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“Provavelmente, chegaremos em 2022 ainda lutando contra a pandemia", diz presidente da AMB

César Eduardo Fernandes acredita que a população brasileira não tem real dimensão da situação que estamos passando. "Muitas as pessoas pensam que não serão contaminadas”

Fabio Previdelli Publicado em 04/03/2021, às 13h13

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Divulgação/ Arquivo Pessoal

Nos últimos dias, sistemas de saúde de diversos estados vem entrando em colapso, o que contribui para os números recordes de mortes que o Brasil vem superando por conta da Covid-19. Como se não bastasse, o plano de vacinação caminha lentamente, com expectativa de terminamos o ano ainda sem imunizar toda a população.  

Apesar disso tudo, o César Eduardo Fernandes, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), em entrevista à RFI, acredita que a população ainda não tem real dimensão da situação que o Brasil se encontra, apontando três motivos para isso.  

"A impressão que eu tenho é que muitas as pessoas pensam que não serão contaminadas. Também acho que há a exaustão: não são só os médicos e os profissionais de saúde que estão exaustos, mas a população também”, diz Fernandes.  

“O terceiro ponto é que imaginávamos no final do ano passado que nessa época estaríamos nos despedindo da pandemia porque nossos números eram declinantes e todos se prepararam para voltar à vida normal. Ou seja, há um descompasso entre a expectativa que a população tinha e a realidade que vivemos", completa. 

Isso fez com que a AMB, nesta semana, publicasse um manifesto reiterando a importância do uso de máscaras e fazendo um apelo para que governadores e gestores públicos priorizassem a vacinação e as medidas de prevenção contra a Covid-19. "Através dessas notas que emitimos, tentamos chamar a atenção para questões que são muito simples de serem praticadas e de alta eficácia". 

Para o presidente da Associação Médica Brasileira, a situação vivida no Brasil tende a piorar ainda mais nos próximos dias e semanas, principalmente pela chegada das variantes que trazem um ponto de incertezas.  

"É natural que os vírus sofram mutações e é o que está acontecendo com o coronavírus. Essas novas cepas, ao que tudo indica, são muito mais virulentas do que a anterior, e oferecem evolução para casos mais graves. Além disso, se especula sobre a eficácia das vacinas sobre essas novas cepas. Então, todo esse cenário mostra que esse é o pior momento da pandemia que estamos vivendo", diz. 

"Não queremos trazer desalento à população, mas nosso objetivo é mostrar a realidade com a transparência necessária. Não podemos nos enfraquecer e perder as esperanças. Vamos superar a Covid-19, mas não sabemos quando. Provavelmente, chegaremos em 2022 ainda lutando contra a pandemia", conclui.