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1º medicamento injetável para prevenção do HIV é aprovado nos EUA

Tratamento é considerado por especialistas como “uma virada de jogo no mundo da prevenção do HIV"

Fabio Previdelli Publicado em 22/12/2021, às 13h22

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Imagem ilustrativa - Pixabay

Na última segunda-feira, 20, a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, aprovou o primeiro tratamento injetável de ação prolongada para a prevenção do vírus do HIV. 

Até então, os únicos medicamentos que eram aprovados e licenciados pela entidade para a profilaxia pré-exposição ao HIV, mais comumente conhecidos como PrEP, eram pílulas orais de consumo diário.

O medicamento contém tenofovir e emtricitabina, usados para o tratamento do HIV, que ajudam a retardar a progressão de uma infecção pelo HIV no corpo. O consumo periódico do PrEP auxilia no acúmulo de anticorpos no corpo a ponto de, caso ocorra uma infecção pelo HIV, o vírus não consiga se replicar e, consequentemente, se espalhar. 

Quando administrado da maneira correta, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, o PrEP pode reduzir o risco de contágio através do sexo em 99% dos casos. 

Agora, porém, além da opção das pílulas, as pessoas podem optar pelo tratamento via injeção, que será aplicada a cada dois meses. "Esta injeção, administrada a cada dois meses, será essencial para lidar com a epidemia de HIV nos Estados Unidos, incluindo ajudar indivíduos de alto risco e certos grupos onde a adesão à medicação diária tem sido um grande desafio ou uma opção não realista", declarou a FDA em nota. 

Em entrevista ao Good Morning America, da rede ABC, o Dr. Darien Sutton, Médico de Emergência Médica, declarou que o novo medicamento “é uma virada de jogo no mundo da prevenção do HIV."

"Os pacientes muitas vezes têm dificuldade em aderir a qualquer medicação oral, então uma injeção bimestral pode realmente mudar o cenário em termos de prevenção do HIV. Ter um tratamento bimestral também serve como uma oportunidade de interagir com um paciente”, explica. 

Pacientes em PrEP muitas vezes podem se sentir estigmatizados com a medicação diária”, completa. “Alguns compartilharam comigo que temem ações simples, como pegar seus medicamentos na farmácia por medo da estigmatização. Esse estigma infelizmente não para na farmácia, pois muitos também temem ser vistos carregando seus medicamentos preventivos em público.”

Sutton também diz que o novo tratamento é mais “inclusivo”, pois o estudo também contou com a participação de mulheres transgênero, “o que permite melhor aplicabilidade com diversas populações de pacientes", conclui.