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Média móvel de óbitos por Covid cresce no Amazonas e atinge mais pessoas fora dos 'grupos de risco'

Dados alarmam sobre possível letalidade maior da variante do novo coronavírus encontrada no Estado

Fabio Previdelli Publicado em 02/02/2021, às 10h46

Representação artística de novo coronavírus
Representação artística de novo coronavírus - Pixabay

Somente na última segunda-feira, 1, o Amazonas registrou um total de 149 mortes por Covid-19, o que faz com que o estado superasse a marca das 8 mil vítimas.

Além disso, a média móvel de óbitos, que é a comparação dos dados dos últimos 14 dias, segue em aceleração, atingindo a marca de 62%, segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa.  

No dia de hoje, 02, foi confirmada a morte do quarto dos 18 pacientes que foram transferidos do Amazonas para Uberaba (MG). Minas foi um dos vários estados que receberam pacientes amazonenses, que tiveram que ser deslocados após o sistema de saúde colapsar com leitos com falta de oxigênio.  

Como se já não bastasse essas notícias alarmantes, outro índice vem preocupando a todos: o de número de mortos fora dos chamados ‘grupos de risco’. Com base nos dados de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), fora revelado que o número de óbitos de pessoas sem comorbidades, ou seja, fora do grupo de risco, cresceu proporcionalmente em janeiro se comparado com a média registrada ao longo do último ano.  

Resumindo em números: das 1.664 mortes por Covid-19 nos primeiros 25 dias do ano, 19,9% delas (331 pessoas) tinham menos de 60 anos e não sofriam de doenças crônicas.

No ano passado, o Amazonas registrou 5.303 vítimas, sendo que 491 (9,2%) delas não apresentavam outros problemas de saúde que poderiam agravar a doença. Para se ter uma ideia, a média do restante do país é de 7,3%. 

Os dados chamam a atenção e criam um alerta, já que os números podem ser um indicativo de que a nova variante do vírus encontrada no Estado, além de ser mais contagiosa, também pode ser mais fatal.  

“Não dá para descartar também um eventual papel da variante P.1. Já estamos quase certos de que ela é mais transmissível, mas ainda precisamos de mais análises genômicas e epidemiológicas para saber se ela é mais letal”, declarou Jesem Orellana, epidemiologista da Fiocruz Amazônia.  

Sobre a Covid-19

Em 1º de dezembro de 2019, o primeiro paciente apresentava sintomas do novo coronavírus em Wuhan, epicentro da doença na China, apontou um estudo publicado na revista científica The Lancet em fevereiro do ano passado.  

De lá pra cá, a doença já infectou mais de 103 milhões de pessoas ao redor do mundo, totalizando cerca de 2.236.454 de mortes, sendo mais de 225 mil delas apenas no Brasil, que está no segundo lugar entre os países onde mais pessoas morrerem por complicações da Covid-19. O primeiro deles é os EUA, com mais de 443 mil.

De acordo com as últimas informações divulgadas pela China, atualmente o país registra 89.564 casos de infecção pelo novo coronavírus, com 4.636 mortes.