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Fúria mortal: Há 49 anos, o Irã enfrentava uma das maiores nevascas da História

Em 1972, os iranianos sofreram com a tempestade que varreu o país

Larissa Lopes, com supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 03/02/2021, às 10h00

Imagem meramente ilustrativa de nevasca
Imagem meramente ilustrativa de nevasca - Getty Images

Há 49 anos, o Irã e o baixo Cáucaso eram atingidos pela nevasca mais mortal de todos os tempos, conhecida como “A nevasca de 1972”, dizimou 200 aldeias e resultou em mais de 4 mil mortos.

A nevasca é um fenômeno natural, isto é, que não depende da experiência humana para acontecer, e consiste em uma tempestade de neve. Por causa dela, as temperaturas despencam e são acompanhadas por ventos fortes.

A queda de neve é tão forte que acaba comprometendo a visibilidade nas ruas, característica que torna a nevasca extremamente perigosa. Em último caso, o fenômeno pode resultar em um desastre ambiental - com acidentes de trânsito e soterramentos.

Nevasca brutal

Em 1972, o fenômeno atravessou a região oeste do Irã e o Azerbaijão entre os dias 3 e 8 fevereiro, com queda de neve equivalente a um edifício de dois andares e meio, segundo o Mental Floss. Contudo, a nevasca não foi um episódio isolado, uma vez que já haviam acontecido uma série de tempestades ao final do mês de janeiro.

Trens e carros foram enterrados, linhas telefônicas rompidas e as vilas destroçadas. As autoridades iranianas fizeram a estimativa de que uma região do tamanho do estado americano de Wisconsin, ou seja, aproximadamente de 169.000 km2, havia sido soterrada.

As pessoas que sobreviveram — em número pequeno - à temperatura de -13 graus Fahrenheit durante a nevasca, ficaram sem alimentos, água e auxílio médico por muitos dias. Na época, o Irã também passava por um vírus letal da gripe, que vinha das partes rurais do país.

Nevasca observada em imagem de satélite. Crédito: Divulgação/NOAA/Twitter

 

Uma semana depois do início, no dia 9 de fevereiro de 1972, a nevasca foi interrompida durante as 24 horas mais “misericordiosas” da história. A ‘pausa’ possibilitou que equipes iranianas de resgate se encaminhassem para as aldeias enterradas por neve.

Segundo relatos da Associated Press, um grupo de trabalhadores realizava o resgate numa vila chamada Sheklab, e teve que cavar a neve acumulada durante dois dias consecutivos. 

O resultado:  2,5 metros de neve cavados por eles e 18 corpos encontrados congelados. Da população de 100 pessoas da região, nenhuma ficou viva a tempo do resgate. A estimativa geral foi de 4 mil pessoas que ficaram soterradas na neve, principalmente no sul do país.

Dois dias depois, em 11 de fevereiro, outra nevasca teve início no Irã, e os resgates tiveram de ser paralisados. A medida tomada pelo exército do país foi disparar, por meio de helicópteros, duas toneladas de pão e tâmaras - frutos avermelhados - sobre os montes de neve, na esperança de que alguém soterrado pudesse conseguir escapar e se alimentar.

Imagem meramente ilustrativa do Irã. Crédito: Getty Images

 

Piores nevascas 

Em 1719, 3.000 pessoas morreram na segunda pior nevasca do mundo, que aconteceu entre a Suécia e a Noruega. Chamada de “Carolean Death March”, a tempestade em paralelo à Grande Guerra do Norte, em que a Suécia perdeu parte de seu território para a Rússia e tentou se ‘mudar’ para a Noruega. 

As tropas suecas foram atingidas pela tempestade enquanto atravessavam as montanhas, de volta ao seu país. Além dos soldados, cavalos morreram e equipamentos foram queimados pelo calor.

A terceira pior nevasca atingiu o Afeganistão no ano de 2008, com temperaturas abaixo de zero, beirando os -30 graus Fahrenheit. A fatalidade resultou na morte de 926 pessoas. Para especialistas, foi um dos invernos mais severos de todos os tempos para os afegãos.


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