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Morte dos primogênitos, abuso e abandono: a vida infernal de Ketevan Geladze, mãe de Stalin

Casada aos 16 anos, a matriarca foi vítima de agressões físicas e psicológicas do ex-marido alcoólatra

Victória Gearini Publicado em 27/06/2020, às 07h30 - Atualizado às 09h12

Ketevan Geladze, mãe de Josef Stalin
Ketevan Geladze, mãe de Josef Stalin - Wikimedia Commons

Pouco se fala na história de Ketevan Geladze, mas todos conhecem o seu filho: Josef Stalin. Extremamente religiosa, a matriarca trabalhou a vida inteira como costureira em Gori e sempre admirou a educação. Entretanto, quando se casou, viu a sua vida mudar por completo, tornando-se um verdadeiro pesadelo. 

Nascida entre 1856 e 1858 — não há registros da data exata de seu nascimento — Geladze foi criada em uma família de servos cristãos ortodoxos da Geórgia, em Gambareuli. Ainda jovem, perdeu seu pai, sendo criada somente pela sua mãe, que fazia questão que Geladze aprendesse a ler e a escrever — algo incomum para mulheres naquela época. Pouco tempo depois, a mãe de Geladze veio a falecer, passando para a garota a responsabilidade de cuidar dos dois irmãos. 

Casamento e o nascimento de Stalin 

Quando jovem, Geladze era admirada por todos, por conta de sua beleza exuberante. Aos 16 anos foi procurada por Besarion Jughashvili, um sapateiro da região, com quem se casou e teve três filhos, todos meninos. No entanto, para a infelicidade do casal, Mikheil morreu com apenas dois meses de vida, enquanto Giorgi veio a falecer com seis meses. 

Extremamente abalada, Geladze fez um promessa de peregrinação a uma igreja em Geri caso a criança que estava a caminho sobrevivesse. Em 6 de dezembro de 1878 seu terceiro e último filho nasceu e mais tarde, tornaria-se o líder da União Soviética, sendo citado em todos os livros de História: Josef Stalin.

Já os negócios da família pareciam prosperar, levando a família a desfrutar de um alto padrão de vida. No entanto, com o passar do tempo, Jughashvili se tornou cada vez mais agressivo. Frustrado por não conseguir elevar seu status, o comerciante passou a beber de forma descontrolada, sem hora e dia. 

Josef Stalin, líder da União Soviética / Crédito: Getty Images

 

Na época, era comum, ainda, que georgianos pagassem os negócios com bebidas e não com dinheiro, portanto, acredita-se que tal fator tenha contribuído para Jughashvili aumentar o consumo de substâncias alcoólicas. Além disso, sabe-se que Jughashvili não teria se adaptado em fabricar sapatos no estilo europeu, levando a uma queda no faturamento da família. 

Conhecido na vizinhança como Crazy Beso, o homem se tornou uma pessoa violenta e constantemente agredia Geladze e Stalin. Segundo rumores da época, a esposa o traía com outros homens, entre eles Yakov Egnatashvili, o padrinho do seu casamento; o policial Damian Davrishevi e Kristopore Charkviani, o padre local. No entanto, nunca houve provas que Geladze tenha traído o marido, mesmo assim, o parceiro questionava a paternidade de Stalin. 

Separação e dificuldades financeiras

Em 1884, Jughashvili abandonou a família e mudou-se para Tiflis. Por um tempo chegou a enviar dinheiro para a ex-esposa e para o filho, mas não durou muito. Para sustentar Stalin, Geladze assumiu diversos trabalhos como doméstica e costureira. Em situação precária, a matriarca constantemente vivia preocupada com o futuro, pois ela e o filho se mudavam com frequência. Já em 1886, Geladze passou a trabalhar em uma loja de alta costura e matriculou Stalin em uma escola religiosa. 

O pai ficou furioso quando soube que Geladze havia colocado o filho na escola, pois queria que Stalin seguisse seus passos e se tornasse sapateiro. Em 1890, Josef sofreu um grave acidente e Jughashvili foi obrigado a retornar para a cidade, influenciando o garoto a trabalhar na fábrica de Adelkhanov. 

No entanto, Geladze não gostou nada disso e convenceu o filho a voltar e concluir seus estudos para se tornar padre. Esta foi a última vez que o líder da União Soviética viu seu pai, pois a partir disso, Jughashvili cortou todos os laços com a família. Geladze trabalhava dia e noite para pagar a educação do filho, até que em 1894 ele se formou e foi admitido em uma das melhores escolas do Cáucaso da época.

Revolução de 1917 e últimos anos de vida 

Após ser expulso do seminário, em 1899, Stalin dedicou-se a revolução e, por 10 anos, Geladze não teve notícias do filho, até a Revolução Russa em 1917. Já em 1922, a mulher mudou-se para Tiflis, pois a liderança socialista achava que a mãe de um dos principais revolucionários deveria estar em segurança. 

Retrato de Ketevan Geladze, mãe de Josef Stalin / Crédito: Wikimedia Commons

 

Alojada no palácio do ex-vice-rei do Cáucaso, Geladze ficou sob os cuidados de Lavrentiy Beria, líder da Geórgia. A partir disso, a matriarca passou a ser vigiada pela polícia secreta e Stalin raramente visitava sua mãe. Em 17 de outubro de 1935, o soviético visitou Geladze pela última vez, ao descobrir que ela estava muito doente. 

Segundo a obra não publicada do médico de Geladze, mãe e filho tiveram uma longa discussão, pois ela sonhava que ele se tornasse padre, mas Stalin seguiu caminhos opostos aos quais lhe foram traçados. Geladze morreu em 4 de junho de 1937, em decorrência de uma insuficiência cardíaca. 

Stalin, por sua vez, não compareceu ao enterro da mãe, pois estava ocupado planejando o Grande Expurgo, em especial a prisão de Mikhail Tukhachevsky. Em seu lugar, foi enviada uma coroa de flores com a seguinte frase: "Para uma mãe querida e amada, de seu filho Iosif Jughashvili (Stalin)".


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