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Em imagens: Um dia em Woodstock

Há 49 anos, sexo, drogas e rock and roll foram o lema de uma geração no mais célebre festival musical da História

terça 14 agosto, 2018
Sexo, drogas e rock and roll
Sexo, drogas e rock and roll Foto:Reprodução / Youtube

Dentro de uma fazenda de 2,4 mil km2, no estado de Nova York, nos Estados Unidos, aconteceu o Woodstock, um dos maiores festivais de música já realizados. Entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969, cerca de 450 mil pessoas reuniram-se para ouvir música e celebrar a paz. Àquela altura, os Estados Unidos já haviam mandado mais de meio milhão de soldados para a Guerra do Vietnã. Crescia entre a juventude americana um movimento de oposição ao conflito e de resistência às convocações militares.

Os ideais da contracultura – que incluíam consumo de drogas, amor livre, desapego a bens materiais e vida em comunidades hippies – também ganhavam cada vez mais adeptos. “Nosso estilo de vida – ácido, cabelos compridos, roupas esquisitas, maconha, rock e sexo – é a revolução. A antiga ordem está morrendo”, afirmou, na época, Jerry Rubin, ex-líder do Youth International Party (Yippie), espécie de antiga organização não governamental que ajudou na promoção do festival.

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O Woodstock representou a catarse daquele momento. E as condições ao mesmo tempo idílicas e caóticas em que ele ocorreu – a plateia foi dez vezes maior do que o esperado e teve de compartilhar barracas, comida e água – perpetuaram o festival como sinônimo de hedonismo, juventude e contestação.

Hendrix no último dia do festival Reprodução

No último dia do festival, Jimi Hendrix protagonizou um dos momentos mais memoráveis do evento. Entrou no palco por volta das 9h de segunda-feira, dia 18 de agosto. Naquela hora, havia apenas cerca de 40 mil pessoas na plateia. Os privilegiados assistiram boquiabertos à versão que Hendrix improvisou de The Star Spangled Banner - o hino dos EUA. Com a sua guitarra, reproduziu sons de bombas e helicópteros em meio ao hino numa clara crítica à ação americana no Vietnã. Exatos 11 meses depois, Jimi seria encontrado morto na Inglaterra sufocado pelo próprio vômito, após uma overdose de tranquilizantes.  

“O Woodstock refletiu a atitude antiautoritária do fim dos anos 60. Parecia ser o anúncio de uma nova era”, afirma David Szatmary, no livro Rockin’ Time: a Social History of Rock-and-roll (“Rockin’ Time: uma história social do rock”).


Sexo, drogas e rock and roll

Enquanto 32 cantores e bandas se revezavam no palco do festival 

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1. Nós vamos invadir

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O Woodstock não era gratuito. O ingresso custava 8 dólares para cada um dos dias. Mas, logo no primeiro, as cercas começaram a ser derrubadas pelo público. O festival acabou dando prejuízo aos organizadores. Custou 2,4 milhões de dólares - só 1 milhão foi arrecadado com as vendas dos ingressos.


2. Hora do hush

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As estradas de acesso à fazenda ficaram bloqueadas por engarrafamentos de até 30 quilômetros no primeiro dia do festival. Muita gente abandonou os carros pelo caminho e seguiu a pé para os shows. Algumas bandas só chegaram ao local em helicópteros. Já no segundo dia, helicópteros também foram usados pelos organizadores para jogar frutas, comida enlatada e sanduíches para a plateia.   


3. Fila para tudo 

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A estrutura foi preparada para 50 mil pessoas, quase dez vezes menos que o público que compareceu. Por isso, não havia espaço para acampar, banheiros, telefones, comida ou água suficientes. As filas nos 60 orelhões disponíveis duravam duas horas. As dos 600 banheiros, quase meia hora. Bem no espírito livre, a galera resolveu tomar banho em uma lagoa próxima ao palco.


4. Tá tudo liberado 

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A fazenda virou território livre para o consumo de drogas. O número de usuários era tamanho que a polícia simplesmente desistiu de fazer apreensões. As mais usadas eram maconha, mescalina e ácido. Entre um show e outro, um hippie pegou o microfone para dar um aviso: o ácido marrom à venda estava causando alucinações indesejadas. Seu conselho:"Tomem apenas a metade."


5. Paz e amor 

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Apesar da precariedade da organização, foi uma festa tranquila, com participação até de crianças. Dois nascimentos foram registrados na fazenda. E três mortes, mas nenhuma relacionada à violência: uma overdose de heroína, uma apendicite e um atropelamento por trator. Os hippies não eram bem vistos, mas o bom comportamento deles deixou os moradores da redondezas impressionados.

Texto Érica Montenegro / Ilustrações Sattu


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