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Escritora é chamada de traidora após descrever quarentena em Wuhan

Fang Fang é uma premiada autora chinesa que não escapou das críticas dos nacionalistas. De acordo com eles, ela "estaria arruinando a imagem do país" com a publicação de diário

Caio Tortamano Publicado em 22/04/2020, às 16h20

Autora Fang Fang e seu polêmico livro, Wuhan Diary
Autora Fang Fang e seu polêmico livro, Wuhan Diary - Divulgação

A ala nacionalista do governo e a população chinesa têm atacado a escritora Fang Fang, que irá publicar um diário que detalha as suas experiências durante o confinamento em Wuhan, causado pela disseminação do novo coronavírus.

A escritora, apesar de ser aclamada no país, não despistou os críticos, que acreditam que esse livro - com lançamento nos próximos meses - poderá trazer uma imagem negativa ao governo chinês aos olhos internacionais, especialmente no que se refere às ações de Pequim em relação ao Covid-19.

Classificada como “traidora” por diversos usuários da internet, a escritora iniciou a produção de seu livro em 23 de janeiro, terminando a obra em março a partir de suas vivências em Wuhan nesse período. Fang descreve os hospitais superlotados, a morte de parentes e a relação entre os habitantes da cidade.

Em uma das partes de seu relato pessoal, Fang Fang descreveu que, ao conversar com um amigo médico, foi revelado que os profissionais de saúde haviam alertado ao Estado sobre uma infecção presente em humanos, no entanto, não obtiveram nenhuma ação de precaução por parte do governo.

A China, que começou como o epicentro do Covid-19, hoje tem 88 mil casos em seu território nacional, dos quais 2 mil estão ativos — ou seja, não foram curados ou vieram a falecer. O número total de mortes foi de 4 mil no país.