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Esquecidas em um manicômio: a triste saga de Nerissa e Katherine Bowes-Lyon, primas de Elizabeth II

A nova temporada do seriado The Crown expõe uma história sombria da família real britânica, que teria sido descoberta pela Princesa Margaret

Penélope Coelho Publicado em 26/11/2020, às 13h00

Nerissa e Katherine Bowes, em fotografia exibida ao final do sétimo episódio da quarta temporada
Nerissa e Katherine Bowes, em fotografia exibida ao final do sétimo episódio da quarta temporada - Divulgação / Netflix

Em 15 de novembro de 2020, a plataforma de streaming Netflix disponibilizou a tão esperada quarta temporada do seriado The Crown – série que aborda sobre o reinado de Elizabeth II. Essa nova fase trouxe à tona diversos personagens importantes para a monarquia entre a década de 1970 e 1980, como a Princesa Diana.

Entretanto, algo em específico chamou atenção no sétimo episódio da quarta temporada. Intitulado O Princípio da Hereditariedade, o capítulo mostra a irmã da rainha, Princesa Margaret (interpretada porHelena Bonham Carter) em uma busca pela melhoria de sua saúde mental, nesse percurso ela acaba descobrindo um segredo sombrio de sua família: a existência de duas primas mantidas escondidas em um manicômio.

Helena Bonham Carter na série The Crown  (esq) e princesa Margaret (dir) / Crédito: Divulgação Netflix/Getty Images

 

Verdade escondida

Essa história real envolve duas irmãs: Nerissa e Katherine Bowes, filhas do conde John Bowes-Lyon. O homem é o irmão mais velho de Elizabeth Bowes-Lyon, a rainha-mãe. Ou seja, as irmãs tinham um parentesco próximo com Margaret e Elizabeth II: elas eram primas.

Ao longo da vida, John — que morreu aos 44 anos — teve cinco filhas, duas delas, Nerissa e Katherine, nascidas com sete anos de diferença em 1919 e 1926, respectivamente, foram diagnosticadas com problemas mentais desde a infância. Sem um diagnóstico claro, as meninas sofreram muito preconceito. Acredita-se que a situação tenha piorado com a abdicação do rei Edward VIII em 1936, já que isso significava que Elizabeth Bowes-Lyon seria a mulher do rei George VI.

No ano de 1941, quando tinham somente 22 e 15 anos, Nerissa e Katherine foram enviadas em segredo para o Hospital Royal Earlswood em Redhill, Surrey, no leste da Inglaterra e ficaram internadas até os últimos dias de suas vidas.

Hospital Earlswood no ano de 1854 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1987, um artigo publicado pelo jornal The Sun revelou a verdadeira face dessa história. Além de expor o fato das irmãs estarem esquecidas em um hospital, segundo o tabloide, a família real também havia forjado a morte das garotas, informando que elas teriam morrido em 1963.

Contudo, a história parecia ser mais complicada e a nobreza se justificou dizendo que a alegação da morte das primas da rainha havia acontecido por um erro na edição do livro genealógico da família real, e que não houve nenhuma tentativa de encobrir a existência das irmãs. 

De acordo com o jornal The Daily Express, a Rainha Mãealegou que não tinha conhecimento que suas sobrinhas haviam sido internadas, mas, disse que em 1982 ficou sabendo do ocorrido e passou a enviar presentes e dinheiro para elas.

Final solitário

A irmã mais velha Nerissa, faleceu no ano de 1986, antes de sua existência se tornar pública. O funeral da mulher foi realizado pela equipe do hospital sem a presença de nenhum membro de sua família a não ser sua irmã. Já Katherine recebeu flores de todas as partes da Inglaterra, quando o país ficou sabendo de sua história. A mulher foi transferida do manicômio para uma casa de repouso. Ela faleceu recentemente, aos 87 anos de idade, em 2014.

Em um documentário de televisão sobre as irmãs, exibido em 2011 pelo canal britânico Channel 4, durante todo o período em que ficaram internadas no Hospital Royal Earlswood, as Bowes-Lyon’s não receberam nenhuma visita de sua tia, ou de suas primas. As enfermeiras do local também afirmaram que elas nunca receberam presentes ou cartas de seus parentes, contrapondo o que havia sido dito pela Rainha Mãe.


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