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O curioso caso do título da família real 'engavetado' em 1936

Lady Di não foi a única que acabou por deixar um famoso título da realeza no passado

Vinicius Barbosa, supervisionado por Thiago Lincolins Publicado em 13/04/2021, às 11h06

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Imagem de S. Hermann & F. Richter por Pixabay

Os títulos reais são dados geralmente após eventos especiais: casamentos (como o de Harry e Meghan, que foram intitulados Duque e Duquesa de Sussex) ou aniversários (Eduardo de Wessex se tornando Conde de Forfar).

Com isso, o passado que o título carrega consigo - com o que pode vir a se tornar no futuro -, é de extrema importância para a escolha da Rainha.

Afinal, com a morte de Lady Di, se tornou praticamente impossível que Camilla Parker Bowles pudesse usar 'Princesa de Gales', optando por 'Duquesa de Cornualha'.

Diante do episódio 'recente', não é difícil de se imaginar que o passado da monarquia conta com um título que fora praticamente engavetado. 

A polêmica de um rei

Para a TV e filmes, a abdicação de Edward VIII, tio de Elizabeth, foi um prato em cheio, enquanto conheceu Wallis em 1931 e passou a amá-la para o resto de sua vida. No entanto, com a morte de seu pai Jorge V em 1936, foi preciso assumir o trono.

Mas apesar de tudo, sua determinação de se casar com Wallis era maior, conseguindo fazer com que ela obtivesse um decreto preliminar de divórcio no final de 1936, permitindo o casamento antes da coroação, marcada para maio de 1937. 

Mesmo após se tornar rei e já casado, o 'Duque de Windsor' sofreu com o clamor do público e a condenação da Igreja da Inglaterra e das Casas do Parlamento, tornando-se o primeiro rei inglês a voluntariamente deixar o trono. Na época havia conseguido o apoio de Winston Churchill, sendo o único político notável a apoiar a causa de Edward.

Em entrevisa dada à uma rádio, Edward disse "Achei impossível carregar o pesado fardo da responsabilidade e cumprir os deveres de rei, como eu gostaria de fazer, sem a ajuda e apoio da mulher que amo". Assim, mostrou como a força de seu amor era maior do que qualquer poder ou título.

Com isso o trono foi assumido por seu irmão, o 'Duque de York', proclamado de rei GeorgeVI (antecessor de ElizabethII). Assim Edward recebeu o título de 'Duque de Windsor' já depois de casado com Wallis e, em 1937 se mudou para a França, morando por dois anos lá.

Após isso, aceitou o cargo de oficial de ligação na França antes de se tornar governador  das Bahamas nas Índias Ocidentais, durante a Segunda Guerra Mundial, posição concedida a ele por Churchill. O casal só retornou à França em 1945 e por lá permaneceram.  

Wallis Simpson, Edward VIII e Adolf Hitler juntos durante viagem à Alemanha

 

Já em 1952, compareceram ao funeral do Rei George VI em 1952 e de sua mãe, a Rainha Mary, em 1953, marcando assim o retorno à Inglaterra.

Depois disso, só em 1967 que o duque e a duquesa retornaram ao reino inglês, convidados a participar de uma cerimônia pública oficial de inauguração de uma placa dedicada à Rainha Mary.

Por fim, Edward morreu em Paris em 1972, mas foi enterrado em Frogmore, no terreno do Castelo de Windsor. Anos depois, em 1986, Wallis morreu e foi sepultada ao seu lado.

Do amor para a gaveta

Segundo o especialista Richard Fitzwilliams, o título 'Duque de Windsor' havia sido manchado por Edward VIII, se tornando inútil para os membros da família real.

Após o ultimo intitulado abdicar do trono se tornou improvável alguém voltar a usar o ducado de Windsor — identificado diretamente ao tio da rainha Elizabeth II.

"Possuiu por um tempo a imagem de um rei que desistiu do trono por amor à uma divorciada e depois a reputação de uma realeza para quem patriotismo e dever não tinham significado", explicou o especialista Fitzwilliams, conforme repercutido pelo site British Heritage, que continuou: "Seu egoísmo se tornou seu epitáfio".