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As teorias conspiratórias por trás da morte de Tancredo Neves

Participante da Diretas Já, ele foi o primeiro candidato civil eleito depois do Golpe de 64, mas nunca chegou a assumir

Giovanna de Matteo Publicado em 27/09/2020, às 09h00

Foto de Tancredo Neves
Foto de Tancredo Neves - Crédito: Wikimedia Commons

Um dos líderes do Movimento das Diretas já, participante do partido de oposição à ditadura militar, Tancredo Neves se candidatou ao cargo de presidente da república no ano de 1985. 

Durante a campanha política, o candidato se opôs ao governo militar, propondo uma nova era para o Brasil, que se voltaria novamente à democracia. Mesmo com o congresso ainda fechado, ele conseguiu votos suficientes para derrotar a Arena, partido dos militares, dando finalmente um fim para a ditadura, que já se instalava no país há 21 anos.

Campanha pela presidência de Tancredo Neves / Wikimedia Commons

 

Infelizmente, os planos de seu novo regime democrata não conseguiram ser executados como se esperava: Tancredo Neves viria a falecer antes mesmo de vestir a faixa presidencial, sendo internado um dia antes de sua posse. Desse modo, grandes rumores sobre sua morte se espalharam pelo país.

A causa da morte viria a ser uma doença, que foi escondida da população, tendo seu tratamento adiado, deixando em segredo a sua saúde fragilizada, para que nenhum militar pudesse usar o fato contra ele. Mas poucos acreditaram nessa história.

As teorias

O vice-presidente, José Sarney, tomou posse no dia 15 de janeiro, estragando os planos de ter pela primeira vez depois do Golpe de 64 um presidente civil, já que ele ocupava cargo militar.

Muitos boatos se espalharam. Alguns diziam que a morte de Tancredo teria sido preparada pelos militares do poder, que não aceitavam a ideia de redemocratização do Brasil. A conspiração tomou força em 1996, quando o general Newton Cruz declarou em entrevista ao Roda Viva que Paulo Maluf teria proposto à ele em outubro de 84 um novo golpe se o candidato civil fosse eleito. 

Dizem também que ele foi envenenado, pois seu mordomo, João Rosa, teria ficado 16 dias internado no hospital por envenenamento, morrendo um dia após a morte de seu patrão. 

Há quem acredite que Tancredo tenha sofrido um ataque de arma durante uma missa na Catedral de Brasília. Os presentes no local diziam que durante a cerimônia faltou luz e que nesse momento teriam escutado o barulho de tiro. Logo após, o candidato teria sido levado às pressas para o Hospital de Base de Brasília, onde realizou uma operação de emergência. Apenas rumores sem constatações.

A foto conspiratória

Durante o caos que marcou os momentos finais do político, tudo foi feito para impedir a divulgação de que o Tancredo estava mal — principalmente para impedir mobilizações e comoção naquele cenário instável. Em 1985, então, o fotojornalista Gersávio Batista, que voara para Brasília para captar imagens do presidente no pós-cirurgia, foi indicado para divulgar imagens que tranquilizassem o país.

Cercado de médicos, Neves foi retratado com a cabeça meio caída, sentado em sua casa. O intuito era criar um ar de alto-astral, como se ele tivesse se recuperando. Porém, o efeito foi contrário.

Até hoje, a fotografia impulsiona mais boatos sobre a conspiração. Todavia, diferente do que muitos espalham, ele não estava morto, mas também não estava bem: três horas depois, Tancredo estava indo em direção ao hospital, em crise hemorrágica.

A última imagem de Tancredo Neves, acompanhado de médicos / Divulgação

 

Também existem teorias sobre a data em que ele teria morrido. Registros de um médico da equipe diziam que ele teria sofrido morte cerebral no dia 20 de abril, embora sua morte só tenha sido decretada no dia seguinte, mesmo dia em que se comemora o feriado de Tiradentes.

A data teria sido escolhida para compactuar com a ideia de que o político era um herói. No entanto, não existem provas. Por fim, essas ideias e muitas outras menores ficaram no imaginário brasileiro e perduram até os dias de hoje.

Fato é que o político morreu após a intensa saga que foi submetido em hospitais. Foi um sofrimento que resultou em sete cirurgias e a agonia nacional de uma morte repleta de questões. 


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