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Trauma e saudades: as cartas de Soldados da Segunda Guerra encontradas em um hotel

“Você está sempre em meus pensamentos, noite e dia", dizia uma carta escrita há 80 anos e encontrada no mês de fevereiro

Giovanna Gomes, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 20/05/2021, às 12h39

Um soldado observa o mar
Um soldado observa o mar - Baptiste Heschung por Pixabay

A Segunda Guerra Mundial foi o conflito bélico de maior escala em toda história da humanidade. Durante o período, milhões de pessoas morreram, parte delas em combate, outras em suas próprias casas atingidas por bombas atômicas, além de uma multidão que, cruelmente, acabou sendo enviada para campos de extermínio.

Não há dúvidas, tanto entre os historiadores quanto entre os leigos, de que, nesse cenário de horror e atrocidades, o sofrimento foi companheiro inseparável daqueles que viveram a época. Esse sentimento foi expresso em uma serie de documentos, possibilitando que, mais tarde, fosse revelado a outras pessoas.

Cartas encontradas neste ano, por exemplo, nos mostram o sofrimento de alguns sodados em razão de estarem distantes de suas amadas e pela incerteza de se um dia poderiam encontrá-las novamente.

Carta de amor encontrada este ano / Crédito: Divulgação/Scarborough Archaeological and Historical Society (SAHS)

 

Em uma delas, um combatente se queixa de uma infecção na gengiva e, mais para frente, declara seu amor pela namorada: “Você está sempre em meus pensamentos, noite e dia”. O documento manuscrito de oito décadas atrás foi encontrado sob o assoalho de um hotel localizado à beira de Scarborough, na Inglaterra, conforme informou a revista Galileu.

Sob o assoalho, registros de saudade e solidão

Esta e outras cartas foram encontradas por uma equipe de trabalhadores que reformavam o Hotel Esplanade, no mês de fevereiro deste ano. Também outros objetos como maços de cigarro e embalagens de chocolate da época da Segunda Guerra Mundial foram deixados pelos combatentes que por lá se instalaram.

Segundo a Scarborough Archaeological and Historical Society (SAHS), instituição que analisou os itens históricos, os objetos datam do período entre 1941 e 1944.

Em uma das correspondências um soldado relata seu anseio pela volta para casa: “O tempo não parece passar tão rápido aqui, os dias se arrastam e suponho que voarão quando eu voltar para casa”.

Embalagens de chocolate e maços de cigarro também foram encontrados no local / Crédito: Divulgação/Scarborough Archaeological and Historical Society (SAHS)

 

Solitário e tomado pela saudade ele prossegue: "Oh, querida, estou tão sozinho sem você. [...] Onde quer que você vá, minha querida, nunca se esqueça de que eu te amo mais do que qualquer outra coisa na Terra”.

O horror da guerra sob olhar do soldado

Mas as correspondências mais do que revelarem sentimentos de amor e saudade também contém relatos de medo e traumas, a exemplo de um soldado que preferia lançar “bombas vazias” a “tentar enfiar uma baioneta em alguém”.

A historiadora responsável pelo SAHS, Marie Woods, declarou ao Yorkshire Post,  que essa foi, de longe, “a coisa mais dolorosa” que ela leu entre todos os escritos encontrados no Esplanade e ressaltou que esses registros "ajudam a nos colocarmos no lugar desses combatentes”.

Por mais que a teoria ainda não tenha sido confirmada, existe uma grande possibilidade de que um dos autores desses antigos escritos tenha sido identificado.

Carta de um combatente / Crédito: Divulgação/Scarborough Archaeological and Historical Society (SAHS)

 

Segundo a SAHS, a suspeita é que o britânico John McConell tenha sido um desses soldados. Este forte candidato foi descoberto após os pesquisadores terem compartilhado cópias dos documentos em sua página no Facebook. Um conhecido da família do possível remetente viu a publicação e entrou em contato com a instituição por e-mail.

James e Jessie McConell tinham um filho chamado John, que estava na RAF e que infelizmente morreu em um acidente de avião em 1943, aos 19 anos”, disse Woods ao jornal. “Achamos que as cartas podem ter vindo dele e foram escritas para uma namorada enquanto ele estava no hotel”. 

Em publicação no Facebook, a historiadora declarou estar interessada em descobrir um pouco mais sobre a vida daquelas pessoas. “Seria realmente maravilhoso se, por algum milagre, pudéssemos descobrir mais sobre esses namorados do tempo de guerra e suas vidas após a guerra”, escreveu a profissional.


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