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Minorias étnicas são mais afetadas por preconceito contra infectados pelo coronavírus, diz estudo

Pesquisa diz que asiáticos, negros e latinos passaram por mais episódios discriminatórios do que a população branca dos Estados Unidos

Fabio Previdelli Publicado em 09/07/2020, às 13h38

Imagem meramente ilustrativa de pessoas com máscaras
Imagem meramente ilustrativa de pessoas com máscaras - Getty Images

Nos Estados Unidos, mais de 3 milhões de pessoas já foram infectadas pelo coronavírus. Desta parcela da população, quase um quarto delas se sentiram descriminadas quando outras pessoas souberam que elas contrariam a doença.

Como se esses números já não fossem absurdos o suficiente, o preconceito atinge 1 em cada três negros, asiáticos e latinos. Para se ter uma ideia de comparação, a proporção entre os brancos aumenta de 1 em cada 5 pessoas.

Essas foram as conclusões do Estudo Sobre o Coronavírus na América publicadas no American Journal of Preventive Medicine. Ao todo, a pesquisa entrevistou, entre os dias 10 de março e 23 de junho, 7.475 pessoas que responderam perguntas sobre suas rotinas, comportamento e acontecimentos durante a pandemia.

No começo de junho, as pessoas de descendência asiática tinham cerca de 2.5 vezes mais de sofrer preconceito do que a população branca. Já entre negros e latinos, esse índice era duas vezes mais alto. Além das chamadas minorias étnicas, o estudo também aponta que adultos entre 18 e 34 anos são três vezes mais sujeitos a serem alvos de preconceito do que idosos com 65 anos ou mais.

"O aumento da porcentagem de pessoas que sofreram discriminação relacionada à Covid-19 pode ser atribuído, em parte, a reações discriminatórias ao número crescente de pessoas que usavam máscaras ou revestimentos faciais no estágio inicial da pandemia", explicou Ying Liu, uma das autoras do estudo.

Apesar do estudo recente, os pesquisadores lembram que em diversas outras ocasiões os imigrantes asiáticos e os americanos com traços orientais foram vítimas de preconceito em surtos epidêmicos anteriores ao coronavírus. "Toda vez que políticos e pessoas fazem provocações ou agem com aspereza e violência, a saúde pública e a democracia sofrem", exclama Nayan Shah, que também participou da pesquisa.

Porém, com o aumento de casos no país, esses índices caíram. Em abril, por exemplo, 70% da população acreditava que as pessoas que tinham o coronavírus eram perigosas e quase 30% diziam que os infectados eram perigosos. Entretanto, semanas depois, já em junho, essas estatísticas baixaram, respectivamente, para 30% e 5%.

"Como um número crescente de pessoas passou a conhecer membros da família, amigos e colegas de trabalho que estavam infectados com a Covid-19, vimos uma diminuição no estigma associado ao vírus", expicou Kyla Thomas, socióloga que participou da pesquisa. "Também vimos um declínio acentuado na porcentagem de pessoas que perceberam a infecção por coronavírus como um sinal de fraqueza ou falha pessoal”, concluiu.