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Da loira do banheiro ao Bebê Diabo: 10 lendas urbanas das décadas de 1970 e 80

Quando a criatividade e a ardilosidade de juntam, o potencial para gerar uma histeria coletiva é gigantesco. Conheça 10 casos de boatos disseminados pelo Brasil

André Nogueira Publicado em 15/03/2020, às 07h00 - Atualizado às 12h07

Loira do Banheiro
Loira do Banheiro - Divulgação

No Brasil e mundo, os anos 1970 e 1980 foram bastante conturbados para a sociedade civil. A época ficou marcada por lendas bizarras que pairavam entre as pessoas que, sem acesso à informação, divulgavam histórias conhecidas até hoje no folclore.

Muitas delas com tom amedrontador, outras, apenas absurdas, esses contos somam a incrível criatividade popular com traços das culturas, principalmente nos casos brasileiros, do interior. Conheça 10 desses causos.

1. Loira do Banheiro

Uma das mais famosas lendas do mundo, essa história começou nos anos 1970 e arrepiou muitos estudantes. Segundo se conta, e dependendo da origem de quem fala, os rituais podem mudar, se você desligar a luz do banheiro da escola e citar a loira três vezes (acompanhado de três descargas), ela é invocada.

Segundo caracterizações, essa mulher teria uma face assustadora, vestia roupas brancas e era muda. Trazia em suas narinas e ouvidos tampões de algodão.


2. Velho do saco

Crédito: Wikimedia Commons

 

O causo do homem que ameaçavam criancinhas nasceu nos anos 1950, mas têm fama até hoje. Segundo o conhecimento popular, um velho ranzinza existe e perambula pelo Brasil capturando crianças que não respeitam os mais velhos, e isso foi usado como forma de educar os jovens.

Esse homem carregaria um saco onde ele colocaria os malcriados, o que causava terror. Ainda há variações dessa lenda que dizem que o Homem do Saco transformava essas crianças em sabão.


3. A Caronista

Uma das mais macabras histórias da época, é a lenda que diz que há uma jovem moça que vive perambulando pela cidade de São Paulo, pegando taxis durante a noite. Normalmente ela entraria os carros perto de um cemitério e andaria despretensiosamente.

Então, ela falava para o motorista que seus pais pagariam a viagem na chegada, passava o endereço deles e esperava em silêncio. Ao chegar no destino, ela dizia que aquele era o local onde ela havia morrido, há muito tempo atrás.


4. Anistia

Crédito: Tim Maia

 

Existe uma história de uma música perdida de Tim Maia, que teria sido feita a partir de uma letra dele barrada na censura chamada Anistia (Uma questão de Amor). A escritura da poesia em questão foi barrada em 1978, e muitos passaram a acreditar que aquela música existia e fora gravada.

Porém, não há nenhuma prova de que essa letra (que não tinha a cara do Síndico) incorporava uma canção, que se alegava ser uma referência e uma homenagem à Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil. Porém, muitos acreditam que essa letra foi só uma estratégia de Tim para burlar a cobrança de um produtor fonográfico, e que a música é uma lenda.


5. Seringas no cinema

Nos anos 1980, havia muito pânico em cima do tema da AIDS, o que chegou a um nível de histeria que afirmava que supostos criminosos estariam distribuindo agulhas infectadas com o HIV pelas salas de cinema e estabelecimentos públicos nos EUA.

A historia assustou muita gente por, não tendo grandes questões sobrenaturais, parecer verossímil. Muitos deixaram de frequentar cinemas com medo de serem infectados pelas seringas das poltronas, mas nunca foi provado que isso realmente acontecia.


6. Opala preto

Crédito: Divulgação/Facebook

 

Contam as más línguas que, em 1970, o fora-da-lei fluminense Ubiratã Carlos de Jesus Chavez estava perambulando nas estradas do Rio de Janeiro quando morreu em um acidente num túnel interiorano.

Segundo essa lenda, o Opala teria sobrevivido ao trágico acidente e incorporou o espírito do bandido. Desde então, o carro estaria andando pela região do ocorrido, perseguindo qualquer um que tentasse entrar em seu túnel durante a noite.


7. Quadros de bebês chorando

Essa lenda teve muita força no mundo: meninos chorando de verdade em retratos pintados pelo italiano Giovanni Bragolin seriam a origem de diversas tragédias ocorridas na casa de seus proprietários, como incêndios e quedas.

A explicação desse boato é bizarro e envolve o suposto fato de que Bragolin teria feito um pacto em que vendeu sua alma para o Demônio, amaldiçoando suas pinturas. As criaturas chorosas das imagens seriam o próprio Diabo.

8. Big Mac de minhocas

Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma história que repercutiu nos EUA é o boato de que a carne dos sanduíches Big Mac, da empresa McDonald’s, seria feita de minhocas para baratear a produção, mostrando a frieza do conglomerado em relação a seu público. Ao mesmo tempo, a carne dos anelídeos seria mais nutritiva e calórica que a bovina.

Esse boato foi divulgado inicialmente por uma rede de televisão do país, fato que começou a prejudicar seriamente as vendas do fast food (cerca de 30% de queda). A empresa foi ao ar negando as acusações e as chamando de invenção de mentes maldosas.


9. Castelinho da Rua Apa

Existe uma lenda paulistana sobre uma mansão em forma de castelo nos Campos Elíseos onde um trágico incidente levou à morte de uma família inteira em 1937, o que levou ao abandono do local até os anos 1940. Então, o prédio passou para outras mãos.

Segundo relatos de moradores de lá, até hoje, presenças paranormais movem objetos e fazem barulhos estranhos no interior da residência, que passou por uma reforma. Nos dias de hoje, ainda acreditam que o lugar é mal-assombrado.


10. Bebê Diabo

Crédito: Divulgação

 

Esse é um caso de boato genuinamente brasileiro, originado pelo jornal sensacionalista Notícias Populares, que tem histórico de exageros histéricos. Segundo a mídia, uma criança endemoniada teria nascido no ABC Paulista, com chifres e cauda, enquanto na verdade era só um recém-nascido com deformações físicas.

A história do bebê diabo se alastrou pela Região Metropolitana de São Paulo, o que gerou uma grande histeria por medo da criatura horripilante. Essa foi uma das lendas urbanas mais marcantes dos anos 1970.


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