Testeira

Relembre a descoberta da evidência de crucificação do período romano

Entenda a importância da descoberta feita em 2021

Fabiano de Abreu* Publicado em 04/01/2022, às 12h34

O osso do tornozelo deste esqueleto estava perpassado por um prego de crucificação
O osso do tornozelo deste esqueleto estava perpassado por um prego de crucificação - Divulgação / Albion Archaeology

Os arqueólogos da Arqueologia de Albion descobriram evidências de crucificações no período romano em Cambridgeshire, na Inglaterra. O achado é de 2017, mas somente agora os resultados foram publicados na última edição da revista British Archaeology pelo conselho de arqueologia britânico.

Foram encontrados no sepultamento de um homem, que teria entre 25 e 35 anos, em um pequeno cemitério próximo ao assentamento romano em Fenstanton, entre Roman Cambridge e Godmanchester, evidências de uma possível crucificação.

O homem tem um prego de ferro que penetra o osso do calcanhar direito. Por isso, é fácil de relacionar esse achado ao processo de crucificação, onde os pés eram pregados nas laterais de uma madeira na vertical.

Durante o período romano, a crucificação era feita de maneira pública e utilizada para punir escravos, piratas e inimigos do Estado. Porém, poucos exemplos foram documentados em todo o mundo romano, mas a importância deste achado é que podemos inferir que a prática ocorreu também no Reino Unido.

Um dos esqueletos no sítio de escavação em Fenstanton - Créditos: Divulgação / Albion Archaeology

 

Após testes, foi datado que o esqueleto poderia ser de 130 a 360 D.C e seus tornozelos podem ter sido algemados. Existem ainda, sinais de lesões punitivas e uma possível imobilização perto ou na hora da morte. Os pesquisadores acreditam que a vítima pode ter sido uma escrava.

Além disso,  uma das evidências mais importantes a ser considerada é a localização do achado, uma vila romana, antes desconhecida, à beira da estrada. Podemos considerar os outros achados do local para construir uma imagem do que realmente havia ali. De qualquer forma, é uma descoberta fantástica para que possamos encaixar peças do quebra cabeça sobre como era a vida na Terra em períodos mais distantes.


Fabiano de Abreu Rodrigues  é PhD, neurocientista com formações também em neuropsicologia, biologia, história, antropologia, neurolinguística, neuroplasticidade, inteligência artificial, neurociência aplicada à aprendizagem, filosofia, jornalismo e formação profissional em nutrição clínica. Atualmente, é diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito; Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International e membro da Federação Européia de Neurociências e da Sociedade Brasileira e Portuguesa de Neurociências.