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Francisco José de Bragança, o príncipe que foi alvo de escândalo sexual e golpe

Diante de polêmicas, o possível herdeiro do trono de Portugal perdeu toda a moral política

André Nogueira Publicado em 14/05/2020, às 11h52

Francisco José de Bragança
Francisco José de Bragança - Wikimedia Commons

Nascido na Áustria, o neto de Dom Miguel I de Portugal, Príncipe Francisco José de Bragança, foi um nobre cuja vida acabou sendo marcada por escândalos e polêmicas que o fizeram ser afastado da vida na corte.

Herdeiro do trono lusitano e oficial do Exército Austro-Húngaro, ele poderia concentrar muitos poderes, mas acabou por ter uma vida mais focada no individual até encontrar um triste fim durante a Primeira Guerra. 

Polêmicas

O primeiro escândalo que abalou a vida pública de Francisco José foi a acusação de homossexualidade e sodomia, tipificado como crime na época. A acusação ocorreu durante sua estadia da Inglaterra, quando participou da cerimônia de coroação de Eduardo VII e foi convocado como réu grave num ato de indecência com um garoto de quinze anos — o príncipe estava na casa dos 20 — no Tribunal Criminal Central.

Segundo uma testemunha que alegava ter observado o caso por um buraco na parede, o príncipe teria praticado sexo com o jovem numa casa em Lambeth. 

Seu advogado apelaria para uma versão de que Francisco José esperava se encontrar com uma cortesã, ao invés de um menino: ele teria sido levado à casa "com a impressão de que se tratava de um bordel e que teria uma mulher à sua espera. Era normal no continente homens e rapazes recomendarem e levarem homens a bordéis."

Ao mesmo tempo, não foram apresentadas provas concretas. Com isso, o júri decidiu por inocentar Francisco José. O caso, por mais que não tenha atingido legalmente o Bragança, o levou ao total descrédito. Pela repercussão do episódio, ele foi forçado a abdicar de seu posto oficial no exército da Áustria-Hungria, em que era tenente da cavalaria (hussardo).

Seu pai, Miguel Januário de Bragança, e seu padrinho, Francisco José I da Ásutria / Crédito: Wikimedia Commons

 

Por decisões de Viena, ele ainda teve diversos direitos civis cassados, inclusive sua autonomia em responder sobre seus próprios bens e acordos políticos. Assim, a justiça austríaca nomeou o cunhado do político para administrar suas responsabilidades. 

 

 

Golpe

Depois do alvoroço, Francisco manteve-se mais recluso e não teve grandes aparições por quase uma década. Até que voltou a ser alvo de notícias após ser gravemente extorquido por um charlatão que conhecera durante uma viagem a Paris, em 1909.

Trata-se de um vigarista de nome William Lackerstein Joachim, um homem que se apresentou a José como Frederick, da importante e bilionária família estadunidense Vanderbilt.

Um mês depois de conhecer o príncipe de Portugal, Joachim o acompanhou em uma viagem a Viena, participando da elaboração de um banquete em sua homenagem. Durante esse tempo, o homem convenceu Francisco que ele era um astuto financista, que lhe concederia uma chance de enriquecimento.

Como o aristocrata estava com seus bens controlados pelo cunhado, recebendo uma mesada mínima, ele viu no caso uma chance de ganhar dinheiro.

William ofereceu a Francisco uma oportunidade de adquirir o que seria uma série de esmeraldas que teria adquirido a um bom preço, em troca da boa recepção que teve na capital austríaca. O impostor ainda sugeriu que o príncipe poderia vender as joias e lucrar imensamente.

Falsa reunião

O falso Vanderbilt chegou até a cogitar que teria sido tapeado durante o episódio. Após marcar uma reunião com o nobre e levar um bolo, Francisco José teria sido convocado emergencialmente ao castelo do pai em Seebenstein. Porém, rapidamente foi contatado por meio de uma carta do príncipe, em que ele lamentava o não comparecimento.

Francisco José / Crédito: Wikimedia Commons

 

Assim, os dois voltaram a se encontrar em Berlim, para fechar negócio, quando o vigarista apresentou uma nova proposta que pensara durante a semana de atraso da reunião: ofereceu um pacote de ações de uma mineradora britânica que supostamente poderia o enriquecer. Quando William alegou ser o acionista principal da empresa, Francisco José aceitou o trato, fechando a dupla veda por um montante de 325 mil libras esterlinas.

Acontece que nenhum dos alvos da compra tinha real valor financeiro: as ações eram inócuas e as pedras falsas. O príncipe, então, levou o caso à justiça numa embaixada de Londres, conseguindo recuperar a maior parte do dinheiro, mas disseminando, com a amplitude midiática que o caso teve a informação do golpe que levara.

A repercussão do caso, somada à fama negativa que Francisco José já tinha na corte portuguesa desde o escândalo sexual de 1901, degradaram sua moral política e sua credibilidade, o que fez com que ele fosse afastado do núcleo politico ao redor da coroa e o impedisse de acender como Rei de Portugal, projeto que ele muito desejava.


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