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Derrotaria o Tiranossauro: conheça o "superjacaré" que viveu na Amazônia há 8 milhões de anos

Considerado o rei do pântano, o Purussaurus brasiliensis possuía uma mordida muito mais letal do que o temido Tiranossauro Rex

Victória Gearini Publicado em 14/02/2021, às 17h59

Imagem ilustrativa de um Purussaurus e Tiranossauro
Imagem ilustrativa de um Purussaurus e Tiranossauro - Divulgação / Youtube / besttips404

Em 2015, um estudo sobre o pré-histórico superjacaré confirmou que o animal que habitou a região pantanosa da Amazônia, há milhões de anos, era muito mais perigoso e tenebroso do que o famoso Tiranossauro Rex.

Catalogado como Purussaurus brasiliensis, o fóssil do réptil foi descoberto em 1892, pelo cientista brasileiro Barbosa Rodrigues. Já nos dias atuais, a comunidade científica acredita que ele tenha habitado a Terra durante o período mioceno, há mais de 8 milhões de anos.

No pântano

Com uma mordida dilaceradora e letal, o superjacaré brasileiro se alimentava diariamente de 40kg de carne, como apontou a paleontóloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Aline Ghilardi, em entrevista à BBC, em 2015.

Outro fato curioso sobre a sua mordida está presente na dimensão da força. Segundo estudos divulgados pelos paleontologistas Edson Guilherme e Jonas Souza Filho, uma dentada do superjacaré poderia chegar até sete toneladas.

Crânio de um Purussaurus / Crédito: Divulgação / Youtube / Ecoacre Net

 

A partir de uma análise minuciosa de seu crânio, os pesquisadores conseguiram identificar que a força do Tiranossauro Rex era extremamente inferior. Para os especialistas, se um Purussaurus encontrasse um Tiranossauro, o rei do pântano ganharia a luta — sem sombra de dúvidas. 

"O Tiranossauro não teria vez numa luta. Para começar, o Purussaurus vivia numa região de pântanos, o que lhe dava mais vantagem territorial. E sempre vale lembrar que um antepassado do jacaré era predador do Tiranossauro", disse Ghilardi à BBC.

A extinção

De acordo com os cientistas, o desaparecimento do carnívoro voraz se deu com o surgimento da Cordilheira dos Andes. O fenômeno geológico teria impactado drasticamente nas questões climáticas do continente, afetando a Amazônia de maneira crucial. 

Devido às mudanças climáticas e geológicas, diversas espécies que serviam de presas para o Purussaurus foram desaparecendo de forma exponencial, causando um desequilíbrio na cadeia alimentar. Com a falta de alimento, muitos superjacarés acabaram desaparecendo. 

Crânio de um Purussaurus / Crédito: Divulgação / Youtube / Ecoacre Net

 

"A constante subida dos Andes e a mudança do sistema amazônico de pântanos para os sistemas de rios que temos hoje reduziu muito a área para esses animais gigantes viverem. Ao reduzir também o número de presas, causou rapidamente a extinção dos superjacarés amazônicos. É uma lição para nós de que nem sempre é necessário um meteoro para causar a extinção de um grupo bem sucedido de espécies", disse um dos autores do estudo, Tito Aureliano, em entrevista à BBC.

Teoria da evolução

Para a comunidade científica, a teoria da evolução poderia explicar a ancestralidade de jacarés e crocodilos, uma vez que, atualmente, estes animais lideram o ranking de espécies com as mordidas mais letais do mundo. 

De acordo com os estudos divulgados pela BBC, os Purussaurus que sobreviveram se adaptaram às novas condições climáticas e geológicas do território brasileiro. Ao longo de milhares de anos, muitos mudaram seus hábitos e sofreram um processo de mudança natural no biotipo físico.

A partir dessa descoberta é possível compreender a evolução histórica da região brasileira.

Além disso, a pesquisa foi fundamental para analisar como as mudanças climáticas e geológicas da Terra afetam diretamente a cadeia alimentar dos seres vivos, como um todo. 


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