Coronavírus » Pandemia

Ignorando quarentena, pastor diz ter feito culto com mais de mil pessoas nos Estados Unidos

O religioso acredita que o coronavírus é algo "politicamente motivado" e pretende fazer uma próxima reunião com centenas de fiéis

Vanessa Centamori Publicado em 26/03/2020, às 13h20

Igreja Life Tabernacle
Igreja Life Tabernacle - Divulgação /Google Street View

Nos Estados Unidos, no ínicio de março, o governo do estado da Louisiana proibiu a realização de atividades que reúnam mais de 50 pessoas, como medida de prevenção contra o coronavírus. Só que essa ordem tem sido desobedecida pelo pastor Tony Spell, da Igreja Life Tabernacle — ele diz ter feito um culto com mais de mil fiéis reunidos. 

Spell acredita que o vírus é algo "politicamente motivado" e que os fiéis já foram curados de câncer e do HIV, por meio das celebrações. No último sermão de domingo, em Baton Rouge, vieram ônibus de cinco paróquias de Louisiana, lotados de pessoas. 

A próxima reunião deve ocorrer terça-feira que vem, dia 31, atraindo centenas de fiéis. Uma petição foi criada solicitando a prisão do pastor, que foi repudiado por cristãos que não concordam com o desrespeito à quarentena aconselhada pelo governo e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Fiéis durante culto na Igreja Life Tabernacle / Crédito: Divulgação Youtube 

 

O oficial do Departamento de Polícia Central em Baton Rouge contou ao canal CNN que a questão dos cultos está sob investigação. Em resposta às críticas que recebeu da comunidade, o pastor garantiu que continuará reunindo seus fiéis, apesar das possibilidades perigosas de contágio. 

"Se eles fecharem cada porta dessa cidade, então eu abrirei as minhas portas", Spell contou à CNN. "Você não pode dizer que os revendedores [de produtos] são essenciais e a Igreja não é. Isso é uma perseguição da fé". 

Nos EUA, os casos de coronavírus confirmados chegaram a mais de 60 mil, na última quarta-feira, 25 de março. O número de mortes é de 827 pessoas. O país têm o terceiro maior número de casos confirmados, atrás da China e da Itália, e a taxa de mortalidade nos EUA no momento é de 1,38%.