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De estupro a canibalismo: o inacreditável mundo das fãs de piscopatas

Com uma patologia reconhecida por criminologistas, essas pessoas sentem desejo e atração por criminosos

Pamela Malva Publicado em 18/12/2019, às 17h00

Jeffrey Dahmer, Ted Bundy e Richard Ramirez, respectivamente
Jeffrey Dahmer, Ted Bundy e Richard Ramirez, respectivamente - Getty Images

Durante um julgamento de assassinato, a grande maioria das pessoas consegue pensar apenas em como o criminoso ou a criminosa conseguiu concluir um ato tão frio. De serial killers a estupradores, canibais e psicopatas, as cadeiras de tribunais já viram de tudo.

O inesperado, no entanto, muitas vezes não é encontrado na banca do acusado, mas entre as cadeiras almofadadas da plateia. Por diversas vezes na história houve registros de pessoas que se sentiram cegamente atraídas pelos criminosos mais frios já conhecidos.

É muito comum encontrar assassinos em série e estupradores que recebem, através das grades, o carinho de diversos fãs. Nesse sentido, muitos desses serial killers que costumavam ceifar a vida de mulheres se surpreenderam, ao chegar na cadeia, com a paixão avassaladora de fãs também do sexo feminino.

Ted Bundy, James Holmes, Richard Ramirez e Jeffrey Dahmer são exemplos disso. Além de terem estuprado, matado e até mesmo comido diversas mulheres, todos esses criminosos tem mais uma coisa em comum: eles recebiam cartas e presentes de fãs frequentemente — Jeffrey chegou a receber 12 mil dólares; e Richard Ramirez, um prato cheio de cupcakes com a mensagem "Eu te amo".

Richard Ramirez em seu julgamento / Crédito: Getty Images

 

Ainda mais além, diversos assassinos e psicopatas encontraram o amor de suas vidas depois de serem presos. Kenneth Bianchi, por exemplo, convenceu Veronica Compton a mentir em julgamento e até mesmo a cometer assassinato.

A ideia do criminoso era que, caso a namorada conseguisse agir da mesma forma que ele — quando estuprava, torturava e matava meninas e mulheres —, os oficiais acreditariam que o assassino ainda estava solto. Veronica, no entanto, não conseguiu estrangular outra jovem e acabou sendo presa também.

Já na cadeia, o relacionamento dos dois acabou, porque Kenneth já não via mais serventia em Veronica. Ambos seguiram suas vidas: a mulher se apaixonou por Douglas Daniel Clark, responsável por decapitar 7 mulheres, e Kenneth começou a namorar com Shirlee Book — que, curiosamente, também tentou se se envolver com Ted Bundy.

Ted Bundy já com as roupas da cadeia / Crédito: Getty Images

 

O próprio Ted se casou com Carol Ann Boone na época de seu julgamento e — mesmo tendo 12 cabeças de suas vítimas como prova dos assassinatos — teve uma filha com a mulher. A criança nasceu em 1982, sete anos antes de o pai ser executado na prisão.

E não pense que essas coisas acontecem apenas no exterior. Suzane von Richthofen, por exemplo, se casou e se separou de Sandra Ruiz, o Sandrão, outra detenta. Em seguida, ela começou a namorar Rogério Olberg, com quem mantém um relacionamento através de cartas até hoje.

Mas por que será que pessoas como Shirlee Book se sentem tão atraídas por assassinos, psicopatas, estupradores e canibais? Os criminologistas chamam essa atração, admiração e desejo de Hibristofilia, ou Síndrome de Bonnie e Clyde.

Bonnie e Clyde em 1933 / Crédito: Getty Images

 

A primeira vez que tal comportamento foi citado na literatura foi pelo psicólogo e sexólogo John Money, nos anos 1950. Para ele, a hibristofilia é uma patologia comum entre mulheres heterossexuais. Nos Estados Unidos, a relação entre criminosos e civis é punível por lei.

Em seu livro Women Who Love Men Who Kill (Mulheres que Amam Homens que Matam, em português), Sheila Isenberg concluiu que as mulheres que apresentam hibristofilia são, predominantemente, “meninas perdidas” e moças “danificadas” por infâncias dolorosas. Segundo a autora, essas mulheres apresentam um histórico de abuso e de relacionamentos violentos.

Na obra, ela explica porque, mesmo com passados traumatizados, tais mulheres procuram e se sentem atraídas por criminosos. Segundo a autora, o desejo não é motivado pelo perigo que esses homens apresentam, mas porque eles são, de certa forma, seguros. Por estarem atrás das grades, os criminosos não podem machucá-las, permitindo que as essas mulheres vivam um relacionamento fantasioso e sem violências.


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