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Wagner Moura completa 45 anos: Relembre o talento que o (multi)artista proporciona ao Brasil

Intérprete de Pablo Escobar e diretor de Marighella, Wagner Moura já se consagrou dentro e fora do país

Coluna - Daniel Bydlowski, cineasta Publicado em 27/06/2021, às 00h00

Alguns dos mais famosos personagens de Moura
Alguns dos mais famosos personagens de Moura - Divulgação

Passar pela infância de Wagner Moura não destaca a sua arte, pois ainda na adolescência o teatro já fazia parte de sua vida. Filho de militar e de uma dona de casa, o talento brasileiro presenciou muita fome e escravidão no interior da Bahia, de onde veio, mas isso só o fez querer levar consciência e alegria ao nosso país.

Sem mais delongas, queremos relembrar toda a sua contribuição à arte brasileira e como chegou ao ponto de ser um dos artistas mais reconhecidos pelo mundo inteiro e, até mesmo, por Hollywood, de onde recebeu diversos convites para atuar.

O ator durante a estréia de Narcos /Crédito: Divulgação/Netflix

 

A Máquina (2000) – Seu primeiro sucesso. A peça teatral, que também tinha em seu elenco atores como Lázaro Ramos e Vladimir Brichta, faz uma alusão à uma cidade no Nordeste em que Antonio, eterno apaixonado por Karina, traz o mundo até a cidadezinha para não ver sua amada partir em busca de uma carreira nas telas de televisão.

Sabor da Paixão (2000) – Seu primeiro sucesso internacional. Com pequena participação, mas o time era de pessoas que estavam no auge, como Penélope Cruz, Murilo Benício, John de Lancie, entre outros. O romance conta a história de uma mulher que abandona um casamento instável para arriscar uma carreira na culinária de São Francisco.

Carandiru (2003) – Inspirado no livro de Dráuzio Varella, Moura interpretou o Zico, um malandro nem tão malandro assim, mas que marcou presença para quem assistiu e na carreira do ator.

Deus é brasileiro (2003) – Que time, não? Antonio Fagundes e o aniversariante fizeram uma dupla que realmente nos fez acreditar que o todo poderoso nasceu em terras canarinhas.

Mesmo com toda a estrutura cinemática que ele construiu e a consolidação de seus papeis nas telonas, ele não deixou de fazer sucesso em algumas novelas. Mas não vem ao caso. E quando você acha que ele alcançou o auge, ele dobra a meta.

Tropa de Elite (2007) – O eterno Capitão Nascimento. Um papel que transformou as pessoas em pura dualidade. Ora o odiamos, ora o amamos. Ele manda pedir para sair e, para mim, foi um dos seus melhores papeis, alcançou um voo praticamente solo, em meio a tantos outros talentos incontestáveis.

Depois foram inúmeras as representações de questões necessárias no Brasil, como Saneamento Básico (2007), Ó Pai, ò (2007) e Serra Pelada (2013).

Elysium (2013) – chegou à Hollywood. Contracenou com Matt Damon e Jodie Foster. Na ficção científica, Moura conseguiu levar o papel ao ponto máximo, o expert em tecnologia que explorava esperanças de outras pessoas se destacou em meio a uma grande produção.

Depois de nos fazer perder o folego, Moura chegou onde queria. As produções mais difíceis, como cineasta, acredito que foram seus maiores desafios, uma vez que eram personagens e enredos marcantes a nível mundial e as críticas poderiam ser muito ferrenhas.

Narcos (215-17) – uma série que traz um dos maiores criminosos do mundo, dono do cartel que mais destruiu vidas, não é simples de encarar. Apesar de ter muitos criminosos pelo mundo estampados em cartazes de cinema que, inclusive, conseguiram cultuar a empatia do público, é sempre um desafio enfrentar um papel desse.

Mas as críticas se dividiram, o herdeiro (que não assumiu o trono), se tornou um dos principais vilões à série, aqui do lado de fora. Pablo Escobar, com certeza, não é um papel que se interprete se não estiver muito seguro de sua carreira, pois sempre haverá dois lados e nada sairá perfeito. Porém, acredito que a adversidade foi superada. Wagner conseguiu se encaixar na eterna aflição de viver perigosamente e se tornou um marco.

 Seu Jorge, Wagner Moura e Bruno Gagliasso no festival internacional Berlinale em 2019 /Crédito: Getty Images

 

Marighella (Ainda sem data no Brasil) – uma provocação. É olhar na cara da ameaça e dar risada. Com o tamanho da literatura encontrada sobre o assunto e os diversos relatos pelo mundo, roteirizar e dirigir um longa desse calibre, realmente, ele queria viver uma aventura. Mas Moura não foi só, chamou Seu Jorge e seguiu com a ideia até o fim.

Explanar o que um dos maiores líderes da revolução preta e tudo o que causou e inspirou por gerações, se tornou uma tarefa bastante complexa, mas libertadora. Nos Estados Unidos, as críticas foram excelentes e no Brasil, as pessoas esperam para poder desfrutar de uma história que nunca foi dimensionada à sétima arte.


Sobre o cineasta

O cineasta brasileiro Daniel Bydlowski é membro do Directors Guild of America e artista de realidade virtual. Faz parte do júri de festivais internacionais de cinema e pesquisa temas relacionados às novas tecnologias de mídia, como a realidade virtual e o future do cinema. Daniel também tenta conscientizar as pessoas com questões sociais ligadas à saúde, educação e bullying nas escolas. É mestre pela University of Southern California (USC), considerada a melhor faculdade de cinema dos Estados Unidos. Atualmente, cursa doutorado na University of California, em Santa Barbara, nos Estados Unidos. Recentemente, seu filme Bullies foi premiado em NewPort Beach como melhor curta infantil, no Comic-Con recebeu 2 prêmios: melhor filme fantasia e prêmio especial do júri. O Ticket for Success, também do cineasta, foi selecionado no Animamundi e ganhou de melhor curta internacional pelo Moondance International Film Festival.