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Críticas, prisões e envenenamento: conheça Alexei Navalny, o pesadelo de Putin

Conhecido como um dos maiores inimigo do presidente da Rússia, o nome do ativista dominou as manchetes nos últimos dias

Penélope Coelho Publicado em 02/09/2020, às 17h10

Navalny sendo preso em 2017
Navalny sendo preso em 2017 - Wikimedia Commons

Há duas semanas, os olhos do mundo inteiro se voltaram para o advogado, ativista, blogueiro e político russo, Alexei Navalny. Tudo aconteceu em 20 de agosto, quando o homem começou a passar mal em um voo, após ter tomado um chá antes de embarcar a caminho de Moscou.

Desde então, Navalny está internado sob suspeitas de envenenamento, informações inicialmente negadas pela Rússia, mas, que foram apontadas na tarde de hoje, 2, pelo governo da Alemanha, país em que o opositor de Putin foi transferido.

Na ocasião, a aeronave em que o russo estava precisou fazer um pouso de emergência na cidade de Omsk, onde o homem ficou internado por um tempo, permanecendo em coma por alguns dias. Após o apelo da família, ele pôde ser transferido para terras alemãs em estado estável.

O caso de Navalny não é o único quando o assunto é envenenamento de opositores russos pela substância do tipo novichok — a mesma foi encontrada em Sergei Skripal e sua filha, Yulia, em março de 2018.

Polêmicas...

Alexei ficou muito conhecido após expor a corrupção da Rússia e do governo Putin, conhecido como um dos mais temidos opositores do atual presidente russo.

Navalny em 2017 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Líder da oposição 

Nascido em  4 de junho de 1976, Alexei Anatolievich Navalny é descendente de russos com ucranianos. Ainda jovem, ele se formou em direito no ano de 1998, mas, foi em  2008 que o advogado ganhou destaque na mídia. Na ocasião, o russo usou seu blog para denunciar a negligência política do país nas principais empresas estatais. Assim, suas denúncias causaram impacto.

Desde então, o homem casado e pai de dois filhos ficou conhecido por sua força nas redes sociais — já que em decorrência de sua postura anti-Kremlin, Navalny foi proibido de aparecer na televisão estatal russa.

Já estabelecido como ativista político, o homem chamou a Rússia de Putin de “o partido dos vigaristas e ladrões”, sua frase virou uma espécie de bordão, que ficou conhecido em todo o país.

No ano de 2011, Navalny foi preso. Essa seria a primeira vez de muitas que ele ainda enfrentaria. Na ocasião, o opositor ficou detido por 15 dias após ter participado de protestos contra uma suposta fraude nas eleições parlamentares. Depois de ser liberado, sua força estava cada vez maior. Naquele mesmo ano, o blogueiro falou para cerca de 120 mil pessoas no maior comício pós-eleitoral da história da Rússia.

Nos anos seguintes, mais denúncias e prisões: em 2013, foi preso por acusações de peculato, ou seja, um tipo de crime que ocorre quando o funcionário comete erros que permitem que outra pessoa roube o bem que estava sob sua responsabilidade por conta de seu cargo. Contudo, o ele denunciou a sentença como política, que posteriormente acabou sendo anulada.

Eleições e proibições

Navalny durante campanha em 2013 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Apesar dos problemas legais, o ativista foi autorizado a concorrer nas eleições de 2013, para se tornar prefeito de Moscou, mesmo que não tenha conseguido desbancar seu concorrente e o aliado de Putin, Sergei Sobyanin, a participação de Navalny foi considerada relevante para o movimento de oposição.

No ano de 2016, Alexei anunciou formalmente sua campanha para disputar a presidência do país, nas eleições de março de 2018. No entanto, ele foi impedido de continuar em decorrência das antigas acusações de corrupção, por isso, ele não teve o direito de concorrer ao cargo público, novamente o homem alegou que as acusações tinham motivação política.

Em 2017, o líder da oposição foi preso mais uma vez durante um protesto em Moscou. Na ocasião, Navalny alegou que foi ferido no olho com um corante químico verde, o que causou danos permanentes em sua córnea direita.

O ativista afirmou que as autoridades russas não o deixaram buscar tratamento para o problema fora do país, em decorrência de sua condenação. Porém, ele conseguiu a liberação para realizar uma cirurgia ocular na Espanha, através do conselho de direitos humanos do Kremlin.

Esse não foi o único problema de saúde que atingiu Alexei. Antes dos acontecimentos de agosto desde ano, em mais uma de suas idas à prisão, em julho de 2019, o opositor adoeceu no cárcere. Os médicos o diagnosticaram com dermatite de contato, na época, o ativista já achava que poderia ter sido exposto a algum tipo de agente tóxico de envenenamento.

Agora, resta saber qual será o futuro do opositor e as possíveis consequências que a confirmação do envenenamento no aeroporto — que aconteceu por parte das autoridades da Alemanha — terão em sua vida e como ele irá se recuperar do ocorrido. 


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