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John Jacob Astor IV: a infeliz saga do passageiro mais rico do Titanic

O empresário americano deu a sorte de nascer em uma família que estava entre as mais abastadas do mundo — mas o seu destino mudou para pior

Vanessa Centamori Publicado em 11/08/2020, às 10h46

John Jacob Astor IV
John Jacob Astor IV - Wikimedia Commons

O naufrágio do RMS Titanic resultou na perda de cerca de 1,5 mil vidas, que estavam a bordo da embarcação em 1912. Dentro do navio havia muitas pessoas ricas e fartas, tanto que várias riquezas e pertences caros foram parar no fundo do oceano. John Jacob Astor IV certamente perdeu muito naquele episódio fatídico, embora tenha salvado algumas joias. 

Até porque ninguém tinha mais que John naquele navio: ele era o homem mais rico entre todos os passageiros. Membro da famosa família Astor — uma das mais ricas do mundo — o homem fazia parte de um grupo de indivíduos considerados como uma espécie de "realeza americana" da sociedade organizada de Nova York.

Luxo desde sempre 

O requintado cavalheiro nasceu em 13 de julho de 1864, filho de William Astor e Caroline Webster Schermerhorn. Herdeiro de uma grande fortuna, estudou nas melhores escolas sendo que a primeira delas foi a St. Paul's School, em Concord. Mais tarde, ele teria até frequentado a Universidade de Harvard, embora não haja mais os registros oficiais da graduação.

Depois de formado, John foi para o exterior por alguns anos antes de retornar a Nova York para assumir o negócio da família: imóveis. Em 1897, Astor usou seus recursos volumosos para construir o Astoria Hotel, em Nova York. Mais tarde, após a morte do ricaço, o local seria demolido, mas se tornaria o emblemático Empire State Building.

Anos depois, em 1904, John quis investir em um hotel que seria considerado super tecnológico. Era o The St. Regis, que, na época, foi chamado pelo jornal New York Times de "o melhor hotel da América". Cada quarto tinha um telefone — algo fenomenal, considerando que esse meio de comunicação era um artigo muito caro. 

John Jacob Astor IV e a segunda esposa, Madeleine / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Vida íntima 

No ano de 1909, Astor se divorciou da primeira esposa dele, Ava Lowle Willing, em um período no qual o divórcio era considerado um escândalo. John era pai de dois filhos com Ava: Vincent e Alice. Pareciam até uma família perfeita de classe alta, mas esse provavelmente não era o caso. 

Os burburinhos aumentaram quando o herdeiro anunciou que ele se casaria novamente. A nova união foi selada quando John Jocob tinha 47 anos; na ocasião, ele se casou com Madeleine Talmage Force, em 1911. Um ano depois, a mulher engravidou. O casal fazia questão que o neném nascesse nos Estados Unidos. Isso foi motivo para que ambos embarcassem no RMS Titanic, com destino à Nova York. 

Área da primeira classe do RMS Titanic / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Titanic 

John e Madeleine amavam animais e viajavam com a cadela Kitty, que, infelizmente não sobreviveu ao naufrágio. O homem rico, por outro lado, conseguiu proteger a esposa grávida, sendo uma das primeiras pessoas que souberam que o navio estava afundando. 

A mulher estava dormindo e ele apressou em dar as más notícias. Pediu que ela colocasse roupas quentes e a vestiu com todas as joias que podia — evitando que muitas não fossem perdidas no oceano. A seguir, colocou a esposa, a empregada e a enfermeira no barco salva-vidas 4. 

Naquela hora de desespero, dono de muita influência, John bem que tentou negociar com o oficial Charles Lightoller para poder entrar no bote com a esposa. Ele afirmou que a mulher estava, segundo ele, em uma "situação delicada". Porém, isso não foi possível: o guarda insistiu que homens adultos só poderiam embarcar após as mulheres e crianças. 

Visto esse fracasso, o que aconteceu depois pareceu um momento de cinema. Astor teria consolado Madeleine: "O mar está calmo. Você ficará bem. Você está em boas mãos. Vejo você de manhã". Ele nunca mais a veria. 

O navio Titanic no porto de Southampton, 10 de abril de 1912 / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Triste fim 

O barco onde estava a mulher foi abaixado às 1h55 da madrugada e o homem rico se viu solitário. Há registros de que Astor foi visto pela última vez fumando um cigarro. Ele estava vestindo um terno de jantar e segurando um relógio de bolso personalizado. 30 minutos depois, o navio afundou. Madeleine e as duas funcionárias dela sobreviveram. 

A esposa sobrevivente, quando chegou em terra firme, finalmente deu à luz seu filho. O nome da criança foi em homenagem ao pai falecido: John Jacob. O bebê se tornaria um herdeiro muito rico, assim como a figura paterna. Mas a maior parte da fortuna foi para o filho do primeiro casamento, Vincent. O rapaz, por sua vez, doou uma grande soma do dinheiro e se tornou um filantropo na cidade de Nova York. 


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