E o Vento Levou setentão

Épico retrata o conflito mais sangrento da história dos EUA

Álvaro Oppermann Publicado em 08/12/2009, às 05h40 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
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Enquanto uma multidão de 300 mil pessoas se acotovelava pelas calçadas e ruas de Atlanta, na Geórgia, uma pequena carreata rumava em câmera lenta ao cinema Loew’s Grand. Na noite gelada de 15 de dezembro de 1939, os atores Vivien Leigh, Clark Gable e Olivia de Havilland receberam o público na cerimônia de estreia de E o Vento Levou, de Victor Fleming. Foi o maior evento que presenciei no sul dos EUA", disse o ex-presidente Jimmy Carter ao The New York Times, em 1999. O épico retrata a Guerra da Secessão (1861-1865), conflito armado entre os estados confederados (sul) e os abolicionistas (norte), o mais sangrento do país, com 620 mil soldados mortos.

"O filme deixa os espectadores com a impressão errônea de que a Guerra Civil foi menos brutal que as guerras modernas", diz Gary W. Gallagher, historiador e professor da Universidade de Austin, no Texas. O conflito não é o único tema polêmico abordado na obra. O público feminino foi cativado pela protagonista Scarlett O’Hara, personagem que representa o rompimento com a moral rígida sulista. Em 1939, durante a sessão de gala do filme, as personalidades negras tiveram de ficar em um local separado. E o elenco negro sequer foi convidado.

O livro de Margareth Mitchell, que serviu de base para o roteiro, vendeu 1 milhão de exemplares, mas foi o filme quem consolidou uma marca. Pelos cálculos do crítico Eric Melin, hoje E o Vento Levou renderia 1,5 bilhão de dólares apenas nos EUA (Titanic abocanhou 600,8 milhões). Reviravoltas nos sets de filmagem marcaram o épico. A concorrência para ser Scarlett, por exemplo, era acirrada. Escolhida entre 1 400 candidatas (uma delas Bette Davis), Vivien Leigh era avessa ao galã Clark Gable. Já Gable, que não queria ser dirigido por um homossexual, influenciou a demissão de George Cukor - substituído por Victor Fleming.


O filme em números
Uma produção de proporções astronômicas

Oscar - 10 estatuetas

Estúdio- 88 horas de filme

Custo - U$ 3,9 milhões

Bilheteria - U$ 25 milhões (1939-1940)

Figurino - 2 500 vestidos confeccionados