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Coronavírus causa milhares de mortes em província italiana, que enfrenta dificuldades para realizar os enterros

Caixões se acumulam e cadáveres são isolados dentro de casa e dos hospitais na pequena cidade de Bergamo

Penélope Coelho Publicado em 19/03/2020, às 12h30

Longa fila de caminhões militares carregados com caixões em Bergamo na última quarta-feira
Longa fila de caminhões militares carregados com caixões em Bergamo na última quarta-feira - Divulgação

As empresas funerárias do distrito de Bergamo não estão conseguindo atender à alta demanda do local. A cidade italiana foi a mais atingida pelo coronavírus até então. Segundo os últimos dados divulgados pelas autoridades do país, até quarta-feira, 18, o vírus já havia matado quase três mil pessoas em toda a Itália.

A cidade de Bergamo tem 1,2 milhões de habitantes, e segundo a ANSA, principal agência de notícias italiana, a doença já abateu 1.959 pessoas no local.  Esse grande número de falecimentos trouxe medidas extremas: os militares foram acionados para levarem os corpos para crematórios da região e, os cemitérios da cidade estão lotados — sem mais capacidade de atender a população.

Os caixões que aguardam o enterro estão alinhados nas igrejas, e os cadáveres são mantidos dentro das próprias casas em salas fechadas durante dias. Quem morre no hospital, tem o corpo deixado nos corredores até ser recolhido por uma funerária. E devido ao confinamento obrigatório na Europa, as famílias são privadas de participarem dos velórios dos parentes.

O impacto angustiante do coronavírus em Bergamo está sendo noticiado na seção de obituários do jornal local L'Eco di Bergamo, quando o periódico começou a fazer isso era necessário somente uma página para homenagear as vítimas do vírus, na situação atual, esse número aumentou para dez.