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A verdadeira história por trás da foto de um soldado carregando um burro nas costas

A imagem que viralizou nas redes sociais trazia uma reflexão sobre empatia e uma informação falsa desmentida por historiadores

Alana Sousa Publicado em 03/04/2021, às 12h00

Imagem famosa de um soldado carregando um burro nas costas
Imagem famosa de um soldado carregando um burro nas costas - Divulgação

Em meados de 2020, quando a pandemia do novo coronavírus começou a se agravar em todo o mundo, uma imagem curiosa viralizou nas redes sociais. Fazendo alusão ao momento crítico da Covid-19, em uma cena de guerra, um soldado carrega um burro nas costas, despertando um suposto sentimento de empatia nas pessoas. 

A legenda afirmava que o homem não amava o burro, nem algo parecido, mas estava sendo cuidadoso. “O que está acontecendo é que o campo está minado e se o burro fosse livre para se passear como bem entendesse, provavelmente detonaria uma carga e mataria a todos. A moral da história é que durante tempos difíceis, os primeiros que você tem que manter sob controle são os idiotas que não entendem o perigo e fazem o que querem”. 

Além do questionamento ético, o curto texto trazia a informação de que a imagem seria da Segunda Guerra, algo que os internautas acreditaram e começaram a compartilhar incansavelmente nas redes sociais — principalmente no Facebook. 

O fato não foi questionado a princípio; é de conhecimento público que os animais eram levados para os campos de batalha. Apenas em um episódio do conflito mundial de 1939 a 1945, o Sétimo Exército dos Estados Unidos adquiriu de 3 mil a 4 mil animais de carga, entre eles: burros. 

Imagem de um burro na Segunda Guerra Mundial / Crédito: Wikimedia Commons

 

Então, a cena não seria incomum, servindo na guerra ao lado dos humanos, era possível que os soldados sentissem empatia pelos bichos, dos quais muitos perdiam a vida durante os confrontos. Entretanto, diferente do que muitos pensam, a foto tem uma origem bem diferente, que de nada se relaciona com a Segunda Guerra. 

A verdade por trás da foto 

Segundo uma entrevista feita pelo site USA Today, em julho de 2020, com o historiador Douglas Porch, a fotografia remete a Guerra da Argélia e mostra um homem da Legião Estrangeira Francesa. O estudioso, autor da obra A Legião Estrangeira Francesa (1991), explicou que “o motivo pelo qual o burro está sendo carregado é, na verdade, a compaixão”. 

A foto se tornou famosa em 1958, quando estampou os principais jornais, como Daily Mail e Daily Mirror. A primeira página ainda trazia um relato que descrevia o momento: “Em julho de 1958, a 13ª demi-brigada de Legião Estrangeira (13ª Demi-Brigada da Legião Estrangeira) francesa estava de serviço na Argélia (perto de Jebel) quando encontraram um potro (um burro bebê) que havia sido abandonado e estava morrendo de fome. Os soldados ficaram com pena do animal e decidiram levá-lo de volta para a base”. 

O burro se tornou conhecido entre os que serviam nas Forças Armadas, foi batizado de Bambi e, pouco tempo mais tarde, transformado no mascote oficial da  Legião Estrangeira Francesa, acompanhando os soldados nas bases militares. 

Embora o corajoso homem nunca tenha sido identificado, a 13ª demi-brigada recebeu no fim da guerra uma medalha de bronze, a causa foi nobre: “por sua coragem e humanidade ao resgatar um potro duplo do deserto da Argélia”. 

Burro ao lado de combatentes da Primeira Guerra / Crédito: Wikimedia Commons

 

Desmentindo a farsa da Segunda Guerra 

Ainda que a história tenha sido, de certa forma, esclarecida, tem quem acredite que ela é de fato do período da Segunda Guerra. Victor Davis Hanson, historiador da Universidade de Stanford e especialista no grande conflito do século 20, contou para o USA Today sobre uma provável motivação por trás da confusão. 

O estudioso relembra que os EUA utilizaram milhares de burros entre 1943 e 1945, assim, com tantas fotos publicadas, é fácil confundir qual registro pertence a cada guerra. Um artigo do Fake History Hunter também usou um método simples para desvendar tantos equívocos. 

Conforme dizia a publicação original, o soldado estaria andando por um campo minado, o que para o Fake History Hunter não faz sentido. Uma estratégia de guerra é que os soldados andem em uma fila única na presença de minas explosivas.  

Outro detalhe que quase passou despercebido foram os uniformes. Se compararmos as fotos dos soldados da Segunda Guerra com os da Guerra da Argélia é possível perceber que eles são muito distintos, e não poderiam pertencer ao mesmo batalhão. 


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