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Terrível segredo de família: os assassinatos e abusos sexuais da seita dos Sexton

Doze crianças sofriam de violência e maus-tratos, além de viverem reclusas sendo manipuladas por pais lunáticos

Vanessa Centamori Publicado em 26/04/2020, às 13h00 - Atualizado às 22h00

Imagem ilustrativa de urso em casa de família
Imagem ilustrativa de urso em casa de família - Pixabay

Na década de 1990, horrores indescritíveis aconteceram em uma casa de quatro quartos e cerca de 250 metros quadrados, na cidade de Jackson Township, nos Estados Unidos. O lar da família Sexton era um inferno: os pais, Eddie e Estella, cometiam abusos sexuais diários e agoniantes contra seus doze filhos. Sem motivo, todos eram constamente espancados e presos dentros dos quartos. 

Rotina de sofrimento 

O choro e o trauma resultaram em cada vez mais maus-tratos e no surgimento de uma seita. As crianças da família Sexton estudavam em escolas públicas. O pai só permitia que elas tivessem apenas um amigo cada, mas não adiantava de muito, pois não podiam nem se quer visitar esses únicos coleguinhas.

Não era permitido também que ninguém fosse até a residência dos Sexton. Reclusas, as crianças acreditavam que Eddie tinha poderes sobrenaturais, como telepatia e a capacidade de convocar fantasmas ou espíritos.

Como resultado, muitos dos filhos também passaram a se relacionar sexualmente uns com os outros, praticando incesto. Eddie chegou até a encenar cerimônias de casamento, com véu e tudo, para justificar que iria estuprá-los. Isso é descrito pelo livro do escritor Lowell Cauffiel, House of Secrets (1997). 

Segundo a obra, os filhos também participavam de cerimônias bizarras de Eddie, que era pregador e chegou a difundir ideias sobre sexo e reviravoltas apocalípticas em templos. Em uma de suas bizarrices, as crianças tiveram que realizar um culto envolvendo um gato morto; também selaram fieldade ao pai, em uma espécie de contrato com o próprio sangue. 

Uma das filhas, já adolescente, Estella (conhecida como Pixie) engravidou de Eddie, como resultado dos estupros. Para disfarçar os abusos, a moça foi encorajada a encontrar um namorado. Conheceu então o jovem Joel Good, um colega de classe do ensino médio, que não foi aprovado pelo líder da seita. 

Eddie e Estella Sexton / Crédito: Divulgação 

 

Suspeitas

Apesar do sigilo da família em esconder o torturoso culto caseiro, em 1992, uma das filhas de Eddie e da mãe Estella Sexton, chamada Machelle, então com 18 anos, acabou entregando o segredo sobre o que ela sofria. 

Ela relatou sua rotina à funcionárias de um abrigo, que logo entenderam que ela tinha sido estuprada pelo próprio pai. A garota, no entanto, retirou a queixa. Porém, como seis das crianças de Sexton eram menores de idade, as autoridades policiais locais iniciaram uma investigação.

Seis das crianças Sextos prestaram depoimento. Três delas relataram nada incomum, mas outras três disseram sofrer abuso físico de seus pais. Naquele mesmo ano de 1992, Eddie fugiu com a família após conversar por seis horas com o departamento responsável pela proteção à crianças, Stark County Department of Human Services.

Imagem ilustrativa de faixa de zona de crime / Crédito: Pexels 

 

Mais crimes

No final de 19 de outubro de 1993, conforme fugia para Tampa, na Flórida, Eddie se mudou com a família para um acampamento. O filho de Pixie, chamado Skipper, adoeceu. Como o líder da seita se recusou a permitir a visita de um médico, a própria mãe matou a criança, por ordens do avô do bebê. 

Eddie também conseguiu ter outro desejo atendido: vingar-se de Joel Good, namorado de Pixie, que era agora marido da moça. O rapaz, que viajava com os Sexton, foi morto em novembro de 1993. A principal preocupação era que Good entregasse o paradeiro da família à polícia. 

A investigação apontou que quem matou o moço foi o irmão de Pixie, Willie Sexton, que tinha deficiência intelectual e foi ordenado por Eddie para executar o crime. 

Departamento de Reabilitação e Correção de Ohio, que fez parte do caso dos Sexton  / Crédito: Divulgação 

 

Fim do caso 

A investigação foi avançando e, em 14 de janeiro de 1994, a família Sexton foi rastreada. Os filhos pequenos foram direcionados à instituições para menores, enquanto boa parte dos adultos foram libertados. Em novembro daquele mesmo ano, Eddie e a esposa, Estella, foram considerados culpados pela seita. 

Pixie foi uma das condenadas: sua sentença foi de seis anos, por homicídio culposo do próprio filho. Willie, por sua vez, confessou ter matado o marido da irmã e foi sentenciado a 25 anos de prisão.

Em 1996, a mãe, Estella, foi presa Em Ohio, pelo Departamento de Reabilitação e Correção de Ohio. No ano seguinte, o veredicto de Eddie Lee Sexton foi anulado e um novo julgamento foi ordenado. Em 1998, ele foi condenado à morte, porém a pena não foi aplicada a tempo e tardou a acontecer. 

Em 2011, o criminoso ainda esperava no corredor da morte. Faleceu, aparentemente por causas naturais, na Union Correctional Institution, aos 68 anos. Estella também morreu presa, de modo natural, aos 70 anos, segundo anunciaram porta-vozes do presídio estadual de Ohio. 


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