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Do primeiro caso a crise global: pandemia do novo coronavírus completa um ano

Em 1º de dezembro de 2019, o primeiro paciente apresentava sintomas da Covid-19. De lá pra cá, além das perdas, a sociedade passou por diversas mudanças

Fabio Previdelli Publicado em 01/12/2020, às 12h46

Representação artística de novo coronavírus
Representação artística de novo coronavírus - Pixabay

Em 1º de dezembro de 2019, há exato um ano, o primeiro paciente apresentava sintomas do novo coronavírus em Wuhan, epicentro da doença na China, apontou um estudo publicado na revista científica The Lancet em fevereiro deste ano.  

De lá pra cá, a doença já infectou mais de 63 milhões de pessoas ao redor do mundo, totalizando mais de 1.470 milhão de mortes, sendo mais de 173 mil delas apenas no Brasil, que está no segundo lugar entre os países onde mais pessoas morrerem por complicações da Covid-19.

O primeiro deles é os EUA, com mais de 268 mil. Segundo dados do Instituto Johns Hopkins.  

Epidemia de coronavírus foi encontrado em outros lugares do mundo/ Crédito: Getty Images

 

Além das perdas, a pandemia, ainda deixa diversas marcas na sociedade. Não só a relação humana mudou, assim como o comportamento das pessoas teve que passar por diversas adequações.

Neste um ano do primeiro caso registrado de coronavírus, o site Aventuras na História preparou uma retrospectiva com as principais notícias neste período. Confira abaixo.

Dezembro de 2019 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) emite o primeiro alerta da doença em 31 de dezembro, depois que autoridades da China notificaram casos de uma doença pneumática misteriosa na cidade de Wuhan.


Janeiro 

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, um grande mercado de frutos do mar, em Wuhan, é tido como possível origem das infecções. Partindo desse ponto, o comércio foi fechado para limpeza e desinfecção.

"Basicamente, não vá a Wuhan. E quem estiver em Wuhan não deixe a cidade", disse o diretor da Comissão Nacional de Saúde da China, Li Bin

De acordo com resultados preliminares do sequenciamento do vírus, divulgados em 9 de janeiro, por equipes chinesas, os casos de pneumonia se devem a um novo tipo de coronavírus, um vírus semelhante ao da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), que matou mais de 775 pessoas em 2003.  

No mesmo mês, um chinês de 61 anos foi a primeira vítima fatal do novo coronavírus. O paciente estava internado com dificuldades respiratórias e pneumonia grave, o que resultou em uma parada cardíaca.  

Dias depois, a OMS informa os casos de uma infecção fora da China: trata-se de uma mulher com pneumonia leve que regressou a Tailândia após uma viagem para Wuhan.

Além da Tailândia, também há registros no Japão, Coreia do Sul e Taiwan. A doença começa a se espalhar. A OMS decreta estado de emergência de saúde pública internacional.

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em visita a Beijing / Crédito: Getty Images

 

Pouco depois, em 15 de janeiro, um viajante infectado chega em Seattle, nos Estados Unidos. Após a confirmação de seu diagnóstico, o governo americano anuncia procedimentos para a detecção do vírus em três importantes aeroportos do país.  

Paralelamente a isso, o cientista chinês Zhong Nanshan anuncia que o vírus pode ser transmitido de pessoa para pessoa. Já no dia 22, Li Bin, anunciou que o vírus, transmitido através das vias respiratórias, "poderá sofrer mutação e se propagar mais facilmente". Como resposta, três cidades chinesas anunciam a suspensa da circulação do transporte público. 


Fevereiro 

Segundo documento divulgado pelo Partido Comunista da China, o presidente da China, Xi Jinping sabia das infecções por coronavírus duas semanas antes das autoridades reconhecerem o surto. O primeiro pronunciamento público de Xi sobre a crise ocorreu em 20 de janeiro, no entanto, ele já sabia sobre o caso desde o sétimo dia daquele mês. 

No dia 20, o governo sul-coreano registrou o primeiro óbito após a contaminação do coronavírus. Naquele momento, o país apresenta 104 casos confirmados de infecção, devido à presença de uma pessoa que teria frequentado espaços sociais antes de descobrir a doença. 

Foto de Xi Jinping / Crédito: Getty Images

 

24 horas depois, a Itália anuncia um caso de pessoa infectada na região de Lombardia, no norte do país. Se iniciava ali uma das piores crises da doença na Europa.

Já no dia 26, o primeiro caso de coronavírus é registrado no Brasil. A vítima é um brasileiro de 61 anos que voltou de viagem de Lombardia. O brasileiro visitou o país europeu entre os dias 9 e 21 de fevereiro.


Março 

No início do mês, um estudante de Cingapura é agredido na Oxford Street por conta do coronavírus. Segundo Jonathan Mok, antes de ser agredido, ele teria escutado dois homens gritando: "Não queremos o seu coronavírus no nosso país". 

Ainda na primeira semana, Hossein Salami, comandante do Irã, afirma que o coronavírus seria um “ataque biológico” dos Estados Unidos. Já no Brasil, o ministro Paulo Guedes diz que a doença foi o estopim para uma crise econômica.  

