queriam forçar os pilotos a levá-los para o Chipre e Israel, localidades nas quais  outros membros de seu grupo, a Organização Abu Nidal, se encontravam presos. Com isso, as forças de segurança se posicionaram em torno do Boeing 747.

Avião utilizado no sequestro / Crédito: Wikimedia Commons

 

Trinta anos após o sequestro, em 2016, alguns dos tripulantes que vivenciaram os momentos de terror decidiram finalmente comentar o caso em uma entrevista à BBC.

Primeiros momentos

De acordo com os relatos, assim que os sequestradores entraram no avião, a comissária Sherene Pavan, correu para pegar o interfone e acionar a emergência. Foi um ato decisivo diante do pânico que tomava a situação. 

Foi então que Sunshine Vesuwala, também membro da equipe, percebeu que os dispositivos de fuga da cabine haviam sido acionados. “Notei que a escotilha de evacuação no teto da cabine estava aberta, mas fingi que não. Queria dar aos pilotos tempo para fugir”, disse a mulher. Ela ainda relatou que viu quando um dos sequestradores colocou uma arma na cabeça de sua colega Neerja Bhanot.

“Muitos criticaram os pilotos por deixar o resto da tripulação para trás, mas fiquei aliviado quando vi que eles haviam partido, pois estávamos todos mais seguros no solo do que no ar. E em qualquer caso, pelo menos os três pilotos estavam seguros. Três vidas seriam salvas”, disse Dilip Bidichandani, outro comissário.

Acima: Nupoor, Sunshine, Sherene e Dilip, à direita. / Crédito: Divulgação

 

Negociações

Na pista do aeroporto, o diretor da Pan Am, Viraf Doroga, tentou negociar com os criminosos dizendo, por meio de um megafone, que a companhia trabalhava na busca or pilotos que os levariam ao local que desejassem.

Passada uma hora, nenhum piloto chegou ao local, de modo que um dos sequestradores puxou um passageiro, o americano de 29 anos Rajesh Kumar. O jovem recebeu um tiro na cabeça e teve o corpo jogado para fora da aeronave.

“Isso mudou tudo. Mostrou que eles eram assassinos implacáveis”, disse Sunshine.

Cerca de quatro horas após o início do ato, os quatro homens começaram a tentar identificar os americanos presentes, uma vez que a organização da qual faziam parte era contrária às políticas dos EUA e de Israel no Oriente Médio.

Contudo, os comissários encarregados de recolher os passaportes dos passageiros esconderam todos os documentos que eram de americanos embaixo dos bancos ou em suas roupas para salvar as pessoas.

Tempos depois, os sequestradores, já cansados de esperar, anunciaram que a cada 15 minutos um passageiro seria baleado. 

Nupoor e Dilip o tempo todo tentavam acalmar e confortar os passageiros, levando sanduíches, enquanto Neerja distribuía água. 

A tensão aumenta

Quando chegou a noite, o fornecimento de energia do Boeing começou a falhar, até que cessou e as luzes se apagaram. "Eles haviam perdido a paciência. Eles soltaram um grito de guerra", disse Sunshine, "e começaram a atirar na multidão. Havia enormes raios de luz em meio à escuridão. E gritos."

A tripulação hoje: (do canto superior esquerdo para o inferior direito), Sherene, Massey, Madhvi, Sunshine, Dilip, Nupoor / Crédito: Divulgação

 

No meio da confusão, alguém abriu às portas e os tripulantes passaram a ajudar os passageiros a escaparem do avião. Depois, voltaram a procurar sobreviventes feridos em meio à escuridão, de modo de não podiam ver os atiradores.

Foi então que Sunshine avistou Neerja, que havia levado um tiro no quadril. Com a ajuda de Dilip, levou a mulher, que ainda estava consciente, para fora da aeronave.

“Não vi instalações médicas no aeroporto, além de primeiros socorros ... O hospital ficava a vários quilômetros do aeroporto”, declarou Dilip. "Neerja foi colocada na ambulância sem maca." Infelizmente, ela acabou morrendo no hospital, que também não tinha uma estrutura adequada.

No final, os sequestradores tentaram fugir, mas foram pegos pela segurança do aeroporto e, em seguida, enviados para a prisão.


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