Pouco depois, a Organização Mundial da Saúde declara estado de pandemia. "A descrição da situação como uma pandemia não altera a avaliação da OMS da ameaça representada por esse vírus”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, em coletiva. “Isso não muda o que a OMS está fazendo [contra o vírus]”. 

No mesmo período, Bolsonaro se torna o único presidente da América do Sul a não participar de reunião do Prosul para debater medidas para conter o avanço da doença. Já Trump usa a terminologia “vírus chinês” para definir o vírus.  

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro / Crédito: Getty Images

 

No dia 17, o Governo de São Paulo anuncia a primeira morte pela doença. Sem muitas informações, sabe-se apenas que a vítima é um homem, de 62 anos, que estava instalado no hospital particular Albert Einstein.


Abril 

Logo no começo do mês, os Estados Unidos anunciam que uma criança de seis semanas é a vítima mais jovem do coronavírus no país. Já nas Filipinas, o presidente do país autoriza a execução de pessoas que não respeitarem o isolamento. 

Em São Paulo, diversas covas são abertas em cemitérios, entre eles, o da Vila Formosa, o maior da América Latina. Nova York, por sua vez, anuncia crise de respiradores, que chega próximo a ocupação máxima dos leitos. Já o Reino Unido confirma que Boris Jonhson testou positivo para a doença. 

Fotografia de Boris Johnson/ Crédito: Wikimedia Commons

 

O Ministério da Saúde do Brasil anuncia que a primeira morte de Covid-19 no país pode ter ocorrido ainda em janeiro, e não apenas em 26 de fevereiro.

Conforme a pandemia cresce por aqui, o então ministro Abraham Weintraub usa uma tira da Turma da Mônica para ironizar os chineses. 


Maio 

O mês começa com Donald Trump fazendo fortes acusações contra a China: na primeira delas, o presidente americano diz ter provas de que o vírus foi “fabricado” em laboratório.

Pouco depois, alega que o país asiático roubou pesquisas americanas sobre a cura da Covid-19. Paralelemente a isso, a Agência Europeia de Remédios diz que uma vacina pode ficar pronta já em 2021.  

Donald Trump/ Crédito: Wikimedia Commons

 

Na América do Sul, Nicolás Maduro se une a Bolsonaro e defende o uso da cloroquina, medicamento sem comprovação científica para o combate do novo coronavírus. Já a África tem aumento de 30% de casos em apenas uma semana.


Junho e Julho 

Nos meses seguintes, Trump diz que os Estados Unidos já teria 2 milhões de mortes se seguissem o exemplo de Brasil e Suécia. Já a União Europeia afirma que a China está por trás de uma onda de desinformação sobre o vírus. 

Fotografia de Kim Jong-un/ Crédito: Wikimedia Commons

 

O presidente norte-coreano, Kim Jong-un, diz que seu país tem tido um “sucesso brilhante”, no combate à Covid-19. Por aqui, em 7 de julho, Bolsonaro confirma que está infectado.

Putin afirma que o país produzirá vacinas em massa ainda neste ano. E Trump se diz contra o uso obrigatório de máscaras. 


Agosto e Setembro 

Um estudo revela que o coronavírus pode estar presente em morcegos há cerca de 60 anos. A pesquisa também diz que a linhagem do vírus já circula entre animais em um período muito maior do que pensávamos anteriormente.  

Nos Estados Unidos, autoridades locais emitem alertas para que os cidadãos não viajem para o Brasil. Em São Paulo, João Dória é outro político brasileiro que diz estar infectado com a Covid-19. 

Wuhan, primeiro epicentro da pandemia, anuncia que as crianças retornarão às aulas.  

Imagem ilustrativa de uma estudante com máscara/ Crédito: Divulgação

 

Conforme a pandemia progride, cientistas aumentam as esperanças das pessoas com o desenvolvimento de vacinas. Enquanto a Rússia diz que fará registro da vacina, a Pfizer e a Universidade de Oxford em conjunto com a empresa farmacêutica AstraZeneca, continuam suas testagens.  

Em 29 de setembro, o novo coronavírus já causou mais de 1 milhão de mortes em todo mundo, segundo dados da Universidade Jonhs Hopkins. 


Outubro e novembro  

No dia 2 de outubro, Trump e sua esposa anunciam que testaram positivo para o novo coronavírus. Mas, apesar disso, ele diz estar “se sentindo ótimo”. Em entrevista, o Papa Francisco volta a afirmar que a vacina deve ser um bem da humanidade.  

A China anuncia, em 7 de outubro, que já está há 52 dias sem novos casos registrados. O livramento do vírus também é anunciado pela Coreia do Norte. Sobre as vacinas, o Instituto Butantã informou que a feita pela China apresentou “o melhor perfil de segurança”. 

Fotografia do Papa Francisco / Crédito: Wikimedia Commons

 

No começo de novembro, diversos países europeus anunciaram que sacrificarão visons para controlar possíveis mutações do coronavírus. Na Rússia, Putin afirma que há três vacinas contra o novo coronavírus em desenvolvimento. Já São Paulo recebe 120 mil doses da CoronaVac.  

Apesar de esperançosa, a notícia contrasta com a situação da pandemia no país, onde a segunda onda domina. O que corrobora com a declaração do prefeito de São Paulo, João Dória, dada ontem, 30, que informou que diversas regiões do Estado voltarão para a fase amarela. 


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